Os Chakras, Uma Visão Holística

Eu, tentando fazer sentido de tanta informação esotérica e mistificada….

 

Como vimos no texto sobre os chakras na tradição do tantra clássico, os chakras hindus não são nada daquilo que fomos ensinados. Não são “centros de força universal” que “transmutam” ou de alguma forma “fazem a troca das energias”.

Ou será que são?

 

 

Como vimos naquele texto mesmo, os chakras eram criados (visualizados) por cima de locais específicos no corpo. Esses locais eram localizados no tronco, e não adiantava você resolver criar um chakra no seu dedo, por exemplo, ou até mesmo gerar os chakras levemente diferentes, com uma pétala para cá ou outra para lá, segundo a sua visão particular de como um chakra deveria ser (como vimos no texto sobre os dez chakras para músicos yogi) – era necessário visualizar e alimentar cada pétala no lugar certo e da forma certa.

 

Oi, linda. Quer ir lá pra casa fazer um pouco de…. codificação?

Contudo, vejamos outra linha que fala de algo parecido com os chakras: a linha espírita.

O espiritismo não menciona a palavra “chakras” em lugar algum. Os espíritas, ao falarem do corpo humano, mais especificamente do períspirito, falam de um corpo intermediário entre o espírito (um princípio inteligente , cuja função é gerar pensamentos e emoções a partir da Inteligência Superior presente no Espírito. Nas palavras dos espíritos, segundo Kardec, e presentes no Livro dos Espíritos, Livro Segundo, Capítulo 1, Item IV:

 

93. O Espírito propriamente dito vive a descoberto ou, como pretendem alguns, envolvidos por alguma substância?

— O Espírito é envolvido por uma substância que é vaporosa para ti, mas ainda bastante grosseira para nós; suficientemente vaporosa, entretanto, para que ele possa elevar-se na atmosfera e transportar-se para onde quiser.

(…)

94. De onde tira o Espírito o seu envoltório semimaterial?

— Do fluído universal de cada globo. É por isso que ele não é o mesmo em todos os mundos; passando de um mundo para outro, o Espírito muda de envoltório, como mudais de roupa.

94. a) Dessa maneira, quando os Espíritos de mundos superiores vêm até nós, tomam um perispírito mais grosseiro?

— É necessário que eles se revistam da vossa matéria, como já dissemos.

95. O envoltório semimaterial do Espírito tem formas determinadas e pode ser perceptível?

— Sim, uma forma ao arbítrio do Espírito; e é assim que ele vos aparece algumas vezes, seja nos sonhos, seja no estado de vigília, podendo tomar uma forma visível e mesmo palpável.”

 

Sim, eu lí essa série inteira… muito útil, se você pular os momentos de “oração/música/testemunho tão bela, formou pétalas de flores que entraram em nosso peito e nos levaram às lágrimas pela bondade divina”.

Porém, a matéria possui em si mesma várias gradações de densidade, dependendo de como o fluido universal do orbe em questão se apresenta. Assim, a parte da mesma que pode gerar o fenômeno físico descrito no item 95, naturalmente gerada pelas correntes de força orgânicas (isso é, é gerada pelos corpos vivos e seu metabolismo), é chamada por André Luiz, além de diversos outros autores espirituais renomados, de Duplo-Etérico.

Esse duplo-etérico, cuja constituição é similar ao conceito esotérico de Corpo Etérico, possui já em si os chamados Centros de Força (denominação de André Luiz). Esses Centros de Força são importantes acúmulos dessa matéria etérica ou ectoplasma, a qual é gerada pelo próprio corpo físico durante seu metabolismo, fazendo, portanto, parte do corpo material (destrutível e perecível) segundo a concepção espírita clássica (de Kardec).

10/10 na vitalidade da novinha.

 

Muitos espíritas discutem se o duplo-etérico de fato existe, pois que os espíritos, em Kardec, disseram que existiam apenas três constituições do ser: O Espírito, O Perispírito e o Corpo. Contudo, o Corpo Etérico conforme descrito por André Luiz não deixa de ser parte do Corpo Físico. Ele é gerado pelo corpo físico, é necessário para os espíritos manifestarem-se no plano físico e gerarem efeitos físicos como a materialização, e se molda ao redor do corpo físico a partir do metabolismo e impulsos de polarização/despolarização celulares, também sendo destrutível e perecendo poucos dias (em média 3 dias) após a morte do corpo. Isso é, o Duplo-Etérico aparece como um constituinte do Corpo Físico, da Matéria.

E, interessante: esse Duplo-Etérico apresenta os chamados Centros de Força, isso é, acúmulos de energia etérica e ectoplásmica, a qual se unem aos Plexos Nervosos dos indivíduos! Esses plexos nervosos se encontram intimamente ligados à matéria física, como todo o duplo-etérico (ou corpo etérico) também o faz, de modo com que alterações nesse duplo facilmente geram alterações na matéria – e vice-versa – como pensamentos e emoções também geram alterações nesse Duplo, sendo ele a forma da matéria que permite ao perispírito agir de forma mais intensa por sobre a matéria em si, além da substância necessária para permitir a materialização de espíritos, assim como outros fenômenos físicos diversos.

 

Note a presença de estruturas semelhantes-às-físicas no duplo etérico. Muito boa a representação.

 

Os Centro de Força e o Custo do Fenômeno Físico

Esses centros de força assemelham-se imensamente aos chakras conforme descritos por Leadbeater em seu famoso livro (o que pode não ser uma coincidência, Chico Xavier era famoso por estudar muita coisa), assim como o documento do século XVI que, a pesar de não pertencente à tradição original hindu antiga, ainda assim apresenta valor, e também aos locais onde se firmam os chakras na tradição do tantra original! Especialmente, o centro cardíaco é o mais interessante e importante deles.

Aliás, o que dizer então da interessantíssima semelhança entre tal estrutura (o Duplo Etérico) e o corpo semimaterial, etéreo, citado tanto por Papus quanto por Dion Fortune?

Segundo ambos, por meio da visualização associada a elementos psíquicos e emocionais profundos, é possível gerar projeções de si mesmo usando esse elemento como “armadura” ou de pedaços anímicos de si.

O grande problema de fazer isso, claro, é o fato de de que ao expormos essa parte de nós ao mundo, ela pode ser ferida, e os ferimentos repercutem no corpo físico – um golpe de espada nesse corpo etéreo, quando usado de armadura, se manifesta como um ferimento físico (no caso mencionado por Papus, um golpe na cabeça que levou a bruxa que usava dessa técnica à morte).

Esse é o preço de afetarmos o plano físico a partir dos outros – esse corpo é tão perecível quanto corpo físico, então expomo-nos a ferimentos e morte ao usarmos dele.

 

Êta aurão da porra. Esse tá saudável nas emanação biofísica.

 

Barbara Ann Brenman

Mas esperem. Não é só no espiritismo que encontramos coisas semelhantes!

Barbara Ann Brenman, em seu famoso livro Mãos de Luz, dá uma versão dos Chakras segundo o conceito esotérico padrão, assim como também segundo sua própria clarividência, isso é, sua capacidade de ver o que alguns chamam aura, enquanto outros chamam corpo etérico ou duplo-etérico. De forma surpreendente, Barbara Ann tem uma clarividência tão potente que a mesma pode descrever até mesmo a distância do corpo, em centímetros, de cada camada dessa aura¹.

Assim, a mesma descreve vórtices de energia que possuem, dentro de si, outros pequenos vórtices menores – algo totalmente em consonância com a versão de Leadbeater dos chakras, assim como a Teosofia em geral.

 

Informação interessante: Bebês e crianças pequenas tem chakras pouco desenvolvidos até amadurecerem, o que implica que não devemos tentar manipular esses chakras – pois são muito sensíveis – e também explica como crianças costumam ter mais acesso aos planos sutis que adultos (ainda que esse acesso seja arriscado justo por conta de sua sensibilidade e pouco desenvolvimento etérico).

 

Não bastasse isso, Motoyama (Livro: Teoria dos Chakras)², Wagner Borges (IPPB), Waldo Vieira (IIPC), Robson Pinheiro, Rubens Sarrasceni, além de outros espiritualistas de renome utilizam-se de técnicas muito parecidas com aquelas necessárias para desenvolver os chakras, além de uma série de tratamentos não necessariamente ligados aos mesmos (vejam-se os passes magnéticos) e que influenciam nessa área.

 

Procura lá no seu tubo (you tube, besta) : Canal amigos da luz.

 

Toda essa literatura, afinada entre si e adequada para explicar os processos pelos quais pensamentos e emoções podem influenciar e serem influenciados por estados fisiológicos, encontra ainda suporte na Medicina Tradicional Chinesa, onde vemos conceitos como o Jing dos pais sendo a fonte para o Jing dos filhos (incluindo-se qual qualidade ele terá), a ligação do Qi com o Shen e assim com as emoções, e, claro, os importantes centros de força chamados Pontos Mar do Qi (presentes tanto no chakra cardíaco como no genésico ou sexual), Mar da Medula, Portão da Vida, etc, etc. Isso sem adentrarmos ainda em práticas de Gong Fu (conhecido no ocidente como Kung Fu), Qi Gong, Ki-Do, isso é, artes marciais em geral que demonstram não só estruturas energéticas semelhantes aos chakras, como atestam tanto a possibilidade do controle das energias ectoplásmicas pelo controle do corpo (certas posturas e controles dos músculos e nervos permitem que essa energia se concentre em certos lugares), assim como pelo controle da mente e da emoção (os verdadeiros mestres independem desse controle corporal – são capazes de mover o Qi meramente pelo controle do pensamento e emoção).

 

Alguém falou em… “destreza e consciência corporal quase sobre-humanas para conseguir manipular Qi a partir de posições corporais” ?

 

Conclusão

Que mais podemos dizer a respeito dos Chakras, do que que, em termos da tradição original hindu, de fato, não existem, mas que, em termos da tradição esotérica ocidental, assim como de interpretações das tradições esotéricas orientais à luz dessa bibliografia, não só existem como são a base em cima da qual se constroem as visualizações hindus chamadas de “cakras”?!

Sim meus amigos. Cakras não existem. São uma ilusão, e algo que a pessoa deve construir por si própria, por meio de uma rotina espiritual intensa e disciplinada. Mas Centros de Força, esses não só existem como são a própria base por cima da qual é possível construirmos os cakras.

Como muito ocorre na vida em geral, o conhecimento do futuro revela as bases do funcionamento dos segredos iniciáticos do passado.
Boa tarde a todos.

 

Uma batata angélica para me desculpar pelo post cheio de bibliografias. A imagem está meio merda… o que é perfeitamente adequado para um post de meta-análise esotérica que mais fala de autores do que de suas obras :v

 

1: Aqui vale uma reflexão – Barbara Ann classifica certas partes da aura como os demais corpos sutis humanos, como o mental, causal etc. Eu discordo dessa classificação. Concordo que possa haver relações entre esses corpos e a aura humana, e que ela possa ver essas relações, mas em última análise permaneço confiante de que o que a mesma vê são reflexos áuricos desses corpos, ou até mesmo do corpo astral simples que os manifesta segundo reflexos mentais/astrais. Isso explica, por exemplo, porque marcas kármicas aparecem em camadas que Barbara Ann vê e que em teoria já deveriam estar há muito livres de qualquer influência causal, que o diga de Karma.

2: Motoyama cita um elemento importantíssimo para aqueles que pretendem avançar a assim chamada Kundalini pelos centros de força de seus corpos – a presença dos “nós” no shushuma – bloqueios naturais que estão presentes em todas as pessoas. Falaremos mais desse assunto mais a frente.

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