Cabala Judaica #7: sobre Cabala e Vinhos II – o diário mágico

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No outro post, comparei o trabalho de aprendizado da cabala com o treinamento de um enólogo. Repito:

Mas entender isso é como treinar para ser enólogo, esses cheiradores de vinhos. Cada vinho é diferente. Cada esfera é diferente. É quase impossível associar o gosto sorvido em um cálice ao excesso de iodo no solo onde cresceu o carvalho do barril usado para envelhecimento do vinho. Mas esse iodo influencia no gosto final. E o gosto pode ser detectado. Só que ele não vai ser descrito como iodo, mas como metálico, seco, alto.

Assim é com as esferas. É impossível sentir diretamente a harmonia de Tiferet, mas é possível sentir quando nossas ações parecem se encaixar perfeitamente… “em Malkuth”, através do mundo material. Uma música bem executada, uma pintura bem equilibrada. A bola de basquete que sai da mão do jogador e todos têm certeza de que acertará o alvo.

Da mesma forma, nossos sentidos não sabem identificar corretamente as pressões do mundo emocional, mas o descrevem inicialmente com sensações semelhante associadas à onipresença das emoções, à natureza difusa da passagem do tempo, à dificuldade de locomoção, ao fato de estarmos à deriva sofrendo da vontade das outras almas nesse mundo. No caso da magia ocidental, se interpreta, predominantemente, o plano astral como água.

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Óðr – Inspiração e Loucura

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O nome “Óðinn” deriva da palavra “óðr”, que pode significar “entendimento”, “senso”, “inspiração” ou mesmo “fúria”, “furor”. Atualmente, autores que buscaram fazer um mapeamento da estrutura da alma do ponto de vista nórdico deram o nome de “Óðr” ao seu aspecto mais elevado, o espírito e a consciência concedidos por Óðinn no momento da criação da humanidade. Este é o meu ponto de vista sobre o Óðr, a forma que ele se manifesta e como podemos entrar em contato com esse aspecto.

Imagem destacada: Nataša Ilinčić

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Muitas Almas, Um Só Corpo

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Ao falarmos da China antiga, devemos ter em mente que a separação entre corpo e alma não era vista como algo definitivo. O corpo e a alma se conectam, trocam substâncias entre si e se influenciam mutuamente. Nesse sentido, a interpretação que passarei aqui – a das cinco almas – é aquela usada na acupuntura conforme me foi ensinada. Há outras interpretações, com números maiores ou menores de almas, mas não entrarei no mérito de discutir aquilo que não estudei profundamente.

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Cabala Judaica #6: sobre Cabala e Vinhos I – a árvore simplificada

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Sobre a árvore da vida, sem a complicação de mundos, reinos, elementais, nomes de deus e demônios arquetípicos

Vamos mais um passo atrás…

Tudo é a mesma esfera, tudo é aqui

A árvore da vida, Etz Chayim, é um diagrama que representa os aspectos do ser humano distribuídos em dez esferas. Apesar dos trabalhos de pathworking, pathfinding, viagem entre esferas etc. Não seria correto afirmar que estamos em Malkuth. Somos seres que existem em todas as esferas ou, mais condizente com a cabala judaica: “Malkuth é onde todas as esferas entram em contato”, onde os atributos de Keter, Chokhmah, Binah, Chesed, Gevurah, Tiferet, Netzach, Hod e Yesod ganham materialidade. Todas ao mesmo tempo.

Mas entender isso é como treinar para ser enólogo, esses cheiradores de vinhos ou cervejólogos se for de preferência. Cada vinho é diferente. Cada esfera é diferente. É quase impossível associar o gosto sorvido em um cálice ao excesso de iodo no solo onde cresceu o carvalho do barril usado para envelhecimento do vinho. Mas esse iodo influencia no gosto final. E o gosto pode ser detectado. Só que ele não vai ser descrito como “iodo”, mas como “metálico”, “seco”, “alto”. Assim é com as esferas.

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Younger Futhark e Magia Rúnica

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Como dito em posts anteriores, existiram mais de um alfabeto rúnico (“futhark“) no decorrer da história, além de diversas variações regionais. Através dos Poemas Rúnicos que chegaram até nós e das mudanças nos próprios nomes usados às runas, é possível entender cada alfabeto como um sistema magístico próprio. Hoje, analisaremos o Younger Futhark  e seus usos.

Imagem destacada: série Vikings/History Channel

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Assunção de Forma-Deus

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Existem três importantes práticas conectadas a todas as formas de cerimônia ( mais dois métodos que discutiremos posteriormente):

       a- Assunção de Formas-Deus.
       b – Vibração dos Nomes Divinos
       c – Rituais de Banimento e Invocação.

Aleister Crowley, Liber O Vel Manus Et Sargitae

A prática mágica está conectada à criatividade, arte, e consequentemente ao teatro. Muitas das cerimônias mágicas são peças teatrais muito bem articuladas, onde os participantes representam um papel importante e as falas, gestos e movimentações são de um profundo significado. Os Oficiais da Golden Dawn representavam papéis dos Deuses Egípcios em muitas das suas cerimônias.  É comum em cultos afros os praticantes serem possuídos por seus Deuses assim como em outros cultos do êxtase, apesar dos estudiosos afirmarem que, no Candomblé, por exemplo, o Orixá não é um espírito, e sim uma divindade pessoal do iniciado, representante de uma força subconsciente, de sua ancestralidade e potencialidade. Crowley, em seu Liber O, cita a Assunção de Formas-Deus como a primeira de três práticas que o mago deve ter completo domínio.

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Cabala Judaica #5: Coisa, dvar – D’us criou as coisas pelas palavras

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Depois dessas coisas1, a palavra2 de IHVH veio a Avrão em uma visão dizendo “Avrão, não tema: eu sou teu escudo e tua recompensa é grande”. (Bereshit 15:1)

Este texto dá um passo para trás, para avaliar a relação do hebraico com as palavras. Em especial, com a palavra “palavra”. Não se deixe confundir.

A palavra que seria traduzida para o Português como “coisa” é “dvar”. A árvore é uma dvar, o rio é um dvar, o céu é um dvar, uma pessoa é dvar. Mas, em hebraico, o significado de dvar é “palavra”. Então, quando o professor diz “D’us criou todas as coisas (dvarim)”, o aluno também escuta “D’us criou todas as palavras”.

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Morte, Pós-Vida e Reencarnação na China

 

 

 

Ao falarmos do oriente, imediatamente nos vem à mente a ideia da reencarnação. Para alguns, conceitos mais complexos – como a roda das reencarnações – também acompanham essa ideia.

Ainda assim, continuando com nossa série sobre as diferenças conceituais entre o oriente e o que se fala do oriente e visto a necessidade de escrever um pouco mais longamente sobre esse tema antes de adentrar no material especializado de medicina tradicional chinesa, decidi escrever um texto introdutório quanto a como as diferentes religiões chinesas interpretam a morte, pós-vida e reencarnação.

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