Palavras de Arluz

Continuando o texto da semana passada, deveríamos passar hoje para o estudo dos deuses e de suas mutações.

Contudo, durante um trabalho espiritual, fui influenciado (em mediunidade de psicografia por inspiração, isso é, recebendo o conteúdo mentalmente e transcrevendo-o) por uma entidade que se identificou como “Arluz”, e cuja assinatura poderá ser vista ao fim dessa postagem.

O texto de Arluz parece-me fantástico, e irei aproveitar o post de hoje para transcrevê-lo aos meus caríssimos amigos e leitores, adicionando a ele pequenas notas explanatórias onde acho que seja necessário – visto que o significado de algumas partes pode ser obscuro e, presentemente, acho-me (acredito) com a memória ainda suficientemente fresca para poder discorrer um pouco a respeito de seu significado.

Vamos lá !

As palavras de Arluz estarão em negrito. As minhas em fonte regular.

 

Não aja nas certezas.

Não deixe de agir nas dúvidas.

Investigue sempre.

 

O primeiro trecho é levemente estranho, visto que Arluz inicia a reflexão sem rodeios.

A primeira frase, “não aja nas certezas”, diz respeito a uma forma de comportamento que ele aconselha.

Não se deve agir com base em certezas pessoas, como, por exemplo, a de que realizar tal ou qual ato será bom, ou que agir de certa forma é moral ou imoral.

Ato algum deve ser realizado por conta desse tipo de certeza.

A segunda e a terceira seguem a mesma lógica.

Não se deve deixar de agir quando temos dúvida de algo, como, por exemplo, quando duvidamos que nossa ação será positiva ou se duvidamos que nos dará o que desejamos.

O estado de mente adequado deve ser sempre o de Investigar a realidade, jamais condicionando nossas ações a nossas certezas, e nossa inação à nossa dúvida.

O motivo disso é porquê Certeza e Duvida são partes de nosso intelecto, que não deve ser a força motriz levando nossa vida adiante – o intelecto deve nos ajudar a levar a vida, a fazer planos, a raciocinar e a sermos racionais, mas não deve ser posto como nosso guia, pois nessa posição só sabe buscar prazer.

Ao contrário, a espontaneidade deve ser nossa guia, permitindo que ajamos de acordo com forças que se somam ao intelecto, mas não são limitadas por ele – mais especificamente, nossas emoções e nossa intuição (essa última, sim, deve ser nossa guia – enquanto a penúltima, nossas emoções, toma papel secundário juntamente ao intelecto).

Porém, não é necessária essa disposição para entender a lógica por detrás dessa frase.

Um outro raciocínio, muito mais simples, pode ser usado.

Ao agirmos com base em uma certeza, além de criarmos expectativas que impedem um estado de espírito apropriado à investigação e exploração do mundo, assim como o nosso crescimento pessoal, estamos nos fechando à possibilidade do erro – de que simplesmente estejamos errados em nossas certezas.

Evitando agir com base nas certezas, nos mantemos abertos à possibilidade de estarmos errados, e assim podemos Investigar sempre, reduzindo nossas certezas a seu local devido – o de coadjuvantes na nossa experiência da realidade.

Por sua vez, quando temos dúvidas quanto a algo e evitamos agir, evitamos de aprender, com base na experiência, o fato. Evitamos, novamente, o aprendizado. Assim, ao deixarmos nossas dúvidas de lado e assumirmos uma postura Investigativa, novamente podemos progredir na vida.

E o objetivo de Investigar – ora pois, é óbvio – estar presente nas experiências, notar sua profundidade e manter nossa mente sempre fresca e aberta ao aprendizado, assim como nosso espírito pronto para considerar opções e pesar fatos, independente de qual crença temos.

Claro que certo discernimento é necessário.

Os exemplos que passaram por minha cabeça durante essa inspiração foram, por exemplo, os da crença religiosa.

Não devemos agir porquê acreditamos em tal ou qual coisa. Por exemplo, que deus goste de algo ou desgoste de algo. Ou que tal coisa seja moral ou imoral.

Esse tipo de ação nos congela no tempo, e nos impede de aprender mais sobre deus (ou os deuses em geral). Nos faz incapazes de crescer espiritualmente.

Também não devemos deixar de agir por acharmos algo moral ou imoral. Se nos vemos em uma posição onde uma dúvida moral restringe algo que nosso intelecto, emoções e intuição nos dizem que é para fazer, não devemos deixar a crença subjacente, que nos faz duvidar de nós mesmos, nos impedir de agir. Os livros sagrados e textos sobre homens santos vivem cheios de contradições por um bom motivo – raramente a espiritualidade verdadeira fala de coisas tão banais quanto regras de convivência em grupo.  Ela fala de mistérios maiores, ainda que muitos a reduzam a tal patamar.

 

 

Julgamento é parte da vida. Julgue. Mas julgue direito. Julgue sem agir, preserve seu julgamento longe da sua visão de justiça e do mundo. Justiça não é julgamento.

 

Aqui falamos de qualquer tipo de julgamento. Julgamentos de valor (tal coisa é boa/ruim, tal pessoa faz isso certo e isso errado, etc), Julgamentos Morais (isso é certo, aquilo é errado), Julgamentos quanto à natureza das coisas (papel vem da madeira), e etc.

 

 

Julgamento é o instrumento do Agir. O meio pelo qual o intelecto auxilio o espírito.

É impossível falarmos de intelecto sem julgamento. Mesmo a lógica simples é um ato de julgar.

A = A

B = B

Logo, Julga-se (deduz-se), que A+B = AB.

Deduzir, raciocinar, todos os atos mentais que envolvem o mundo concreto são atos de Julgamento, lidando com revelações mentais a respeito do mundo.

Não é por acaso que o caminho que liga Malkuth a Hod é sincretizado com a carta d´O Julgamento do Tarot.

Assim, ao falarmos de uma vida saudável e racional, é necessário aceitarmos que iremos JULGAR a todo momento, e que o papo Nova Era de “não faça julgamentos” está exagerado.

É necessário Julgar para Pensar. Para que haja Lógica. Para que haja Razão.

Porém, é necessário julgar da forma correta. Quando decidirmos agir, isso é, quando Julgarmos, não devemos fazer isso com base em uma Certeza, isso é, sem raciocínio, sem reflexão, sem a maestria prévia da nossa espontaneidade, do nosso espírito, da nossa intuição.

Devemos julgar da mesma forma que sentimos nossas emoções – como parte da nossa experiência, e não como o motor que a guia.

Afinal, o que seria de nós se de repente decidíssemos nos Comportar exatamente de acordo com como nos sentimos ?

Seríamos como crianças pequenas, que muitas vezes colocam seus sentimentos na frente de tudo, batendo os pés por frustração e correndo de excitação na felicidade.

Assim como aprendemos (ou deveríamos ter aprendido) a sentir sem deixar que os sentimentos controlem nosso comportamento e ações, devemos aprender a pensar e a julgar sem deixar que os pensamentos e julgamentos controlem essas mesmas ações.

Eles devem meramente nos auxiliar nesse processo.

 

Toda incerteza é indecisão. Toda indecisão é não-aceitação e dúvida. Toda dúvida gera hesitação.

Quando ficamos incertos quanto a algo (por exemplo : isso é certo ou errado?) estamos, na realidade mais profunda, indecisos quanto em nosso Julgamento quanto àquele algo (no exemplo, se é certo ou errado).

Isso por sua vez, indo uma camada mais fundo, vem do fato de que há alguma dúvida subjacente, misturada com uma dificuldade de aceitar as consequências do nosso julgamento.

No nosso exemplo, ao julgarmos algo como certo ou errado, imediatamente iniciamos um processo mental que, por lógica, deduz se o que vemos é certo ou errado.

Ora pois, essa lógica se baseia em máximas, premissas, que sempre tomamos para nós mesmos.

Por exemplo, podemos dizer que algo que machuque a nós mesmos é errado.

E que algo que faça bem aos outros é certo.

Mas e quando encontramos algo que faz bem aos outros, mas nos machuca?

Nesse caso, nossa mente imediatamente irá perceber que suas Premissas, isso é, suas máximas, são incapazes de lidar com aquela situação.

E por isso, irá iniciar um momento de reformulação de suas máximas. Abandonará as que previamente tinha, mas não totalmente – irá, ao contrário, muda-las para adaptar a nova informação a ela.

Há duas possibilidades.

O que nos machuca é errado, exceto quando faz bem para os outros.

O que faz bem para os outros é certo, exceto quando nos machuca.

Qualquer uma dessas mudanças nas premissas iria resolver o problema Lógico por detrás do nosso Julgamento quanto a se a situação em questão é correta ou errada.

Porém, ambas vem com suas próprias consequências, às quais envolvem, por exemplo, o risco de martirização, (primeira opção) e o de egoísmo (segunda opção). Ambas podem ser inaceitáveis para a pessoa, seja por conta de como ela se sente a respeito de cada coisa (das emoções que gera nela), ou por conta de outras máximas morais que carregue!

Assim, enquanto a pessoa não resolve essa questão, seja passando a Aceitar uma das duas opções, ou achar uma terceira que seja aceitável (como dizer que existem níveis pelos quais se machucar pelos outros é certo, ou que machucar os outros por conta de si é certo, e o resto é errado), ela estará em estado de Dúvida – e hesitará em tomar qualquer ação.

Assim fica explicado, que toda Incerteza é uma indecisão. E que toda indecisão é não-aceitação de algo e dúvida, e que isso, essa falha no Julgar o mundo, é o que gera hesitação quando falamos em termos de Ações Racionais.

 

Os deuses da justiça Julgam. Mas não são justiça. Justiça é uma Irradiação.

Aqui o termo irradiação se descreve ao fenômeno de que tratamos no último texto – uma espécie de “força primária do universo”, um “princípio basilar da realidade”, como a Gravidade ou o Magnetismo.

Note-se que “Julgam” aqui é diferente do julgamento descrito no tópico anterior, que diz respeito meramente a processos de dedução e lógica. Ficará mais claro mais adiante.

 

 

Os deuses da justiça ensinam a canalizar a justiça pela mente limpa e beleza universal.  

O “Julgamento” a que se refere o tópico anterior é esse – o uso da mente, da dedução e do pensamento para canalizar a Irradiação Natural chamada Justiça, que então permite a manifestação de algo que está além até mesmo do que o juiz conhece ou desconhece, sendo verdadeira manifestação da Justiça – pois fala de uma força universal e onipresente.

 

 

Os deuses da justiça ensinam a abandonar o julgamento, e por isso permitem Julgar e Mudar com Justiça – pois são senhores da Justiça e verdade universais que tudo de bom fazem. É assim que se Julga sem julgar.

Note-se que aqui novamente há uma diferença entre “Julgar” e “julgar”.

O “julgamento” se refere a coisas terrenas e toscas como julgamentos de valor, ou deduzir o certo e o errado a partir de nossa própria experiência de vida, ou dos raciocínios de filósofos morais.

Já o “Julgamento” se refere a coisas mais místicas, deduzindo o certo e o errado, ou a inexistência deles, ou o que quer que seja, não a partir de nós e de nossa experiência pessoal, mas sim do acesso a uma força irradiadora onipresente e universal, chamada Justiça, sobre a qual falaremos mais adiante.

 

 

Pelo Julgamento sem julgar nasce o Agir sem Jurar. Justo.

Isso é, pelo ato de Julgarmos a partir do acesso à energia da Justiça, e não do uso de nossas próprias experiências limitadas, nasce que começamos a Agir sem Jurar, o que é um Agir Justo, ou Justo Agir, livre de Juramentos.

 

 

Juramento é uma Jura. Imposição perante a justiça do nosso senhor Sango (`´).

Xangô foi escrito como Sango com dois acentos – uma crase e um assento regular, como mostrado acima, ambos por cima do “o”. Como um “^”, mas de cabeça para baixo.

 

 

Como Ogum jurou destruí-lo pela Injustiça.

Há um mito Yorubá que diz que Xangô, movido pelo desejo por Oxum, à época esposa de Ogum e rei da tribo onde o mesmo vivia, o enviou a diversas missões suicidas, na esperança de que morresse.

Ogum, porém, percebeu o que se passava, e se voltou contra seu Rei, que não conseguiu vencer o guerreiro que foi vindo em sua geração, e contra quem nenhuma de suas armas ou poderes funcionava.

Xangô teria então fugido da vila e se jogado em um rio, se tornando assim Orixá.

 

 

Toda Jura é uma força semelhante à justiça que pode se opor à justiça do senhor. Um raio do ser que se opõe à justiça divina e impede o julgamento – pois cala a justiça.

“Raio” aqui diz respeito a Irradiação, dando a entender que, ao jurarmos algo (ou simplesmente agirmos conforme nossos julgamentos terrenos, pois isso seria uma forma de Jura), estamos de alguma forma irradiando, de dentro de nós, uma força de natureza semelhante à da força chamada “Justiça”, e que consegue impedi-la ou bloqueá-la.

 

 

Pela Jura, o mal é feito sem punição e a injustiça destrói o mundo.

Essa é a explicação do porquê o Karma (positivo ou negativo) não é um mecanismo imediato ou sequer parece sempre vir na exata mesma medida, sendo também uma explicação do porquê a Justiça Divina não age imediatamente contra gente má e perversa.

Simplesmente existe uma força, emitida pela própria pessoa, que a bloqueia – fazendo com que ela só sofra os frutos de suas ações, sejam boas ou más, as vezes muito depois de tê-las realizado.

 

 

Pois os deuses não estão sob a luz inesgotável da justiça quando juram.

“Deuses” aqui diz respeito a seres humanos quando em uso de suas qualidades divinas, de suas capacidades de alterar os fluxos divinos e forças divinas do mundo.

 

 

Estão fora da luz cósmica, em um fosso de treva sem luz, sem nada, sem justiça. Mas a Jura consome o espírito, pois o espírito é a fonte da Jura, e se o espírito não tem a luz da Justiça, a Jura o consome.

A ideia parece ser de que o poder para “Jurar”, isso é, se opor à justiça divina, nasce do espírito da pessoa – que nesse caso intuí ter algo a ver com sua força de espírito, com aquela força que sentimos ao “tomar a vida em nossas mãos” por meio do intelecto e decidirmos “moldar nosso próprio futuro” por meio de nossos desejos e ambições, ao invés de entendermos essas frases como convites para agirmos segundo nossas essências, de forma espontânea e intuitiva.

Quando “tomamos o mundo pelo cangote” usando para isso a força interna de nosso espírito, de nossa determinação, geralmente acompanhada de sentimentos negativos, fazemos uma Jura – que consumirá essa mesma determinação.

 

Com isso ele se revolta e desgraça a si mesmo até deixar de ser.

A frustração vinda de nos colocarmos fora do contato com a força da Justiça, o que nos empobrece e na verdade dificulta que alcancemos o que desejamos (como veremos mais adiante), gera uma série de reações dentro do dito “espírito”, isso é, da determinação e força de agir em direção ao que se quer, que acaba não só sendo consumido pela sua Jura, como também por sua própria ambição, frustração, raiva e birra.

Por fim, o espírito (determinação) morre – é destruído pela própria pessoa, tanto por conta de ser desnutrido pela necessidade de alimentar a Jura, quanto pela raiva e outras reações que a própria pessoa gera contra ele.

 

 

Ao morrer perante sua Jura, o espírito vive perante si e a justiça divina novamente.

Ao morrer perante sua Jura, isso é, ao ser destruída por ela, a determinação de uma pessoa passa novamente a existir, vinda de dentro de si, para si mesma e para o cumprimento da Justiça Divina.

 

 

A Justiça Divina pode ser usada para abastecer uma Jura Livre, e assim o ser forma uma união sagrada com deus, jurando a si e sendo feliz.

“Jura Livre” aqui pode ser entendido como “Jura Livre de Jura”, isso é, um juramento feito a si mesmo ou outrem, mas livre do peso da Determinação e do julgamento associados ao agir sem o Julgamento – sem canalizar a força da Justiça.

 

 

Perante a Jura Divina, o ser acha felicidade e amor, pois a justiça divina ama seu amor e ele se mantêm protegido da tentação de deixar de ser Justo e estar na Justiça.

Jura Divina aqui diz respeito ao mesmo que “Jura Livre” – um juramento (“eu juro que xxxx, yyyy”) feito enquanto se canaliza a Justiça Divina, significando um juramento divino, e não uma Jura no sentido usado anteriormente, de uma ação advinda de julgamentos mentais, normalmente baseados em preconceitos ou desejos, que é reforçada com Determinação para evitar que a Justiça Divina se manifeste.

 

 

A Jura é ferramenta divina da Justiça cósmica para ajudar o pobre mortal a evitar a dor de se entregar aos desejos injustos ou verdades erradas.

Quando falamos de Jura aqui, voltamos a falar da Jura Livre ou Jura Divina. Que tem dentre suas características a de que, estando em contato com a Justiça Divina, mesmo que se diga eterna, será liberada no tempo certo – pois a Justiça Divina, como veremos mais adiante, lida com o Tempo Certo para as coisas acontecerem.

Desejos injustos está ligado a qualquer desejo que seja injusto – cuja realização vá contra a Justiça Divina.

Verdade errada diz respeito a qualquer verdade que, em sua essência, seja errada – isso é, uma verdade que, por exemplo, omita partes importantes ou leve a pessoa ao erro. Dizem que o diabo leva os homens ao erro só com verdades. Esse é o sentido pretendido aqui – de uma Verdade parcial, que leva ao erro.

 

 

Assim é que um voto é uma Jura, e que se Jura castidade, amor e outros.

Aqui o sentido de “voto” é o de “voto de castidade/pobreza/etc”.

“Jura” aqui pode estar em ambos os sentidos – há votos que são mal feitos, feitos por julgamentos e determinação. São Juras más.

E há votos que são bem feitos, feitos por Julgamento e com a canalização da Justiça. São Juras Livres e ajudam a pessoa, por um mecanismo intelectual/moral (“eu fiz um voto de castidade e por isso não posso me envolver sexualmente”, por exemplo), a se manter em contato com a Justiça Divina, evitando ser levado distante dela por conta de julgamentos que o afastassem da mesma.

Lembrando que os votos, se bem feitos, possuem data de validade – quando for a Hora Certa de terminarem, serão desfeitos.

 

 

Mas havemos que jurar correto para jurar justo e sermos verdadeiramente justos, belos, vivos e bons amantes ao mundo.

Aquele que se mantêm em Julgamento e em contato com a Justiça enquanto Irradiação toma a posição de um Amante do mundo – uma pessoa cuja Essência se liga a todas as Formas das coisas, havendo um intercâmbio entre o que ele é em seu Mais Íntimo e o que o mundo é em sua Realidade Inefável.

Assim como a carta d´Os Amantes do Tarot.

 

 

Justos, somos senhores de nós mesmos, pois é a irradiação da Justiça Divina que nos dá o benefício do senhorio de nós mesmos pela forma dos méritos.

Lembrando o texto da semana passada, todos os seres iniciam a evolução espiritual possuindo todos os corpos coletivos – em enormes mônadas.

Somente iniciam sua individuação e ganham corpos individuais por meio de seu mérito pessoal, em um sistema de ordem e justiça que advém dessa irradiação chamada Justiça Divina.

Dessa forma, todo ser deve sua Individualidade e seu direito a ser Senhor de Si a esse mesmo sistema, pois que, sem ele, o ser não seria individual (a menos que de alguma forma conseguisse fazer isso sem a irradiação da Justiça – o que é impossível a menos que estejamos falando de algum ser muito absurdamente poderoso, e veremos mais adiante porquê).

 

 

Sem Justiça, não somos mais senhores de nós mesmos, pois não somos mais garantidos o senhorio do mérito perante nós. Da individualidade que conquistamos e do mundo que alcançamos.

Lembrando que aqueles que agem na base da Jura Má, isso é, do julgamento sem Justiça, de se deixarem levar por seus pensamentos e intelecto, ficam desprovidos da presença da Justiça Divina em suas vidas, por conta de sua própria ação contra ela – como um imã poderoso pode afastar de si campos magnéticos mais fracos, mas muito mais amplos que o dele – como o campo magnético do planeta em que está, por exemplo.

Isso, contudo, possui um efeito devastador – é a Justiça Divina que nos garante nossa Individualidade e nosso Senhorio por sobre nós mesmos – isso é, nossa Liberdade.

É por meio do uso de sua força que os conquistamos e, para resistir a ataques contra eles, ou usamos sua força, que é infinita, ou somos obrigados a resistir às investidas alheias por meio da nossa Determinação pura, que então começa a ser desbastada e destruída, nos levando ao processo de destruição e auto-destruição mencionado mais cedo.

É por isso que aqueles que agem em consonância com o Julgamento, isso é, com a Justiça Divina, sempre possuem vivacidade e estão livres do assalto de vibrações negativas que não sejam direcionadas especificamente a elas, a menos que isso seja da determinação dessa mesma Justiça Divina – enquanto os demais viram “esponjas de miasma” ambulantes, totalmente à mercê da Lei da Afinidade, tendo de resistir por conta própria aos mesmos.

Claro, isso não impede que alguém use Determinação, ou sua Força de Vontade, para gerar uma Injustiça a alguém, mesmo que essa pessoa seja protegida da Justiça Divina.

Mas é muito mais fácil se defender das investidas de alguém que possui apenas sua Determinação a seu lado, quando podemos contar com uma fonte inesgotável de energia divina, a Justiça Divina, para nos defendermos nesses casos – de onde que demandas injustas exigem muito sacrifício e força de vontade, seja a entidades baixas ou tronos negativos dos orixás, mas podem ser quebradas facilmente por qualquer entidade com um pouco de afinidade a Xangô.

 

 

Assim as forças fundamentais consomem antes da hora tudo, esgotando e empobrecendo.

Dizendo respeito à quando estamos agindo por meio de Jura Má.

 

 

Vishnu é o senhor da riqueza e do julgamento. É ele que mantêm as coisas e define o que é a “hora” de tudo acontecer. É disso que vem a estabilidade que gera a prosperidade, Lakishimini.

Vishnu e Lakishimini são um casal (deus e deusa) da mitologia hindu.

Vishnu é responsável por receber todas as coisas Criadas do Criador (Brahman) e as sustentar no mundo até a hora de sua Destruição por meio do Destruidor (Shiva).

Ele e sua esposa, Lakishimini, além de serem os patronos da raça humana, também são os senhores da prosperidade e do prazer em todos os níveis, incluindo o material.

E aqui vale uma nota – ainda que Shiva seja o senhor do sexo e da sexualidade, é também o senhor dos Yogis. O seu sexo é ritual e meditativo, consciente, muito diferente do sexo feito por prazer ou brincadeira.

Sexo por prazer é coisa de Vishnu. Sexo para elevar a alma e alcançar a iluminação é coisa de Shiva.

 

 

Manutenção é justiça. Justiça é prosperidade e individualidade. Sem justiça não há prosperidade nem individualidade. Tudo nasce e morre imediatamente, levado e esgotado pela força do mundo inferior que cria a falta de tudo.

Manutenção aqui diz respeito à metáfora usada no tópico anterior, falando de Vishnu.

O sentido geral é o de que qualquer coisa que exista no mundo, para continuar existindo entre os períodos de sua Criação e sua Destruição, isso é, em seu período de Manutenção, necessita da força da Irradiação chamada Justiça.

Sem ela, as coisas são Criadas e Destruídas em sucessão, imediatamente, sem terem chance de Existir por qualquer Período de Tempo – pois é essa irradiação chamada Justiça que determina o Tempo de Existência das coisas, incluindo nosso Senhorio por sobre nós mesmos e nossa Individualidade.

Sem essa força, necessitamos de usar a força da Jura para manter qualquer coisa que tenha sido criada, impedindo sua destruição pelo mundo inferior – porém, como vimos, essa força é limitada e eventualmente nós mesmos nos esgotamos no processo de tentar manter as coisas além de seu período de vida determinado pela irradiação chamada Justiça.

Para podermos sobreviver totalmente sem Justiça, não só nos mantendo como ainda nos tornando seres mais poderosos, seria necessário que obtivéssemos formas de nos alimentar de energias similares, expandindo nossa Determinação de forma indefinida – mas como alimentar nossa Determinação sem, dessa maneira, usar de técnicas e meios que não só são temporários e requerem contínua manutenção (tipo vampirismo), como ainda impedem nossa evolução espiritual ?

E mais – como vimos, toda forma de Estabilidade (e nesse ponto é bom lembrar que Xangô é o senhor das pedreiras – das montanhas, da estabilidade) e Prosperidade deriva da irradiação chamada Justiça.

Nesse sentido, só podemos ter Prosperidade sem ter Justiça caso empenhemos nossos “espíritos” (Determinação) no acúmulo dos bens materiais – o que vem ao custo de nos auto-destruirmos e nos auto-odiarmos.

Como dito em um tópico passado, para termos verdadeira Prosperidade, Individualidade e Senhorio de Si (ou até mesmo Coletividade e Servidão, acredito, pois estão também sob essa Irradiação), aqueles de que podemos Gozar, é imprescindível que estejamos na Irradiação chamada Justiça.

De outra maneira, o puro esforço para tentarmos ter qualquer dessas coisas simplesmente não vale a pena a fruição do prazer que trazem.

 

 

Se desejas prosperidade, desejas justiça. É o único meio.

Amor e Paz.

 

Texto completo :

 

Não aja nas certezas.

Não deixe de agir nas dúvidas.

Investigue sempre.

Julgamento é parte da vida. Julgue. Mas julgue direito. Julgue sem agir, preserve seu julgamento longe da sua visão de justiça e do mundo. Justiça não é julgamento.

Julgamento é o instrumento do Agir. O meio pelo qual o intelecto auxilio o espírito.

Toda incerteza é indecisão. Toda indecisão é não-aceitação e dúvida. Toda dúvida gera hesitação.

Os deuses da justiça Julgam. Mas não são justiça. Justiça é uma Irradiação.

Os deuses da justiça ensinam a canalizar a justiça pela mente limpa e beleza universal.

Os deuses da justiça ensinam a abandonar o julgamento, e por isso permitem Julgar e Mudar com Justiça – pois são senhores da Justiça e verdade universais que tudo de bom fazem. É assim que se Julga sem julgar.

Pelo Julgamento sem julgar nasce o Agir sem Jurar. Justo.

Juramento é uma Jura. Imposição perante a justiça do nosso senhor Sango (`´).

Como Ogum jurou destruí-lo pela Injustiça.

Toda Jura é uma força semelhante à justiça que pode se opor à justiça do senhor. Um raio do ser que se opõe à justiça divina e impede o julgamento – pois cala a justiça.

Pela Jura, o mal é feito sem punição e a injustiça destrói o mundo.

Pois os deuses não estão sob a luz inesgotável da justiça quando juram.

Estão fora da luz cósmica, em um fosso de treva sem luz, sem nada, sem justiça. Mas a Jura consome o espírito, pois o espírito é a fonte da Jura, e se o espírito não tem a luz da Justiça, a Jura o consome.

Com isso ele se revolta e desgraça a si mesmo até deixar de ser.

Ao morrer perante sua Jura, o espírito vive perante si e a justiça divina novamente.

A Justiça Divina pode ser usada para abastecer uma Jura Livre, e assim o ser forma uma união sagrada com deus, jurando a si e sendo feliz.

Perante a Jura Divina, o ser acha felicidade e amor, pois a justiça divina ama seu amor e ele se mantêm protegido da tentação de deixar de ser Justo e estar na Justiça.

A Jura é ferramenta divina da Justiça cósmica para ajudar o pobre mortal a evitar a dor de se entregar aos desejos injustos ou verdades erradas.

Assim é que um voto é uma Jura, e que se Jura castidade, amor e outros.

Mas havemos que jurar correto para jurar justo e sermos verdadeiramente justos, belos, vivos e bons amantes ao mundo.

Justos, somos senhores de nós mesmos, pois é a irradiação da Justiça Divina que nos dá o benefício do senhorio de nós mesmos pela forma dos méritos.

Sem Justiça, não somos mais senhores de nós mesmos, pois não somos mais garantidos o senhorio do mérito perante nós. Da individualidade que conquistamos e do mundo que alcançamos.

Assim as forças fundamentais consomem antes da hora tudo, esgotando e empobrecendo.

Vishnu é o senhor da riqueza e do julgamento. É ele que mantêm as coisas e define o que é a “hora” de tudo acontecer. É disso que vem a estabilidade que gera a prosperidade, Lakishimini.

Manutenção é justiça. Justiça é prosperidade e individualidade. Sem justiça não há prosperidade nem individualidade. Tudo nasce e morre imediatamente, levado e esgotado pela força do mundo inferior que cria a falta de tudo.

Se desejas prosperidade, desejas justiça. É o único meio.

Amor e Paz.

 

Assinatura de Arluz:

 

Arluz

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2 Comentários

  1. Simplesmente fantástico. Tenho aprendido um pouco a cada dia aqui. Tudo muito novo pra mim, mas a admiração por esses textos e sua profundidade só aumentam! Obrigado por compartilharem tantas informações preciosas!

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