Um Banimento Germânico

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Algo comum na magia prática e em certas linhas pagãs porém muitas vezes negligenciado no paganismo germânico é o ritual de banimento. Com a função de abrir trabalhos, gerar uma fonte de energias e criar barreiras de proteção, entre os mais famosos praticados hoje em outras linhas magísticas podemos citar o “Ritual Menor do Pentagrama” do hermetismo (base para muitos outros) e o “Rubi-Estrela” de Aleister Crowley. Apresentarei aqui o banimento que eu utilizo em meus rituais dentro da egrégora, elaborado a partir do “Ritual do Martelo” proposto pelo autor Edred Thorsson.

Imagem Destacada: Jerome/Yggdrasill

Existem críticas no meio pagão a rituais de banimento/abertura que sigam princípios de magia prática e certos autores proponham metodologias que afirmam serem “reconstruções que buscam um espírito autêntico”. É importante observar que este tipo de rito tende a ser apenas exotérico, pouquíssimo eficazes em termos magísticos – e portanto, não são indicados para rituais onde será trabalhado com magia ou especialmente práticas xamânicas. Como rituais originais estão praticamente perdidos para sempre, foi necessário usar um conhecimento magístico prático para elaborar um banimento realmente eficaz para este tipo de trabalho.

Para a realização do ritual aqui proposto, recomenda-se que o praticante esteja familiarizado com estados de transe (ou “gnosis“) e com visualização. Façam cada etapa com calma e foco, não tenham medo de demorar para realizar o banimento no começo; normalmente, quanto mais praticado mais rápido ele se torna.

 

1. Volta do para o norte, faça respirações profundas e entre em concentração profunda. Usando uma adaga, bastão, ou o dedo, trace um círculo luminoso azulado na altura de seu peito em sentido horário, envolvendo todo o espaço da prática. Veja como se ele “cortasse” a área da realidade comum para criar um contato mais intenso com o espiritual.

2.  Novamente em sentido horário e começando pelo norte, trace um círculo de runas feitas de luz vermelha externo à barreira azul, usando o alfabeto que preferir (a maioria usa o elder, embora o younger ou qualquer outro que seja trabalhado na prática possa ser utilizado). Para facilitar este passo, alguns gostam de entoar o nome da runa enquanto ela é traçada. Tanto as runas quanto o círculo azul criam as proteções primárias para o local

hammer3. Agora, em cada ponto cardeal (novamente, começando pelo norte e girando em sentido horário), trace o símbolo do Mjöllnir em luz vermelha na área externa às runas seguindo a movimentação da imagem ao lado. Enquanto o faz, repita “Mjöllnir ao norte, torne este local sagrado e protegido” – repetindo a cada gesto, com o ponto cardeal correspondente. Baseado no martelo de Þórr, o símbolo manterá o local energizado internamente enquanto gera uma proteção externa.

1024px-Broken_crossed_circle.svg[1]4. Voltado para baixo, trace uma fylfot (imagem ao lado) em luz dourada enquanto diz “Fylfot abaixo, torne este local sagrado e protegido” e então repita visualizando o símbolo “acima”. Trata-se um símbolo solar e de energia dinâmica, que além de fechar a área irá garantir a movimentação de energias.

5. Com os pés juntos e os braços erguidos afastados (como uma “árvore”), visualize uma energia multicolorida (se precisar de uma referência, pode usar a aurora polar) que vem do alto da Yggdrasill e se afunila até você enquanto diz “acima de mim/nós, Ásgarðr”. Então, imagine a energia atravessando-o e entrando fundo na terra enquanto se expande novamente, e diga “abaixo de mim/nós, Helheimr”.

6. Ainda na postura de “árvore”, visualize um pilar de luz dourada se formando envolvendo toda a área do ritual e diga “à minha volta, Miðgarðr. Pois aqui, o Tronco se ergue”. Com isto, o banimento está completo e o local apropriadamente embarreirado, pronto para trabalhos magísticos e xamânicos.

 

Para encerrar os trabalhos e desfazer o ritual, abra seus braços na direção de cada símbolo e respire fundo enquanto junta as mãos em seu peito, visualizando o símbolo “retornando” até você. Comece pelos dois “acima” e “abaixo”, e então os Mjöllnir – começando pelo oeste e seguindo em sentido anti-horário, terminando no norte. Para as runas, as reúna girando em sentido anti-horário e ceda-as à Yggdrasill, como uma forma de retornar a energia puxada.

Pratiquem cuidadosamente o banimento, inclusive como uma forma de exercício envolvendo visualização e manipulação de energias. É importante que durante todo o trabalho realizado a estrutura completa resultante do ritual seja visualizada fortemente. Quaisquer dúvidas, deixem nos comentários que serão respondidas.

Sjáumst bráðlega!

-Ravn

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