Deuses modernos: Qfwfq e o conhecimento através experiência humana

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Deuses imaginados. Talvez todos os deuses tenham sido imaginados um dia antes de existirem. Com o seriado Deuses Americanos trazendo o livro de Neil Gaiman de volta ao mainstream — ou pelo menos ao nerdstream — nós voltamos também nossa curiosidade aos deuses modernos. Quem são? O que fazem? Como se relacionam? Trago um destes deuses contemporâneos. Fraco em culto, talvez, mas culto em sua natureza. Ele representa um acesso intermediário ao conhecimento científico através da experiência humana comum.

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Kohelet / Eclesiastes

Maravilhoso. No nome em hebraico, aquele-que-reúne, mas traduzido para aquele-que-professa. Dizem que são palavras do próprio Shlomo haMelech, o rei Salomão, se dirigindo a uma assembleia. Linguisticamente, o texto se coloca entre 450aEC e 330aEC. A poética empresta palavras do persa e do aramaico. O conceito central, hevel é vapor, sopro. Traduzido como “vaidade”, deve ser entendido como “a qualidade de ser vão”. Todo o trabalho do ser humano sobre a Terra é vão, é vapor, é efêmero como o sopro.

Kohelet é um longo exercício de meditação em busca do sentido da vida através dos entremeios da poética e da retórica cabalística. A vida do ser humano é uma longa repetição de ciclos sem sentido. Ao mesmo tempo, Kohelet destrói a própria imagem do Humano na criação, insistindo que o girar da terra, o nascer do Sol, o fluxo dos rios, o caminhos dos ventos, tudo reduz o Humano a sopro, vapor, vaidade. Não só. Mas a vaidade das vaidades, construção idiomática para superlativo: a coisa mais vã que pode existir.

P.S.: Ignorem os versculos Kohelet/Eclesiastes 12:9–14. Esse não é um texto religioso.

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