Sete erros comuns de iniciantes (e avançados) em magia.

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Esse post é original do excelente blog Ultraculture. A tradução livre é, na minha opinião, um excelente orientador. Eu mesmo caí em todos esses erros, e para evitar que mais pessoas consigam perder um valioso tempo de vida, a leitura vale muito. Eu havia postado no meu antigo blog, e relendo vi que continua atual.

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Todos os dias várias pessoas entram nesse nebuloso mundo, e várias vão embora e abraçam qualquer outra coisa que não seja tão complicada e perigosa. Infelizmente magia é uma arte cheia de complicações, farsantes, ladrões, charlatães, e todo tipo de pessoa enganadora querendo um dinheiro fácil. Também temos o problema de fontes confiáveis, não há uma universidade, um centro de referência, e ao contrário do que muitos acreditam, magia não é ciência é ARTE, então fica muito difícil algum padrão a ser seguido, ou, novamente, fontes confiáveis. Alguém disse alguma vez que existem mais livros e artigos de magia do que artigos científicos, sinceramente eu acredito, praticamente qualquer um pode ter uma experiência e querer passar isso como a última descoberta mágica solucionadora de todos os problemas. Se já é difícil para os loucos que estão nessa faz tempo, imagina para iniciante.

Para tentar dar alguma ajuda realizei a tradução de um texto do excelente blog ultraculture.org, quem interessar-se pode acessar o original aqui.

Gostaria de lembrar que não sou um tradutor profissional, sejam gentis nos comentários.

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Magia é um hobby estranho. Se você é como eu, entrou nessa por algum dos seguintes motivos: você quer entender o universo e seu lugar nele. Quer responder as questões da vida, do universo e tudo mais – não só uma fé de segunda mão, baseada nas proclamações de terceiros. Você desejou um elevado senso de dignidade, integridade e poder para atingir os objetivos mais importantes para sua vida. E – mais que tudo – quer encantamento. Quer viver uma vida encantada – uma em que você possa viver mergulhado em maravilhas e mistérios, experimentando uma intensidade que pessoas, presas em frente de seus celulares e televisão, nunca terão. Você deseja a realidade ampliada, ou até questionar a realidade em si.

Então, por alguma dessas razões, ou outras, você deu entrada no círculo da magia. Está gastando bastante tempo em sites de ocultismo, ou visitando livrarias new age. Provavelmente comprou um ou dois livros de prática, e treinou os exercícios. Provavelmente iniciou em alguma sociedade, como a Maçonaria, ou um Coven, ou até mesmo um pequeno grupo de estudos. Naturalmente buscou e encontrou outros como você em sua comunidade.

Enquanto faz isso você livra-se lentamente da consciência usual, aquela criada pelo ritual diário da comunidade. Trabalho/escola – consumo – televisão. E você estará em um novo estado de consciência, um definido por ideias mágicas, potencial pessoal, despertar, nova dinâmica de grupo, modos de vida alternativos. Comumente encontra-se um novo mundo de ideias inspiradoras, e também, infelizmente, um monte de ideias e crenças desapontadoras e nada inspiradoras.

Existe um meio útil de pensar sobre isso: A grande sociedade (Mainstream) é um programa desenvolvido para funcionar da melhor maneira possível, para o maior número possível de pessoas. Geralmente dizendo o que é bom, que as pessoas descentes são as que são felizes vivendo em silêncio, o que é felicidade, e que contentar-se com as vitórias em suas carreiras, famílias, saúde, felicidade é tudo de bom, melhor ainda é fazer isso sempre.

Fora da grande sociedade, comumente, você encontrará uma nova e diferente realidade – “as terras selvagens” da civilização moderna. São aqueles, que por algum motivo, não se sentem felizes e satisfeitos pela realidade usual. Pode ser essa a causa de estarem “fora da curva”. Isso faz as “terras-selvagens” um lindo e perigoso local. É aqui que a sociedade joga as ideias que são muito perturbadoras ou destrutivas para suas atividades diárias. As ideias estranhas, as ideias desacreditadas, as não testadas, e as ideias possivelmente libertadoras.

Magicka é uma dessas ideias – ou ainda um monte de ideias. A maioria delas são realmente legais, e muitas são lixo. Sejamos claros. Entrar em magia é estar próximo do lixo da sociedade, olhando por algo de valor. Glamuroso não? Lembre-se: alquimia e a arte de transformar merda em ouro. A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra fundamental…”

Então, se você está por ai buscando ouro, permita-me guia-lo pelo território, e você poderá evitar os sete grandes erros que são cometidos quando aprende-se magia ( Eu cometi todos!!!)

  1. OBJETIVOS FRACOS E INDEFINIDOS.

O que você quer?

É uma pergunta simples, mas a grande maioria dos magos e espiritualistas nunca a perguntou, ou nunca definiu a resposta. Como consequência eles ficam presos em luzes piscantes das Máquinas de Pinball New Age, ficam sendo lançadas entre experiências, grupos e professores, nunca se encontram ou nunca possuem seus próprios experimentos e direções.

Essa é a grande pergunta: O que você quer? Você quer um grande poder e habilidade criativa? Quer acabar com um trauma ou desafio pessoal? Está desejando largar tudo e buscar iluminação? O quer que seja, defina isso agora, e veja (analise) se a magia é realmente a respostam, ou se os meios mundanos são mais fáceis. Seja claro, ou corre o risco de ser atraído pelo glamour da magia, esquecendo-se que ela é “apenas uma ferramenta”, apenas uma das possibilidades.

  1. Manter-se raso. (Não aprofundar-se).

Magicka é uma grande mesa de buffet. Graças à internet, você encontrará material sobre todas as crenças e esoterismos, tudo pronto para leitura. Hermetismo/Golen Dawn/Thelema; Yoga; Vedanta; Budismo Vajrayana; PNL… A lista é limitada apenas pela demanda de mercado new age, e sempre há uma nova tendência. Há apenas 100 anos atrás, em alguns casos décadas, todos esses assuntos eram extremamente difíceis de ter acesso. Não era possível apenas ir à uma livraria ou clicar na Amazon e obter tudo pronto. Em todo caso, assim que descobrir a entrada de um caminho, você poderá encontrar um professor que explicará que o caminho é aprendido durante toda uma vida.

Isso coloca os seguidores modernos em uma posição única, temos grande acesso ao caminho, mas não nos comprometemos com ele. Na maioria das vezes os estudantes ficam indo e vindo em várias fontes, lendo uma grande variedade de caminhos, ou entrando em diversos grupos em sequencia. Isso pode ser um ótimo jeito de aprender-se rapidamente, mas infelizmente, se a mesa de buffet e sua variedade, toma o lugar do estudo profundo de um caminho, você para de progredir, anda em círculos.

Você só vai até um limite em de sua zona de conforto em determinado caminho, logo após você escolhe outro, nunca salta para o desconhecido, não dá o principal passo. E ironicamente isso tona mais tempo do que seguir um caminho até o fim

De qualquer maneira, se você for à direção completamente oposta, e tornar-se um “Zelator”, você cairá no 3º erro.

  1. Acreditar que só há um caminho verdadeiro.

Depois de experimentar as coisas boas e construtivas de um sistema, é comum generalizar. Isso é incrível… Todo mundo deve viver isso.

Se não for cuidadoso, em breve será um missionário, falando sem parar do que você experimentou, tentando trazer seus amigos ou família para a prática causadora da grande mudança em você, em casos mais graves de “intoxicação” pensará que encontrou O ÚNICO CAMINHO VERDADEIRO, e todos os outros são falsos, ideias vãs e ilusórias.

As pessoas podem ter essa febre durante dias, semanas, anos – até mesmo toda uma vida. Isso tende a bloquear o caminho. É um comportamento clássico de pessoas sem noção de identidade. Bem no fundo elas sentem que são inferiores ou menores que os outros, então se focam em um consumo desenfreado de ideologia ou em um líder carismático, de onde tiram força e autoestima servindo. Parece uma armadilha óbvia, uma que você nunca cairá, mas pense bem. O GRANDE E ÚNICO CAMINHO VERDADEIRO é uma doença responsável por grandes tragédias na história, inclusive o Terceiro Reich, cometidos pelos dedicados missionários, trabalhando a “conversão pela espada.”

Se o seu caminho é a única verdade, é hora de sair do quarto e deixar sua cidadezinha, experimentar o que a vida oferece às pessoas com crenças diferentes e vidas diferentes. Faça novos amigos.

  1. O pensamento de “NÓS CONTRA ELES.”

A maioria das pessoas pratica magia por sua forma alternativa de espiritualidade, isso reforça um pensamento de minoria e opressão, acabando por formar uma mentalidade revanchista de “nós contra eles”. Isso é reforçado, principalmente, quando a magicka praticada não melhora a vida dessa pessoa e não funciona exatamente da maneira que ela deseja. Não há uma melhora de qualidade de vida e os objetivos não são alcançados,  pelo menos não em plenitude. Tudo isso faz o estudante acreditar que alguém ou algum grupo está atrapalhando.

A aceitação da falha e a delegação da culpa nos outros, acaba por espalhar-se e cruza uma linha, tornam-se as grandes conspirações, potentes o suficiente para contaminar toda uma cultura, causando enfraquecimento, miséria e, de vez em quando, genocídio. (Novamente Terceiro Reich.) Alguns exemplos:

Os Illuminatti querem me pegar, pois eu tenho o conhecimento secreto.

Metamorfos repitilianos/Archos/espíritos ruins/Satan/etc. controlam a realidade e não gostam de mim.

Eu sou um Guerreiro da Luz encarregado de lutar contra as Trevas, e as Trevas estão no comando.

Você acredita em algo parecido? Dê uma olhada neles –  qual a mensagem nas entrelinhas de cada um? Significância pessoal. Eu, eu, eu. Todas elas justificam uma falha por que você é especial. Todas te permitem ser um completo idiota e causam uma falsa impressão de vitória.

Todas são venenos. Apague-as imediatamente, e foque em seu crescimento pessoal e alegria, e também em como ajudar pessoas a sua volta.

  1. Abuso de substâncias.

Drogas e Magicka estão ligadas desde que shamans pré-históricos consumiram algum fungo que os permitia falar com os espíritos da floresta, e eles tinham coisas importantes para dizer.

Recentemente magos como: Aleister Crowley, William S. Burrowghs, Terrence Mackenna, Carlos Castaneda, e outros revelaram o potencial e poder espiritual de psicodélicos e até coisas mais pesadas. Alguns deles acabaram caindo no vício, e arcaram com todos os problemas consequentes da doença do vício. Essa é uma das principais razões do descrédito da magia – permite as pessoas dizerem: “Claro! Mas você estava doidão!”, ou acreditar que o comportamento de viciado, como o do Crowley, é por causa de Magicka e não por causa de um vício em si.

As drogas são o caminho mais rápido para os estados alterados de consciência, mas não é um caminho sustentável. Nos tempos atuais – crise econômica, instabilidade e incerteza – eu acredito que os magos  não possuem o tempo e a luxúria para uso de drogas. Temos de ser claros e concisos – Fuzileiros Navais, não doidões! Lembre-se que a geração Baby Boomer pôde gastar décadas em drogas porque eram ricos, uma das gerações com maior estabilidade financeira da história. A realidade mundial é um fogo cruzado, uma zona de guerra, e você não quer ficar desorientado em uma zona de guerra. (NÃO É UMA GUERRA DE “NÓS CONTRA ELES.” É cada um por si, todos tentando sobreviver aos desejos criados pelo acelerado crescimento tecnológico e crescimento da população mundial.)

  1. Tentar ser “Melhor Mago”, ao invés de “Melhor Pessoa.”

Quando temos muita informação dentro da magia, as pessoas tentam aprender cada um dos aspectos da magia e tornar-se um TOTAL MESTRE FORMIDÁVEL. Não há mestre, deixe esse arquétipo nos desenhos animados, eles ficam bem lá. Lembre-se: Magicka é só uma ferramenta. Saiba seu objetivo, e use a ferramenta para chegar lá.

É claro que não precisa ser tão linear: você pode estar apenas seguindo ou perseguindo, o básico: sustentável crescimento espiritual que vem junto com a prática meditativa, dreamwork, yoga, ritual ou outra ferramenta que você deseje usar. Lindo!

A chave é: Não há uma competição. Não há um prêmio, nada mais do que ser mais você.

  1. Entregar o seu poder pessoal.

Principalmente se for jovem e inexperiente, você será confrontado por pessoas que o tentarão a entregar o seu poder. Pode ser um guru tirânico, uma ordem dogmática, ou apenas uma pequena ideologia controladora, você poderá ser tentado, ou até mesmo forçado a entregar o controle de sua vida em troca de uma recompensa, existente ou não.

Se fizer isso, prepare-se para um aprendizado extremamente doloroso!

É muito fácil se esquecer de que você é um verdadeiro mago, o verdadeiro mestre de sua realidade. Para explicar melhor, eu gostaria de contar uma história do autor John Fowles, que acendeu meu interesse adolescente pela natureza da realidade. É um trecho de uma novela de 1065, The Magus:

Era uma vez um jovem príncipe que acreditava em todas as coisas que lhe diziam. Ele não acreditava em princesas, ele não acreditava em ilhas, não acreditava em Deus. O seu pai, o Rei, disse a ele que essas coisas não existiam. E não havia princesas ou ilhas nos domínios de seu pai, e não havia sinal de Deus, e o príncipe acreditava em seu pai.

Mas, um dia, o príncipe fugiu do seu palácio e foi para as terras vizinhas. Lá, para seu espanto, em todas as costas ele viu ilhas, e nessas ilhas havia estranhas criaturas que ele não sabia o nome. Ele procurava por um bote, um homem com um vestido noturno aproximou-se dele.

“Essas são ilhas reais?” perguntou o jovem príncipe.

“Claro que são ilhas reais,” disse o homem de vestido noturno.

“Todas essas criaturas estranhas e barulhentas?”

“São todas genuínas e autênticas, majestade!”

“Então Deus também deve existir” enganou-se o príncipe.

“Eu sou Deus,” respondeu o homem de vestido noturno e com um arco.

O jovem príncipe retornou correndo para seu reino.

“Então você voltou,” disse seu pai, o Rei.

“Eu vi ilhas, eu vi princesas, eu vi Deus;” disse o príncipe enfrentando o seu pai.

O Rei não se emocionou.

“Nem ilhas reais, nem princesas reais, muito menos um Deus verdadeiro, existem.”

“Eu os vi!”

“Diga-me como seu Deus estava vestido?”

“Deus estava com um vestido completo para noite.”

“As mangas de seu casaco estavam arregaçadas para trás?”

O príncipe lembrou-se que estavam. O Rei sorriu.

“Este é um uniforme de um Mago. Você foi enganado.”

Com isso, o príncipe retornou para as terras vizinhas e foi para a mesma costa, e novamente encontrou o homem com seu vestido noturno.

“Meu pai, o Rei, disse-me quem você é,” o príncipe disse indignado. “Você enganou-me antes, mas não agora. Eu sei que essas ilhas não são reais ou princesas reais, pois você é um mago!”

O homem riu.

“Você está enganado jovem. No reino do seu pai existem muitas ilhas e muitas princesas. Mas você está sob o feitiço de seu pai, e não pode ver.”

O príncipe pensativo retornou para casa. Quando viu seu pai, olhou em seus olhos.

“Pai, é verdade que você não é realmente um rei, mas somente um mago?”

O rei sorriu e arregaçou suas mangas para trás.

“Então o homem da outra costa era Deus.”

“O homem da outra costa era outro mago.”

“Eu preciso saber a verdade por detrás da Magia.”

“Não há verdade por detrás da Magia,” disse o Rei.

O príncipe estava completamente louco. Ele disse, “Eu vou matar-me.”

O Rei usou sua magia para a morte aparecer. A morte ficou na porta e acenou para o príncipe. O príncipe estremeceu, lembrou-se das lindas e irreais ilhas e as irreais, mas lindas princesas.

“Muito bem,” ele disse, “Eu posso suportar isso.”

“Viu meu filho,” disse o Rei, “você, também começou, neste momento, a ser um Mago.”

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Meus Respeitos…

 

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