Salve as Crianças! ERÊ MI BEJE ERÓ!

erê

Ei vovô,

Me faz um balão,

Com todas as crianças que vêm lá do céu,

Tem doce babá, tem doce babá,

Tem doce nesse Gongá!”

Os cultos e entidades dentro do complexo universo da cultura afro – brasileira são um mistério, e é assim que tem de ser. É difícil explicar a complexidade dessas religiões aparentemente simples, mais difícil ainda é explicar que o trabalho das entidades com o médium são, antes de tudo, um trabalho interior, um trabalho dentro da realidade interna do médium. Mesmo havendo a pura e simples caridade há uma troca entre a entidade e o médium, um trabalho a ser desenvolvido durante toda uma vida.

Tradicionalmente as crianças são consideradas santas, principalmente os gêmeos e seus mistérios. Algumas tribos vão considerar os gêmeos como algo sinistro, outras vão adorá-los como verdadeiros deuses. O sagrado e inocente é comumente representado por crianças, não é incomum crianças serem representadas em pinturas como algo próximo ao divino, o que mais pode estar próximo aos Deuses se não crianças?

Michelangelo sabia das coisas;
Michelangelo sabia das coisas

O famoso sistema de Abramelin, O Mago, sugere a utilização de uma criança em uma das partes da etapa final do Conhecimento e Conversação com o Sagrado Anjo Guardião.

O menino que ajudará você na parte final da operação não deve ter mais de 7 anos. É preciso que possua uma pronúncia clara, que seja vivo e desperto e que entenda bem todas as indicações que você lhe dê em relação ao serviço.

Não tema que a criança seja capaz de revelar ou dizer alguma coisa a outras pessoas sobre o sucedido. Ela não recordará de nada. Você mesmo poderá confirmar e, se a interrogar depois de sete dias, verá que ela não se lembra de nada em absoluto, o que é extraordinário.

É culturalmente comum que as crianças sejam consideradas sagradas, que sua inocência as aproxima do divino e que sejam ativas como médiuns, como se fosse uma espiritualidade latente, que no caso do manual citado seria utilizada pelo mago.

Tradicionalmente cada Orixá possui seu Erê, uma criança extremamente ligada à energia do Orixá, que fala por ele, algumas vezes dá consulta e revela os desígnios do Orixá. Ele é a voz do Orixá, e sua manifestação poderosa. Essa ligação pode ser vista nos nomes dos pequenos, um Erê de Oxossi normalmente terá como nome algo parecido com Flechinha, Reizinho, Arquinho.

Então, tradicionalmente o Orixá possui seu Erê e seu Catiço. Isso sem contar as diversas lendas envolvendo crianças na cultura Yorubá.

Na Umbanda as coisas mudam um pouco. A crianças são as entidades mais próximas a Zambi, Deus Maior. São seres extremamente espirituais e distantes da realidade do Reino, muitas das vezes parecem até alienados e um pouco cruéis por estarem muito distantes da humanidade. Forças tão incontroláveis que é necessária a presença de um Nego Véio para controla-los. Logicamente cada Erê é ligado à energia do Orixá que o seu médium pertence, mas isso não quer dizer que são as mesmas entidades do candomblé. Aqui as crianças são uma manifestação pura e próxima a Zambi Maior.

Por fim o sincretismo com São Cosme, São Damião e Doum (esse merece um post todo dele), foi algo natural para uma cultura onde as crianças e os gêmeos são sagrados.

Que no dia de hoje as crianças tragam muitas alegrias a todos!

Salve as Crianças!!!

Akin (@jmaximiliano)

Imagem.

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2 Comentários

    1. Seria o Exu do Orixá, como o Exu Marabô para os filhos de Oxossi, ou Exu Tranca Ruas para um filho de Ogum. O Erê seria uma força apaziguadora e condensadora do Orixá e Catiço uma força dispersadora e mais agressiva. Algumas casas aceitam o Catiço ser mulher, no caso uma PombaGira, outras não aceitam.
      Também já vi casas não aceitarem o Catiço e tratarem isso como um culto separado, como um Quimbanda “anexa” a prática do Candomblé.

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