Finados Ancestrais

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A xamã organiza o tambor e os objetos de poder de seu falecido marido, no chão de sua casa. Ela está triste por simbolizar sua morte, mas sabe que os preparativos certos permitirão que ouça sua voz. Ela o chama, por uma fraca chama de vela. Ela canta, e então um vento leve entra em sua casa: o espírito de seu amado retornou para vê-la mais uma vez.

A morte não precisa separá-la de ninguém que ela amou.

Muitos povos contam com a ajuda de seus ancestrais, seja evocando-os em seus rituais, entregando oferendas em altares nos locais em que estão enterrados, ou até mesmo preservando seus corpos (usando técnicas de defumação ou mumificação) para que continuem zelando pela comunidade. Esses espíritos então, protegerão seus descendentes.

E hoje, é dia de finados. Um dia sagrado, para que possamos nos conectar com as memórias e espíritos daqueles que vieram antes de nós. Talvez leitor, você tenha perdido alguém importante, que já se encontra no outro lado da existência. Em dias como hoje, é bom lembrar de coisas alegres sobre este certo ente querido, rever alguma foto, ter algum objeto que o represente. Independente de sua crença, faça uma prece. O espírito certamente irá lhe proteger, e agradecer por ter lembrado dele. Se você é um médium desenvolvido, certamente saberá sentir o momento deste contato. O importante é ter o sentimento, seja para agradecer, pedir proteção ou até mesmo, pedir perdão por conta de algum desafeto em vida.

Nossos ancestrais, de sangue ou não, têm interesse em nós e são uma de nossas maiores fontes de poder e segurança no outro mundo. Certamente, uns dirão “Deixe-os ir, já não fazem mais parte deste mundo”. Para mim, isso seria como abandoná-los – sim, eu os deixo ir para o mundo que agora é deles, porém, ainda tenho o vínculo inquebrável com meus ancestrais, os quais me dão forças e fazem parte de minha vida.

O Xamã ajuda os moribundos e os mortos

No mundo atual, os cuidados com os moribundos geralmente são delegados a profissionais de saúde. Mas o conhecimento xamã, pode ajudar aos idosos a desapegar-se do corpo. Até alguém que não aceite o xamanismo pode tentar meditar com uma mandala e viajar espontaneamente. Se a alma já sabe deixar o corpo, a transição será mais fácil na hora da morte.

Aqui no Brasil, os xamãs Avá-chiripá também cuidam dos mortos, trazendo de volta seus espíritos, para que participem de seu funeral, e cantam para eles, para que a música os deixe fortes no outro mundo.

Qualquer pessoa também pode ter a oportunidade de cantar uma música própria a quem morre. E no caso de encontrar um espírito que ainda não tenha feito a transição à outra vida, habitando então os planos intermediários entre os vivos e os mortos sendo um espírito perdido,  então o xamã age, chamando seu animal guardião e seus aliados de poder, afim de explicar para este  espírito errante, para onde ele deve ir.

Os espíritos dos mortos podem até parecer assustadores, e em certos casos, podem até possuir os vivos (assunto este, para uma próxima publicação) – Mas também são uma fonte de poder

Os antepassados de uma pessoa estão esperando por elas; A morte nunca separa alguém de pessoas amadas.
Dedico este texto, para aqueles que vieram antes de mim, e abriram o caminho pelo qual hoje eu trilho. Carinho especial à Dona Esmeralda, minha querida avó-no-santo, e meu bisavô Joaquim, um curandeiro nordestino.

Até nosso próximo encontro,

Wäkn, o peregrino.

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