A pronúncia das letras hebraicas

Tarot com as letras em Hebraico disposto para indicar onde são formados os sons das letras no sistema fonador humano. Em vermelho e laranja, os contorno do sistema fonador com a boca virada para a esquerda.

Faz um tempo que estou devendo esse esquema para a pronúncia das letras hebraicas. Sugiro que façam o exercício com um baralho próprio ou desenhando as letras enquanto experimentam pronunciá-las. O objetivo é articular os sons em seus devidos lugares, compreender as distinções e, se possível, anotar as diferenças sensíveis entre eles. Algumas letras serão muito parecidas, outras completamente diferentes. Algumas diferem pelo momento em que a voz é projetada, outras não têm voz alguma.

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Purim, 25/26 de fevereiro

Quando precisamos nos esconder

Usar máscaras já teve um significado mais feliz.

Não só no Carnaval, mas, séculos antes, em Purim.

Alguns dizem que as máscaras servem para lembrar que houve uma época em que judeus precisaram se disfarçar para sobreviver — isso ocorreu várias vezes na história, na verdade. Outros dizem que servem especificamente para simbolizar o oculto, que nada é apenas sua aparência.

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Onde estamos?

É sempre difícil enxergar todo o caminho quando estamos bem no meio dele.

Em uma das muitas versões sobre a sabedoria de Salomão, conta-se que um viajante muito muito rico pediu conselho ao Rei Salomão sobre como fazer um anel para si. Qual inscrição seria perfeita para fazer em um anel perfeito. Uma frase tão verdadeira que traria sabedoria em todos os momentos da vida, não importando o quão bons ou ruins fossem, e não importando onde ele estivesse, em sua própria terra ou em países distantes.

O Rei Salomão sugeriu a frase “Gam zeh ya’avor“, isso também vai passar.

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Levítico 18 e o sexo

Alguns pontos rápidos:

Primeiro: é um texto de — pelo menos — 25 séculos atrás.

Segundo: não se lê Levítico 18 sozinho (ou Vaiykrá 18). O capítulo faz parte da Parasha Acharê, na qual fazem parte os capítulos 16, 17 e 18. Esses capítulos apresentam uma série de mandamentos (mitzvot) positivos e negativos. Ou seja, diz o que um judeu deve e não deve fazer.

Terceiro: “Ein apotropos le arayot— ninguém é guardião da sexualidade de ninguém.

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É permitido fumar: o lugar do pecado na prática espiritual

Alguém perguntou sobre o cigarro no judaísmo. Sendo o suicídio condenado na religião judaica, alguém perguntou, não seria o fumo uma espécie de suicídio lento e portanto proibido? Nosso rabino respondeu que não, e acendeu seu cigarro.

Há uma questão (taxonômica talvez) aqui: quão devagar seria permitido causar mal a si mesmo e ainda não ser classificado como “suicídio”? Quero dizer, seria permitido pelo judaísmo, em algum grau, fazer mal a si mesmo? Aqui me parece que há a questão do ponto de partida e do caminho desejado.

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Vou buscar fama entre deuses esquecidos…

As pessoas buscam fama na internet, porque, no fundo, não acreditam.

Não acreditam que seus crochês são bem costurados, que suas sobrancelhas foram bem desenhadas, que leram os livros certos, que o que fazem da vida é importante. Precisam confirmar que estão certos.

Aos berros, querem convencer que nazismo é de esquerda, que a Terra é plana, que migrantes a pé são um Walking Dead da vida real, que vencedores de Reality Shows são pessoas legais, que, se eles não podem abortar, ninguém mais pode, que todos devem se sentir culpados por gostar mais de uma pessoa que de outras, que o sapato de solado vermelho é sempre do mesmo número mas serve em todo pé.

Precisam impor justiça, porque seu deus é impotente.

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O Holobionte e a Practognose

Holobionte: ser vivo (teórico) formado pela soma de organismos (micro e macro) que estão em simbiose. Nós, nossas bactérias e nossos vermes.

A discussão sobre o conceito não é tanto se a teoria está correta, mas, sim, se ela é necessária. Não vale a pena simplesmente aceitarmos que consciência e decisão não são tão individuais assim?

Practognose: conhecimento prático e corporal que precisa ser acessado sem a consciência/cognição, porque é interrompido por processos cognitivos conscientes. Quem dança ou pratica artes marciais entende bem o conceito.

O termo foi cunhado por Merleau-Ponty, mas não costuma ser muito utilizado fora de estudos específicos. É mais fácil encontrar o termo “apractognose”: incapacidade de por em prática habilidades motoras, como vestir as roupas. Diferente de falta de coordenação motora ou falta de cognição, a apractognose aparece na aplicação da ação nessas habilidades do dia-a-dia, que deveríamos ser capazes de fazer sem problemas, mas que, por algum motivo, quem sofre de apractognose não é capaz de completar.

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