Iluminados LHP – Merlin

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Sempre escutamos exaustivamente sobre pessoas “Iluminadas” (seja em graus máximos de ordens, desenvolvimento espiritual ou simplesmente por uma contribuição muito grande à sua comunidade) associadas ao “Caminho da Mão Direita”, ofuscando por completo outras vias de Iluminação. Por isso, iniciamos esta série sobre pessoas que obtiveram um patamar elevado através de Caminhos que associamos com a Mão Esquerda, para que vejam quantas possibilidades temos disponíveis para nós. Como o primeiro, o “Iluminado LHP” arquetípico: Merlin.

Imagem destacada: phongduong

Anál nathrach, orth’ bháis’s bethad, do chél dénmha – “Charm of Making”*

(*“Sopro do Dragão, encanto de morte e vida, teu presságio se faz” – em tradução livre) 

Primeiro de tudo, é necessário definir quais são os critérios que usaremos para considerar uma pessoa “Iluminada” e associá-la ao LHP. Aqueles que atingem este estado são pessoas que compreenderam os caminhos disponíveis, atingiram o auge e criaram o próprio, tornando-se exemplares posteriormente. O Iluminado do RHP usualmente buscará uma dissipação do Ego em prol de um estado transcendente, visando um trabalho dedicado ao Todo, já o LHP, preferiu tornar o seu Ego uma ferramenta de expressão de seu Self. Ele domina plenamente a manifestação de sua Vontade, dedicando-se verdadeiramente a tornar concreto aquilo que aprende pelo Vazio.

Merlin reflete de forma arquetípica o grau chamado pela Order of Apep de “Red Magus“. Neste estado, o indivíduo adquiriu plena consciência de si mesmo com conhecimento direto do Vazio, por isso, a sua simples presença passa a remodelar o Físico. A sua Consciência estará vibrando de tal forma que é capaz de perceber e compreender o tempo todo cada fio atrelado à Realidade – daí sua facilidade em manipulá-la. Ele deixa de observar o Tempo como um “fluxo”, enxergando no lugar disso um momento onde não há a ilusão da continuidade, um eterno agora onde o Universo é destruído e remanifestado.

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O simbolismo em torno de dragões em seu mito é bem evidente, sendo visível na passagem da “Torre de Vortigern” do tomo medieval “A História dos Reis da Bretanha“; nela, o mago era jovem mas usava as imagens de dois dragões em fúria para profetizar sobre o futuro da Inglaterra. O “Charm of Making” (algo como “Encanto da Concretização“, em uma tradução livre), um encantamento em gaélico antigo, acabou sendo associado a Merlin e escolhido como um mantra importante em trabalhos na Via Draconiana.

Mesmo sendo apontado como alguém no máximo das ordens iniciáticas celtas, Merlin vivia à parte da sociedade de acordo com suas próprias regras. Sua aproximação era vista com um certo temor pela população, pois muitas vezes pressagiava grandes mudanças. Em interpretações do ciclo arthuriano que situam as histórias na época da cristianização da Inglaterra, normalmente ele assume também o papel de “inimigo” para a Igreja e começa a refletir tudo aquilo que os cristãos temem.

O  que o faz refletir o Red Magus é a forma como usa seus conhecimentos, os quais abrem caminho para que ele possa manipular acontecimentos. Merlin sempre sabe exatamente o que precisa acontecer e possui recursos (muitas vezes mentais, e não apenas místicos) para movimentar as coisas nesta direção. Até quando está distante dos núcleos da ação sua influência é sempre sentida, todo ato que ele exerce é profundamente impactante.

Red Magus é aquele que tem pleno domínio sobre a sua realidade, cada acontecimento é observado através de uma matriz, uma teia onde cada ponto, nó, intersecção e caminho são de sua total compreensão. Cada possibilidade é percebida e discernida em seu máximo potencial, estando acessível de tal forma que a sua Imaginação altere a realidade. Alguém que almeja este estado pode tomar Merlin como um exemplo e seguir seus passos.

                “Do not try and bend the spoon, that’s impossible. Instead, only try to realize the truth…there is no spoon. Then you will see it is not the spoon that bends, it is only yourself.

(“Não tente entortar a colher, é impossível. Em vez disso, apenas tente perceber a verdade… não há colher.
Então você verá que não é a colher que entorta, é apenas você mesmo.”)

―Spoon Boy to Neo

-Kala Kalaya e Ravn

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