A Má Sorte dos Seguidores de Odin

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Entre certos grupos europeus, muitos voltados à bruxaria, é comum dizer que os seguidores de Óðinn teriam má sorte. O áss é visto como um trickster, pouco atento às necessidades daqueles que se voltam a ele, sempre disposto a testar as estruturas que entra em contato. Analisaremos a divindade partindo deste ponto de vista, apontando também como isto impactaria sobre aqueles que decidem buscá-la.

Na visão mais associada com Óðinn atualmente, vemos um deus de reis e guerreiros que patrocina e atesta o poder de casas nobres e dinastias; muitas vezes vestido com armadura e armado com uma lança, seguido por um séquito formado por alguns dos maiores guerreiros que um dia viveram. Uma linhagem poderosa muitas vezes alegaria haver interferência direta do áss em sua linhagem para atestar sua nobreza. Porém, quando buscamos uma forma mais antiga, vemos uma ênfase maior na face de “Andarilho” – onde o deus viajaria pelos Nove Mundos, às vezes em busca de conhecimento e outras para atuar como psicopompo.

Em muitas destas andanças, Óðinn teria algum objetivo particular que resolveria atuando como trickster – uma entidade astuta, que usa de truques e trapaças para obter o que quer. O conto do roubo do Hidromel da Poesia seria um dos maiores exemplos que chegaram até nós, onde usou diversas ilusões e mudanças de forma para tomar um elixir mágico de um clã de gigantes. Vemos que essa face continua muito presente mesmo quando se torna um deus guerreiro e régio, evidenciada por poemas como o Grímnismál (“Dizeres de Grímnir”) – após Frigg acusar um rei protegido pelo marido de ser indigno e desonrado, Óðinn assume um disfarce e usa diversos enigmas para testá-lo. Temos também cenas da Völsung Saga (entre outras) onde o áss decide intervir diretamente sobre a dinastia trazendo infortúnios, embora seus registradores tenham tido pouca preocupação em esclarecer as motivações do deus.

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©Jânio Garcia (@janiogarciaart)
Óðinn é, acima de tudo, um deus de movimento. Muitos termos antigos associados a ele se referem ao vento, especialmente o mais frio e bravio. Sua aproximação apontaria um conflito ou evento desfavorável, tal qual o vento anunciaria uma tempestade. Suas buscas por conhecimento sempre o levariam a testar e quebrar barreiras, além de seus famosos sacrifícios em troca de poder. Tais características fazem algumas análises o atribuírem arquétipos que vão além do trickster, como o “Lord of Darkness” do LHP.

Neste ponto, torna-se notável o porquê do aviso de Óðinn trazer “má sorte” aos seus seguidores. Trata-se de um deus exigente, que testará as estruturas de todos aqueles que se aproximarem. O Poderoso Sábio nunca foi conhecido por altruísmo, mas sim por seletividade – seus seguidores, independente de serem magistas em busca da sabedoria ou militares e líderes em busca de força, sempre entrarão em contato com seu lado trickster e deverão ter sua astúcia afiada. A dedicação significa em algum momento espelhar a divindade – o que neste caso significa, entre outras coisas, atuar na adversidade, enxergar ângulos inusitados e reverter situações ao seu favor; nada veio fácil para Óðinn, e assim será para todos que decidirem seguir seus passos.

Divindades são seres complexos, com diversas nuances e arquétipos dentro de si mesmas. Quando nos voltamos a uma, temos nossos aspectos em comum com ela estimulados. Ao lidar com elas devemos ser responsáveis e verificar quais deles são os mais predominantes em um deus e serão os mais impactantes em nossas vidas, pois é impossível entrar em contato com tais forças sem que haja uma transformação interna.

Sjáumst bráðlega!

-Ravn

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