O Aparato de um Mago – Parte 3

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Depois de discutirmos os Instrumentos mais recorrentes na magia prática (parte 1, parte 2), falaremos agora sobre a questão que tanto bloqueia iniciantes: como deve ser a forma física de um Instrumento? Deve seguir instruções tradicionais porém pouco práticas nos dias atuais? Ou é possível adaptar e usar o potencial de nossas Mentes para dar formas mais diversificadas à eles?

Gandalf: bastão e espada
Gandalf: bastão e espada

Retomando o primeiro post, um dos principais motivos no qual usamos Instrumentos é que eles são excelentes atalhos para determinadas energias e vibrações, além de nos manterem conectados com egrégoras. Além disso, é importante dizer que os Instrumentos são “carregados” a cada utilização – todo ritual em que são usados impregnará suas energias neles; é como se cada trabalho fizesse o objeto ficar “mais poderoso”, pois além de se alinhar cada vez mais com o seu propósito ele também terá traços de cada vibração com que entrou em contato. A minha adaga, por exemplo, começou a adquirir afinidade com um processo de abertura de portais usado na Via Draconiana pela frequência em que a utilizei em minhas práticas LHP.

Muitas vezes, quando consultamos grimórios antigos, encontramos instruções para a confecção de um Instrumento que envolvem data e hora específicos e muito rígidos para colher materiais; na época de Eliphas Levi, por exemplo, bastões deveriam ser colhidos de aveleiras na madrugada da lua cheia que antecedesse o florescimento da árvore usando uma foice especialmente preparada para esta função, e receberiam posteriormente fios e anéis de metais como cobre e zinco (reflexo de associações com o magnetismo, que dominavam o pensamento do período). Na magia cerimonial e em vias religiosas como o candomblé, um grande (e caro) aparato é necessário para a consecução do trabalho, apoiado não apenas na simbologia da egrégora (estabelecendo a conexão entre o que será feito no micro com o macro) como também em séculos ou até milênios de tradição.

Em contrapartida, correntes de pensamento contemporâneas como a magia do caos defendem o oposto – com sua abordagem pesadamente psicológica, o Instrumento seria apenas uma âncora mental e sua forma deveria dialogar unicamente com o subconsciente do operador. Uma faca de cozinha pode ser tão funcional quanto uma espada cerimonial; ela poderia ser substituída por um anel, ou uma simples carta de papel – o importante é a relação estabelecida entre o magista e o objeto.

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Um isqueiro pode dar um bom Instrumento…
Ambas as abordagens estão corretas, e podemos encontrar meio-termo ideal entre ambas. Realmente, uma via religiosa com uma ênfase muito tradicional necessitará de Instrumentos muito elaborados ao mesmo tempo em que podemos usar nossas Mentes para estabelecer o vínculo simbólico que melhor nos convir com um objeto, e muitas instruções contidas em grimório se revelam não apenas obsoletas como desnecessárias sob análise atenta. Porém, também sabemos que muitos materiais naturais (madeiras, metais, pedras…) possuem energias inerentes que podem ser aproveitadas no trabalho magístico, e que símbolos possuem egrégoras próprias que podem reforçar operações quando compreendidos.

Um item feito de madeira, por exemplo o bastão ou mesmo taça, deveria ter sua matéria-prima cuidadosamente selecionada através das correspondências com que seu usuário deseja trabalhar – criando assim um objeto que já possui uma energia alinhada com seu propósito. Caso não seja possível uma seleção tão criteriosa, é possível adicionar cristais e símbolos que reforcem a conexão com a egrégora e o uso que o objeto terá; mesmo assim, é importante se atentar à fatores como a contra-indicação do uso de itens feitos de plástico, pelo material ser um péssimo condutor energético. No caso de adagas e outros itens que remetam à armas brancas, não é preciso que possuam corte caso a função seja unicamente ritualística e simbólica – porém suas lâminas e pontas deveriam ser necessariamente de metal.

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Os quatro Ases do tarot: portais para as energias elementais

Pelo alto grau simbólico em suas lâminas, tarots de cunho iniciático são apontados como bons substitutos para Instrumentos – especialmente usando os quatro ases no lugar dos Quatro Instrumentos. Obviamente, esta abordagem possui a desvantagem de restringir um pouco o magista – ele estaria sem um recipiente para líquidos, por exemplo. Recomenda-se que aqueles que optarem por essa alternativa adquiram um bom domínio de visualização para tirar o melhor proveito do alto potencial das lâminas.

Tendo essas ideias em mente, nunca se esqueçam de fazer experimentações e tentar encontrar novas formas de usar objetos para facilitarem seu trabalho. Some seu conhecimento em torno das correspondências energéticas de materiais com a da simbologia de suas chaves, e encontre assim novas formas de dialogar com ela – muitas vezes descobrindo um Instrumento novo para uma tarefa presente nela. Usando novamente um exemplo pessoal, em meus exercícios com a Via Draconiana acabei descobrindo que uma pedra de obsidiana bruta é um excelente foco para as energias evocadas neles através de testes práticos, onde as propriedades da pedra auxiliaram e seu formato remeteu ao pensamento da egrégora.

Por fim, jamais esqueçam de aplicar uma consagração aos seus Instrumentos, feita de acordo com a metodologia e a egrégora em que será utilizado – já fazendo a função de fazê-lo vibrar no Astral com a função indicada e ativar as propriedades de seus materiais. Tratem-os com cuidado e respeito, e caso seja algo que tenha também um uso cotidiano (como canetas e outros itens de escrita, ou as próprias taças) mantenha-os guardados apenas para uso magístico – lembre-se que você até pode usar um bisturi para passar manteiga no pão, mas não seria adequado. Que seus Instrumentos possuam crescer junto com vocês em suas jornadas!

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