Formas Comuns de Magia Sexual

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Continuando nossa série sobre Magia Sexual, falemos hoje mais em detalhes quanto aos trabalhos mágicos que envolvem o sexo.

Sexo – Ter ou Não Ter

Uma das coisas que podem surpreender o leitor iniciante no tema é saber que nem toda forma de magia tântrica inclui sexo. Além da Abstinência Sexual em si ser também uma forma de magia sexual – teoricamente muito usada pela Igreja Católica – há diversos tipos de tantra que usam apenas a conexão energética, livre de conexão pênis-vagina, para realizarem magia. O que nos traz, finalmente, à discussão sobre o sexo em si.

É válido usar sexo para fazer magia? Se sim, como fazer, em detalhe?

Vamos a isso.

 

 

Opção 1 – A Ignorância

No caminho da magia, o mago às vezes escolhe a ignorância quanto a algo.

Ignorar um tema, como a magia sexual e o que ela significa é a forma mais fácil de se permitir cair nos constantes erros que traz esse ignorar, enquanto, ao mesmo tempo, preserva os demônios internos relacionados a medos, pudores, nojo e outras emoções menos úteis para a vida e espírito. Àqueles que leram esse texto e planejam manter em suas mentes uma ilusão de que existe alguma forma de não se usar sexo na magia, recomendo que escolham parar de ler agora. Afinal, a primeira lição que darei é a de que…

 

 

Premissa – O Sexo é Inerente à Vida Humana. 

A abstinência deve ser tratada de forma mágica ou traz a enfermidade.

A masturbação pode ser usada de forma profana ou sagrada.

O sexo com um parceiro apenas pode ser usado de forma profana ou sagrada.

O sexo regular com parceiros tais ou quais, em qualquer número e em qualquer padrão, de fato, também podem ser usados de maneiras profanas ou sagradas.

Que opção resta?

A abstinência deve ser tratada de forma mágica.

A masturbação pode ser profana ou mágica.

O sexo, em qualquer de suas formas, também.

Existe alguma maneira de o mago escapar do tema?

Existe alguma forma de falarmos de um ser humano encarnado real, que exista nesse plano físico, e que não seja afetado pelo sexo?

Novamente, podemos escolher a ignorância. Ignorar o que significa esse fato, ignorar o impacto de nossas vidas sexuais em nossa magia. Não é diferente de ignorar o impacto de nossa dieta, de nossa rotina de exercícios ou de nossos hábitos de leitura e entretenimento.

Assim, aqueles que não se importam com o controle de si mesmos a esses níveis não devem se sentir pressionados a pensarem em como lidar com o sexo e em quais mistérios ele guarda. Mas aqueles que consideram os mínimos detalhes de como suas dietas influenciam sua magia, bem, talvez seja importante que quebrem a ilusão de que o sexo também afeta.

Assim, passemos à análise de como isso ocorre, segundo as opções.

 

 

Opção 2 – Abstinência Total

A abstinência sexual é uma ferramenta potente de magia, mas de tão difícil execução o quão mais intensa for, dependendo da definição que se dá à abstinência. Por exemplo, abster-se de fazer sexo com outras pessoas, mas se manter a possibilidade de masturbação, é um tipo de abstinência para algumas tradições esotéricas. Para evitar confusão, então, irei falar aqui apenas da abstinência total – ou seja, daquele estado onde a pessoa se abstêm de qualquer ação sexual, até mesmo masturbação.

Pois bem. Vamos a isso.

 

 

A Técnica Correta

A correta técnica de abstinência sexual total é inerentemente mágica, pois demanda do abstinente que ele seja capaz de manter sua mente, alma e corpo livres do impulso do desejo sexual.

E esse é um ponto importante. A pessoa não deve ser capaz de meramente reprimir seus impulsos.

Ela deve ser capaz de, a um nível profundo, mudar o fluxo da potência sexual interior, redirecionando essa potência para outras áreas de sua vida, de modo que, mesmo em situações claramente sexuais, não haja nenhuma forma de excitação sexual. Assim, um correto abstinente pode ser confrontado até mesmo com a excitação sexual masturbatória direta, ou com estímulos pornográficos múltiplos, e não sentira qualquer desejo sexual, ou terá sua mente nublada por esse desejo de qualquer maneira. Sua potência sexual estará dissociada dos atos materiais, e ele a realizará de outra maneira.

De certa forma, o abstinente sexual se realiza sexualmente por meio da prática que escolhe para ser a canalização de sua potência sexual. Assim, o monge que canaliza sua potência sexual para a meditação se realiza sexualmente, em todos os níveis, durante a meditação. O general que canaliza sua potência sexual para a batalha, se realiza sexualmente no treinamento e na batalha em si. E o escritor que canaliza sua potência sexual para a escrita, se realiza sexualmente durante a escrita.

Mas nisso vêm o primeiro alerta – essa realização, mesmo que ocorra incluindo até mesmo o nível físico, não inclui a realização pelos meios sexuais comuns. Não há excitação sexual, não há orgasmo ou gozo como normalmente os entendemos. O sexo se direciona para a nova forma de agir, e o orgasmo e o gozo se prolongam, ao invés, em força e poder para realizar em grande medida aquilo que se propõe realizar – às vezes, dando força para que a pessoa realize muito mais do que realizaria normalmente. Assim, devemos distinguir a correta abstinência das consequências da abstinência feita de forma errônea.

Tratemos dessas consequências.

 

 

Consequências das Técnicas Incorretas

Ao realizarmos de forma errônea a abstinência, uma série de consequências podem surgir de acordo com onde erramos.

A mais comum é a excitação sexual por acúmulo. Quando nos mantemos abstinentes, mas somos incapazes de realizar a magia necessária para mudar a força de nossa potência sexual para outras áreas de nossas vidas, passamos a meramente represar e reprimir o sexo. Ou seja, ainda sentimos os desejos e impulsos sexuais, mas os reprimimos na vã esperança de que, por meio dessa repressão, eles, com perdão da ironia da palavra, “magicamente” desapareçam de nossos corpos.

A nível mental, represamos e reprimimos pensamentos, imagens e impulsos sexuais. A nível da alma, represamos e reprimimos o desejo sexual, nos mutilando e afastando de tais ou quais sentimentos que estejam, para nós, ligados a ele. E a nível do corpo, represamos e reprimimos os fluidos sexuais.

Nesse tipo de situação, consequências surgem, como a formação de espinhas, a irritabilidade, a sensação de peso, possíveis dores nos rins e nos joelhos, além de outras. Eventualmente, caso continuemos a reprimir essas manifestações, elas encontram fendas em nossa psique, as alargam, e então se manifestam como distúrbios de proporções maiores e mais perigosas – como perversões, parafilias e outras.

Certa vez, em um ritual de abstinência feito de maneira incorreta, tornei-me adicto por pornografia, mesmo que não sentisse nenhuma necessidade de masturbar-me para ela. A forma que meus desejos encontraram para dar vazão impulso sexual reprimido, nesse caso, foi a de consumir pornografia compulsivamente, mesmo que não houvesse nenhuma excitação sexual por ela – uma das possibilidades de erro na técnica. Mas essa não é a única consequência.

Outra consequência da utilização errônea das técnicas de abstinência é, ironicamente, a assexualidade. Não digo que toda assexualidade seja um uso errado das técnicas de abstinência. Contudo, conheço um caso onde a assexualidade foi resultado direto do uso inconsciente e instintivo de técnicas de assexualidade por parte de uma pessoa. Esse uso não trouxe à pessoa o conhecimento consciente de sua condição, ainda que tenha a alinhado com a egrégora católica e lhe dado um certo desejo de tornar-se freira. Obviamente, com o tratamento correto, a pessoa foi capaz de sair da situação de assexualidade e reganhar sua sexualidade.

Porém, sem a boa-vontade e alerta alheios, essa pessoa poderia ter se mantido em uma situação de assexualidade inconsciente por tempo indefinido. Também, pessoas que estejam passando por situações diversas que possam alterar sua constituição sexual, eventualmente podem se ver assexuadas, talvez gerando consequências indesejadas para a vida pessoal, por conta de um uso inconsciente ou errôneo das técnicas de abstinência.

O mago deve ser mestre de sua magia. Ele é aquele ser humano que usa a magia para si. A pessoa que é vítima de seu próprio inconsciente, que usa a magia em si sem que a pessoa possua controle sobre isso, não é mago. Meramente possui um mago dentro de si, adormecido aos seus próprios olhos.

 

 

Consequências da Técnica Como Dogma

Dito isso, que dizer das práticas, ritos e religiões que se utilizam da abstinência sem ensinar a magia sexual?

Bem, os frutos mostrarão a natureza da árvore. O mais comum de se ocorrer, quando a abstinência é propagada sem o conhecimento necessário, é a perversão daqueles que a utilizam.

É perfeitamente possível ao ser humano sentir desejo sexual e reprimi-lo. Ter imagens sexuais na mente e não se permitir olhar para elas, ou ter emoções sexuais e não se permitir ter consciência delas. Tudo que ocorre é que as mesmas passam a perverter o homem de dentro para fora, em um processo que é quase literalmente de apodrecimento do interior ao exterior.

Expliquemos.

 

 

MTC e o Sexo

Muitos que têm contato superficial com a MTC e com o tantra se veem perante as mesmas obrigações e dogmas da igreja católica. Devem manter abstinência sexual, inclusive de pensamentos.

Porquê?

“Ora”, diz o guru tântrico de esquina, “é porque assim você não joga fora o seu Jing, a sua energia vital, que se perde durante o sexo”. O tolo guru, contudo, sofre do mesmo mal de qualquer guru exotérico. Conhece o tema apenas parcialmente.

Sim, durante o sexo, a gravidez e outras situações intensas da vida, os seres humanos consomem uma quantidade acima do normal da energia que nos mantém jovens e, em última análise, é a responsável por podermos ter vida.

O Jing.

Essa energia, presente nos Rins como um lago onde as raízes desses rins (o Qi dos rins) mergulham, o Jing está diretamente conectado com o Palácio de Jade: o Útero nas mulheres e a Vesícula Seminal nos homens. Durante o sexo, sim, uma certa quantidade importante de Jing é eliminado pelos homens na ejaculação e uma quantidade menor é eliminada pelas mulheres – que, por sua vez, eliminam-o em grandes quantidades durante a gravidez, quando o feto o consome.

Mas, vejamos bem, o Jing move-se de sua moradia nos Rins para os órgãos sexuais não durante o momento do orgasmo em si. O Jing move-se para lá quando se torna “aceso” ou “aquecido”. E isso ocorre, por sua vez, quando há qualquer tipo de excitação sexual.

A presença da excitação sexual, em qualquer modalidade, irá, necessariamente, perturbar uma porção do Jing frio dos Rins, tornando-o aquecido e levando-o à região sexual. Esse Jing aquecido irá se infiltrar no esperma, nos líquidos seminais, no útero e nos líquidos vaginais.

Assim, quando o guru de esquina diz que a pessoa deve manter-se abstinente, ou está dizendo isso para gerar um acúmulo de Jing que será depois trabalhado em rituais sexuais (por exemplo, tantra), ou está enganado, e irá adoecer seus pupilos. O adoecimento seguirá exatamente as características descritas acima para o uso errôneo das técnicas de abstinência. Haverá acúmulo de mucosidades pelo corpo, que gerará calor, assim gerando espinhas (mucosidade-calor superficial), diversos tipos de distúrbios psíquicos (mucosidade-calor no coração), constipações e peso nos membros (mucosidade-calor no triplo aquecedor), dores na coluna lombar e nos joelhos (deficiência de Yin dos rins), e assim em diante. Por isso, a técnica correta de Abstinência requer os mais altos níveis de “santidade” cristã – isso é, uma boa-vontade que vai muito além do que pode ser feito com força de vontade sozinha.

Requer uma sintonia extremamente fina e pura com uma força elevada, a qual permita um estado de mente onde o ser humano tenha livre acesso à sua energia sexual para enviá-la a outros locais que não seu sexo. Assim o Jing não será aquecido e não será, obviamente, movido. Mas, havendo qualquer nível de excitação sexual, ele deve ser trabalhado, pois sua re-absorção pelo corpo ocorre com dano ao corpo, dada a criação de mucosidade-calor que se espalha pelo sistema.

Em outras palavras: Abstinência não é simplesmente ficar sem masturbar-se ou transar. É um controle absoluto do próprio poder e potência sexuais, que ficam à mercê do mago, não sendo meramente reprimidas. A mera repressão das forças sexuais é tola e viciosa.

 

 

 

Opção 2 – Masturbação

Uma segunda opção de trabalho com a energia sexual é a da masturbação.

Nesse sentido, a força de trabalho vem do uso do Jing aquecido, assim como também do uso dos estados de gnose gerados pelo orgasmo. Por isso, na maioria das técnicas de masturbação, tanto os líquidos gerados por ela (sêmen, líquidos vaginais) quanto o estado mental durante o ato e orgasmo são importantes.

Uma técnica simples de magia sexual masturbatória é a sigilação. Um sigilo deve ser criado anteriormente à prática, contendo o intento do mago. Por exemplo, se desejamos transmutar um aspecto negativo nosso (incluindo a possibilidade de transmutarmos a luxúria) devemos criar um sigilo que demonstre esse nosso intento. O sigilo pode ser meramente um traçado feito a partir de um alfabeto mágico, uma frase de poder, um símbolo pessoal ou outros do tipo.

Feito o sigilo, ele deve ser levado, por meio de meditação, ao fundo da mente onde ocupe a posição de total atenção do inconsciente. E isso é importante: a sigilação não ocorre com o mero esquecimento do sigilo. Ela ocorre quando o sigilo é esquecido pela mente consciente, mas permanece no centro das atenções da mente inconsciente. Isso é o chamado “background”, ou “interferência de fundo” mental. Lá deve estar o sigilo, e nada mais além do sigilo.

Iniciada então a masturbação, a mesma deve prosseguir até que haja o orgasmo – quando, espera-se, o sigilo irá aparecer na mente do mago de forma espontânea. Em outras palavras, aquele símbolo ou sigilo que havia sido esquecido será forçado de volta à mente consciente no momento do orgasmo – e essa será a indicação de que a magia foi bem-sucedida.

Após o orgasmo, os fluidos sexuais podem então ser consumidos pelo mago (para serem trabalhados pelo sistema digestivo, sendo assim transformados em Qi, como seria qualquer alimento) ou espalhados em um amuleto adequado, que então deve ser tratado da forma ritualística também adequada.

Essa é uma das formas mais comuns e simples de magia masturbatória, ainda que seja perigosamente inconsciente. O mago está basicamente utilizando uma técnica para forçar a expressão de sua energia sexual pelo sigilo, o que poderia ser feito por meio da técnica de abstinência caso o mago fosse mestre nela. Em outras palavras, a técnica masturbatória pode ser vista como um protótipo da técnica de abstinência – na qual o mago que ainda não possui controle suficiente sobre sua própria potência sexual irá usar um gatilho psico-físico para direcioná-la ao intento por meio do orgasmo.

Obviamente isso significa que os abstinentes que conhecem a possuem a capacidade de realizar a técnica de abstinência da maneira correta podem manifestar essa mesma força de forma livre e constante. Enquanto o mago, usando a técnica masturbatória acima, consegue direcionar energia a seu intento apenas em uma pequena e concentrada explosão de poder, o mago abstinente consegue direcionar energia a seu intento durante todos os momentos que desejar. Por isso, damos tanta ênfase ao poder da abstinência quando realizada de maneira correta.

 

Muitos colocam o tantra como orgasmos infindáveis. Mas mais importante que o fim do processo, e certamente mais importante do que a beleza dos corpos presentes, é o processo em si e a elevação de espírito que traz para os seres.

 

Opção 3 – Sexo

Como vimos, a abstinência é poderosa e capacita o mago a usar seu poder sexual para obter seu intento (ou seus intentos) de forma muito mais constante e intensa do que a masturbação. Porém, o sexo entra nessa equação como uma forma de magia que pode ser tanto mais ou menos poderosa que a abstinência, dependendo do nível de controle que possuírem aqueles envolvidos na magia. Isso ocorre, porque, ao falarmos de sexo, falamos, obviamente, da energia de duas ou mais pessoas.

Enquanto o sexo mágico simples é limitado a uma forma de masturbação com penetração, onde ambos o homem e a mulher ativam o gatilho do sigilo simultaneamente – normalmente a mulher em vários pequenos orgasmos e o homem em um único grande orgasmo – isso não significa que essa é a única forma de sexo mágico. Expliquemos em mais detalhes.

 

As vezes de uma forma bem literal.

 

Sexo Mágico e Suas Etapas

Em suas formas mais iniciais, o sexo mágico é, antes de mais nada, um exercício de auto-conhecimento. Descobrir os efeitos das sensações e envolvimentos sexuais é uma poderosa ferramenta para conhecimento não só do próprio corpo, como também da própria alma, mente e espírito. As manifestações sexuais, por ser o sexo naturalmente uma espécie de droga psicoativa, trazem à luz da consciência uma série de fatos e expressões do eu que servem à expansão da consciência nos reinos do inconsciente. Já em suas formas mais avançadas, o sexo mágico normalmente torna-se uma ferramenta mágica e nada mais.

Há o sexo mágico sigilatório – já mencionado no tópico acima – como também há o sexo mágico ofertório, com a possessão dos corpos por espíritos, e que pode dar diversos resultados positivos – como o acesso a partes de si ainda desconhecidas.

Claro, há ainda o sexo mágico que é a base para a ação do sexo mágico ofertório, onde descobrimos os efeitos energéticos, etéricos, astrais e mentais da realização do sexo – efeitos esses que ultrapassam o simples auto-conhecimento e atingem a esfera do conhecimento do universo, de seus mecanismos e segredos, por meio do estudo de uma de suas partes – isto é, o sexo. Então, há o sexo mágico alquímico, onde a transmutação pessoal ocorre por meio da realização de ritos que trazem efeitos não necessariamente poderosos, mas de natureza diferente daqueles trazidos por simples sigilação. E, por fim, o sexo mágico onde sequer há sexo.

É irônico falar assim, mas dois ou mais abstinentes, ao se unirem em um ritual onde coletivamente direcionam seus impulsos sexuais para o mesmo propósito, nada mais estão fazendo que uma espécie de trabalho mágico sexual em grupo. Nisso, o pareamento homossexual é mais útil que o pareamento heterossexual, pois as polaridades das forças sexuais heterossexuais tendem a se anular quando direcionadas ao mesmo intento. Nisso explica-se a ideia de conventos e monastérios divididos por sexo. Ao menos em teoria, claro. Na prática, poucos dominam a abstinência a esse nível.

E, já que estamos falando de sexo em grupo…

 

Olha um grupo de magos sexuais aí. Fazem magia sexual em todos os dias de suas vidas. Ou tentam fazer. Alguns parecem meio frustrados, neah?

 

Um, nenhum ou muitos

Uma discussão importante para muitos grupos de magia é aquela que relaciona os caminhos da mão direita e mão esquerda com as chamadas Via Seca e Via Úmida. A primeira é uma forma de evolução espiritual que prioriza a evolução do ser por meio da mistura com os demais seres e o seu conhecimento. A segunda é uma forma de evolução espiritual que prioriza a evolução do ser por meio de seu retiro do convívio humano e a eliminação dos desejos.

Em outras palavras, a via seca é aquela onde o ser humano ativamente usa os elementos que o conectam aos outros seres humanos (desejo sexual, por exemplo) para atingir um maior contato com o universo e, eventualmente, evolua por meio da organização do mundo onde consiga atingir glória por meio da experiência das coisas. Já a via úmida é aquela onde o ser humano elimina todos os elementos que o conectam a outros (como o desejo sexual) para atingir um maior contato com a parte mais essencial de si mesmo, evoluindo por meio da sua renúncia a todas as coisas.

De um ponto de vista mais prático e menos simbólico, podemos citar essas duas vias na magia sexual como formas de usar magia sexual. A via mais seca seria aquela em que a pessoa realiza magia sexual sem distinguir vínculos e sem distinguir o ambiente ou os parceiros com que a realiza. É uma via onde o sexo mágico será realizado segundo a praticidade e necessidade, sem qualquer ligação emocional (úmida) com outros.

Isso, obviamente, gera consequências diversas dada a mistura de energias e forças em geral relacionadas ao sexo. Já a via mais úmida seria aquela em que a pessoa realiza a magia sexual com todos os vínculos levados em conta e, por fim, realiza que simplesmente não compensa, de um ponto de vista puramente evolutivo, realizar magia sexual sequer com outro indivíduo. Isso, por sua vez, pode levar a uma evolução espiritual menos turbulenta, mas deixa de contar outras formas de evolução, como a material, a emocional e a mental. Lembrando, claro, que a realização de abstinência em grupo ainda é uma forma de magia seca e não úmida.

Alguns certamente estão surpresos, pois diversas ordens de direita dizem o oposto.

Pois bem.

Discutamos mais no próximo texto!

Até mais.

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3 Comentários

  1. Muito bom, bem esclarecedor, quero praticar a abstinência pois sei que é muito poderoso, mas temo não saber utilizar as técnicas para utilizar este poder, onde melhor me informo a respeito?

    1. Olá Vilela.

      Há muitos escritos nos temas de tantra, abstinência sexual e magia sexual. Contudo, raras vezes vemos materiais sem conteúdo doutrinário que possa levar ao erro.

      O segredo é achar a linha esotérica que melhor lhe caiba (Taoísmo, Hierogamos, Tantra, Ordo Templi Orientis, etc..) e adaptar os ensinamentos aos princípios fundamentais (seja ao ler livros ou tornando-se parte de um grupo), estando sempre atento aos excessos e às consequências do que se faz.

      Boa sorte!

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