Platinorum Recomenda #6 – Mitologia Nórdica

norse__mythology_by_marcsimonetti-db08gxr

Se antes faltava uma forma acessível de conhecer os mitos nórdicos, agora não mais. Neil Gaiman, você conseguiu de novo – e dessa vez, nos presenteou com uma obra que apresenta uma mitologia com muito respeito ao material antigo.

Imagem destacada: Marc Simonetti

MitologiaNordica_G[1]O escritor britânico Neil Gaiman nunca escondeu seu amor pela mitologia nórdica. Sua influência é bem evidente em obras como Sandman e Deuses Americanos, sendo frequentemente referenciada. Em um projeto que ocupou mais de 8 anos, Gaiman se propôs a escrever com suas próprias palavras seus contos favoritos desta mitologia de forma que ficassem sutilmente amarrados, formando um arco de histórias. Embora sua principal referência tenha sido a Edda em Prosa (escrita no século XIII na Islândia, já após a conversão), a Edda Poética (mais antiga) também se faz presente e em certos contos versões presentes em ambas se mesclam.

Aqueles acostumados com os romances de Gaiman, ricamente descritivos, podem estranhar o estilo narrativo mais direto e simples escolhido para esta obra. O autor quis emular uma narrativa oral, conforme seria recitada por um skald nos salões; e também possui a intenção do texto ser facilmente apreendido e recitado em voz alta. Porém, o texto não deve em nada à sutileza praticamente poética e domínio da linguagem características de suas outras obras, em diversos momentos usando símbolos e comparações que às vezes passam despercebidos mesmo no meio pagão. Destaco especialmente o mito da criação, que aqueles que já leram o artigo que o analisa magisticamente poderão enxergar de um outro ângulo.

O livro abre com uma introdução do autor ao tema, e logo em seguida faz uma breve descrição de Óðinn, Þórr e Loki. Neste momento, somos apresentados a detalhes importantes sobre estas entidades mas que não são descritas narrativamente no resto da obra, como o sacrifício de Óðinn para obter a magia ou os acordos entre ele e Loki que permitiram que o gigante permanecesse em Ásgarðr. Apesar de Gaiman ter feito um trabalho para criar uma cronologia entre os contos, ele mesmo avisa na introdução que contradições entre eles podem ser encontradas; e mesmo com seus acréscimos pessoais, estão fiéis às versões das Eddas (com um especialmente belo fechando a narrativa sobre o Ragnarök).

Li através da edição em língua inglesa, que possui um acabamento gráfico um pouco melhor e um formato um pouco maior que a brasileira publicada pela Intrínseca. Porém, o volume nacional não deixa a desejar e possui capa dura. Pela editora estar fazendo um excelente trabalho trazendo a obra do autor para o Brasil, creio que a tradução esteja na mesma qualidade de outras publicações da linha.

Finalmente, é importante lembrar que na religiosidade pagã nórdica as Eddas (e obviamente os mitos) não são vistos como “textos sagrados”, e que os registros islandeses já não são suas “versões originais”. Havia uma falta de uma versão acessível e confiável para introduzir pessoas à mitologia, uma vez que traduções acadêmicas em português abrangem somente alguns poemas e, dado o tempo que foram escritos, não possuem linguagem fácil; mas agora, novatos podem contar com Neil Gaiman como um guia para este universo. Aos que já a conhecem, agora poderão a revisitar de uma forma que ao mesmo que soa muito familiar também traz consigo um ar de novidade.

Posts relacionados

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *