O Conselho de Dumbledore

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No último volume de Harry Potter, temos um diálogo entre o personagem-título e seu falecido professor Alvo Dumbledore ocorrendo em um local etéreo. Confuso, ele questiona se a situação é real ou “apenas coisa de sua cabeça”. A resposta dada pelo mestre mago é um importante conselho sobre a Imaginação e o potencial da Mente, duas coisas que tem sido negligenciadas por muitos aspirantes magistas.

“Naturalmente está acontecendo dentro da sua cabeça, mas por que é que isto deveria significar que não é verdadeiro?” – Alvo Dumbledore

Em certos grupos de discussão de ocultismo tem ocorrido uma super-valorização de percepções sutis, como a capacidade de enxergar o Plano Astral e as energias em movimento. Tanto pessoas que seguem paradigmas muito dependentes destas habilidade quanto outras que entraram em contato com estes conceitos repetem questões como “sem elas, como poderei saber se estou realmente manipulando energias ou se é só a minha imaginação?”, ao ponto de terem surgido jargões como “não existe magia sem mediunidade”. Existem pessoas que chegam ao ponto de pensarem que, por causa de uma suposta inaptidão à desenvolver tais percepções se não tiver nascido com elas (algo característico do dogma de algumas religiões que fazem uso extensivo de mediunidade, mas longe da realidade), nunca poderão avançar em um sistema magístico.

O primeiro ponto que é necessário esclarecer é que mesmo que você seja capaz de ver diretamente os fluxos que estão sendo evocados e aplicados durante um feitiço, a única garantia de que “algo foi feito” que podemos ter é após sua concretização (ou falha dela), quando temos resultados em mãos. O segundo é que a única coisa realmente necessária para avançar na magia é justamente aquilo que estão negligenciando com este pensamento – sua base fundamental, a Imaginação.

A sociedade contemporânea está estruturada de forma a tolher esta característica das pessoas o quanto antes, ao ponto de ser necessário reensiná-la àqueles que querem aprender magia. Por isso, muitos se sentem inseguros em ter que lidar com algo que está acontecendo dentro do campo da Mente, trabalhado pela Imaginação. Precisam de algum tipo de muleta, que possa reafirmá-los que realmente você está conseguindo exercer um trabalho magístico. Porém, isto limita muito o avanço na magia uma vez que todos os seus processos de execução são imaginários; aparatos como Instrumentos e símbolos servem principalmente para nos ajudar a estimular a Imaginação.

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Podemos considerar toda operação magística um trabalho de comunicação, entre o magista e o Universo; a Imaginação é a voz que ele usará para isto, sendo aquilo que pode dar forma às coisas concebidas pela Mente e lançá-las através do Plano Astral. O primeiro passo para que qualquer coisa seja materializada, é que seja possível imaginá-la; do contrário, seus únicos recursos serão apenas aqueles que já possuem forma concreta. Quem necessita de um recurso externo para conseguir realizar esta operação também está bloqueando sua própria capacidade de construção, criando uma limitação grave para que sua Mente e Imaginação projetem sua Vontade.

Os maiores manipuladores da Imaginação são, por natureza, as crianças. Nas mãos delas, uma tampa de panela se torna o escudo do Capitão América e isto será verdadeiro enquanto elas assim quiserem. Existe uma semelhança imensa entre estas brincadeiras da infância e a ritualística, sendo um dos recursos que facilitam que acessemos as energias e vibrações desejadas. Por exemplo, muitos rituais da Via Draconiana envolvem um cálice contendo um líquido vermelho (até água com corante cumpre a função) para atuar como um receptor das energias evocadas; porém, durante o procedimento, o magista deve acreditar com toda a sua convicção que aquilo não é água com corante, mas sim uma poção mágica feita de sangue de dragão com um grande potencial tanto empoderador quanto tóxico. Toda esta simbologia e teatralidade o conecta com a egrégora da Via, e o mantém no estado necessário para prosseguir com o ritual.

Assim, voltamos à questão inicial – como saber se é real ou “apenas a imaginação”? Pensem nos exercícios de visualização, onde além de construir uma imagem mental vocês devem ser capazes de fazê-la afetar seus cinco sentidos. Ao se visualizar uma taça de vinho, é necessário sentir o toque frio do vidro, o cheiro e o sabor da bebida. Esta imagem imaginária é capaz de operar um processo real em seu corpo, aquilo que ela opera já causa uma mudança mesmo que mínima. Isto está ocorrendo porque a energia já está sendo movimentada e focada nesta construção, que no caso da magia obedece a uma linguagem simbólica que reforçará o seu intento.

As nossas Mentes são Universos inteiros em miniatura. Estar dentro deste universo só passou a significar “não ser verdadeiro” quando surgiu o interesse em cortar este potencial. Permita que sua Imaginação voe, carregando consigo sua Vontade. Leve consigo o conselho de Alvo Dumbledore, e jamais limite seu próprio potencial.

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