Purim, 25/26 de fevereiro

Quando precisamos nos esconder

Usar máscaras já teve um significado mais feliz.

Não só no Carnaval, mas, séculos antes, em Purim.

Alguns dizem que as máscaras servem para lembrar que houve uma época em que judeus precisaram se disfarçar para sobreviver — isso ocorreu várias vezes na história, na verdade. Outros dizem que servem especificamente para simbolizar o oculto, que nada é apenas sua aparência.

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Meguilat Esther, O Livro de Ester, Torah

A narrativa de Esther é um ótimo exemplo de uma lenda judaica construída no exílio da Babilônia e incorporada na forma de pensamento judaica. O leitor mais acostumado com lendas da região ou de religiões afins nota claramente o papel do Calendário na narrativa, incluindo a presença dos 3 dias de escuridão e das 4 fases da Lua.

O cristianismo, no processo de canonização da bíblia, selecionou adições ao Livro. No original judaico, é importante a quase laicidade do texto. D’us não é mencionado. O jejum é feito em nome da própria Esther. E a protagonista é a própria Esther, que articula sua libertação e a libertação de todos os judeus. Na versão cristã, o protagonismo passa a ser de Mordechai, que tem um sonho premonitório, agindo como salvador de Esther.

A narrativa de certa forma concilia o comportamento ambíguo de D’us na figura do Rei Ahashverosh, que condena o povo judeu à morte em um decreto ao mesmo tempo em que assegura ao povo judeu, no decreto seguinte, o direito de lutar pela própria vida.
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Algum filósofo nietzschiano poderia ainda interpretar hoje em dia que D’us ao mesmo tempo cria presa e predador. Validando o comportamento de ambos, cabe a cada um agir conforme sua natureza. A natureza do povo judeu é manter-se unido para sobreviver.

Shbaa.

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