Jól

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O Jól (ou Yule, em anglo-saxão) era um dos mais importantes festivais (“hátíð” em nórdico antigo) germânicos. Tomava um período de 12 noites e era centrado no solstício de inverno (21 de dezembro no hemisfério norte), sendo depois apropriado pelo cristianismo e transformado no Natal como conhecemos hoje; para os pagãos contemporâneos do hemisfério sul, o festival é deslocado para 21 de junho, sincronizando com a estação. A partir da comparação com o que sabemos da celebração original do Jól com a forma que é feita na época atual, vamos refletir sobre os diversos significados que esta importante data nos passa.

As primeiras noites de Jól eram dedicadas a celebrar os ancestrais e entidades protetoras, como as Dísir (seres femininos ligados à família e ao Destino) e os elfos (“Álfar”, associados à fertilidade e mudanças de estação); estas celebrações eram chamadas respectivamente de Dísablót e Álfablót (“sacrífico às Dísir” e “sacrifício aos elfos”). Muitos destes rituais eram familiares; no período rigoroso que era o inverno escandinavo, a família era o primeiro apoio das pessoas e sua união era vital inclusive por questão de sobrevivência. Haviam fortes crenças associadas com os mortos durante o período, em que dizia-se que Óðinn conduzia a “Caçada Selvagem”; alguns mitos a descrevem uma sombria procissão onde fantasmas revisitariam suas famílias, e outros como realmente uma “caçada” conduzida pelo deus com seus guerreiros (posteriormente, foi transformada pelo cristianismo na marcha de uma horda de demônios).

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A festa culminava no solstício de inverno, quando animais engordados eram sacrificados e sua carne servida em banquetes. Era uma celebração à renovação da vida, pois embora esta fosse a época mais difícil do ano e a noite mais escura, também marcava que dali em diante os dias começariam a ficar mais longos até o verão se estabelecer. Os sacrifícios e brindes também eram feitos com a expressão “til árs ok fríðar” (“para uma farta colheita e a paz”), evocando o período de plantio que logo chegaria. Estes grandes rituais os lembravam não apenas da remanifestação da natureza, como também da necessidade de se manter o calor e a alegria diante da adversidade.

Alguns autores apontam que a tradição da “promessa de ano novo” viria da última noite de Jól, que coincidiria com a virada do ano do calendário gregoriano. Ainda era dedicada a festejos, mas enquanto o povo aproveitava para fazer seus desejos para a próxima estação, muitos juramentos eram fechados em meio a brindes. Podemos reservar em nossas celebrações contemporâneas um momento para reflexão, observando tudo aquilo que queremos para o próximo ciclo e o que atitudes devemos ter para obter isso. Refletimos sobre nossos laços e os reforçamos, ao mesmo tempo em que fazemos juras para nós mesmos.

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Entre grupos do Brasil, o mais comum se tornou reduzir o período do Jól e se reunir para celebrar apenas no dia do solstício. As principais divindades honradas são Óðinn, Þórr e Freyr, com alguns grupos também fazendo oferendas a divindades solares como Sól (a condutora da carruagem do sol) e Baldr; e muitos fazem uma associação da Caçada Selvagem como um esforço que os Æsir exercem para manter o equilíbrio em Miðgarðr. Algumas pessoas gostam de fazer meditações e ritos pessoais durante as doze noites como uma forma de remeter aos procedimentos originais, e livros estrangeiros costumam a recomendar três ritos celebrativos; um no início do período (que dependendo do autor pode ser dedicado à figuras maternas como Frigg e as Dísir, à Sól ou aos ancestrais), a oferenda do solstício e um de encerramento.

Seja em torno de uma grande fogueira ou admirando a pequena chama de uma vela, este é o período de deixarmos o calor nos invadir e sentir dentro de nós que podemos acender o fogo diante de um período difícil; e principalmente, que a hora mais escura é aquela que antecede o retorno da luz. Assim sendo, que neste Jól possa a luz das fogueiras nos trazer calor e alegria no momento do solstício. Que tenhamos a tenacidade para seguir resistente diante das adversidades reforçada, e possamos permanecer firmes aos nossos juramentos. Skál! Til árs ok fríðar!

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Sjáumst bráðlega!

-Ravn

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