O Aparato de um Mago – Parte 2

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Na primeira parte da série, definimos o que é um Instrumento magístico e nos focamos em dois dos principais do hermetismo, o bastão e a taça. Recapitulando, os quatro principais Instrumentos desta linha são os primeiros a serem lembrados na magia prática ocidental e são influentes mesmo em outras correntes.

Continuando, agora serão discutidas a adaga e o pantáculo. Entenderemos a simbologia por trás destes Instrumentos e suas funções mais comuns dentro da prática.

Imagem Destacada: o protagonista de Rurouni Kenshin com sua espada Sakabatou

Gandalf: quem disse que magos não podem usar espada!?
Gandalf: quem disse que magos não podem usar espada!?

Enquanto o bastão e o caldeirão (conforme vimos, a taça seria uma “versão menor” deste) são facilmente associados com magos, a espada é marcante nas mãos de guerreiros e reis mesmo quando apresenta poderes mágicos. Todas as culturas guerreiras apresentam estes artefatos, que muitas vezes foram forjados por seres sobrenaturais ou divindades. Em muitas épocas eram um item caríssimo e de difícil confecção, restrito a mais rica nobreza; por isso muitas vezes eram nomeadas pelo ferreiro ou por seu portador. Também não era incomum que fossem “encantadas” de alguma forma – temos a presença de símbolos da magia pagã em lâminas mais antigas, e motivos cristãos abençoando as mais recentes.

É impossível não falar sobre a Excalibur dos mitos arthurianos, retirada de uma pedra para marcar o verdadeiro rei, e em algumas versões quebrada em batalha e reforjada ao ser atirada em um lago. Citando algumas dos nórdicos, temos Gram – a espada da dinastia Volsung, cravada em uma árvore por Óðinn e retirada pelo rei Sigmund; e Sumarbrandr, a espada do deus Freyr, cedida como dote à família de sua noiva Gerðr. Os celtas possuíam, entre outras, Caladbolg – dita ser capaz de partir colinas ao meio – e Claíomh Solais, uma arma capaz de derrubar divindades. O Japão possui inúmeras espadas lendárias, muitas delas portadas por samurais históricos e preservadas em museus; porém entre as mais icônicas de sua mitologia está Ame-no-Murakumo-no-Tsurugi (ou Kusanagi-no-Tsurugi), tomada pelo deus Susano-o como espólio após matar uma serpente monstruosa.

As espadas seguem marcantes na ficção contemporânea. Temos inúmeras na mitologia de Tolkien e as feitas de aço valyriano em A Canção de Gelo&Fogo de George Martin; passando pela espada de Godric Gryffindor em Harry Potter e até mesmo os sabres-de-luz de Star Wars. N’As Crônicas Saxônicas de Bernard Cornwell, Uhtred nos descreve toda a mística em torno da confecção de lâminas e batiza sua espada longa “Sopro-de-Dragão” e sua adaga de “Ferrão-de-Vespa”.

Da mesma forma que o caldeirão foi reduzido até se tornar uma taça, é mais comum usarmos uma adaga dentro da magia prática. Representa o elemento Ar, é tomado como um “Instrumento de análise” e um importante item de banimento; carrega os princípios necessários para destruir e dissolver aquilo que está nos planos sutis. Ela também pode ser usada para abrir “fendas” que conectam o Plano Físico à outra vibração, algo que pode ser muito observado em rituais de abertura onde o altar (ou a área onde a prática será realizada) é circulado com a lâmina para “cortar” o local do mundo comum e colocá-lo mais próximo dos deuses. Não é incomum também que seja usada como uma substituta do bastão, também impondo autoridade e podendo ser tomada como um símbolo masculino.

Sigillum Dei Æmeth, famoso pantáculo para trabalhos enochianos
Sigillum Dei Æmeth, famoso pantáculo para trabalhos enochianos

Por fim, um Instrumento muitas vezes esquecido é o pantáculo. Suas referências mitológicas apontam para pratos ou mesmo mesas usados para oferendas e banquetes cerimoniais – sendo uma de suas formas mais comuns um prato propriamente dito ou um pequeno pires. Um símbolo que muitas vezes é associado com ele é o lamen da tradição cabalista. Muitas vezes uma moeda é utilizada no lugar dele, remetendo a superstições populares sobre encontrar uma no chão ou moedas antigas, guardadas do primeiro pagamento recebido. É associado ao elemento Terra, sendo empregado no processo de materialização.

De forma semelhante à taça, o pantáculo também possui a propriedade de receber as energias evocadas e, em linhas que fazem o uso de libações, consagrará o alimento que for depositado sobre ele. Porém, é muitas vezes tomado como um “Instrumento de síntese” que irá reunir e vitalizar o Intento colocado pelo magista; sendo assim muitas vezes é usado em conjunto com a taça para atrair e fixar a energia. Embora os pantáculos mais comuns trabalham com uma ideia geral de “síntese” – possuindo símbolos e elementos que remetem ao “estado sólido”, quanto todos os Elementos se juntam em algo físico – não é incomum encontrarmos linhas que trabalham com pantáculos com sigilos específicos para um determinado tipo de trabalho. Exemplos destes são os usados na magia planetária, na goécia e na magia enochiana.

Na parte final, discutiremos os Instrumentos de forma mais geral – sua função de ligação com egrégoras, forma física e consagração.

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