Deuses Que Mudam

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Na semana passada falamos de deuses, entidades e outros seres cuja existência está acima da humana. Essa semana, vamos finalmente falar de um tema espinhoso:Um deus transformado em demônio pelo cristianismo ainda é um deus ?

Vamos lá!

 

Na China, jesus tem olhos puxados. O loirinho? Era para a Europa.

 

Deuses e Entidades

A primeira coisa a falarmos quando falamos de deuses antigos é que nem toda cultura entende a ideia de “deus”. Uma coisa pouco discutida quando falamos de traduções, é que a ideia de “deus” é uma ideia Semítica/Européia. A maioria das culturas possui a ideia de um ser superior ao humano. De algo que está além da humanidade. Mas daí a chamarmos isso de um “deus”, com toda a carga de significados e ideias que a palavra europeia carrega, especialmente hoje em dia, é deturpar o significado da coisa.

Há culturas onde um “deus” e um “rei” possuem pouca diferença. Onde um ser humano que fez feitos incríveis, dignos de serem preservados na tradição oral do povo, e um “deus”, não possuem diferença alguma. Diversas das lendas africanas quanto aos orixás, por exemplo, dizem-se derivadas de imponentes membros das tribos africanas que realizaram enormes feitos em campos de batalha, ou em suas aldeias, e por isso foram entendidos como manifestações de algo sobre-humano por sobre a terra. Daí que sua lenda pessoal entra para a tradição oral como uma lenda não do índio Aiwa Uwugu (nome 100% inventado), por exemplo, mas sim como uma lenda de Xango ou Ogum.

Assim, reforçando o que foi dito no ÚLTIMO TEXTO, é importante que entendamos que os conhecimentos que passarei aqui não dizem respeito necessariamente a deuses históricos de certos locais. Por exemplo, o “deus histórico” de um pequeno povoado da região da frança do século V a.c. pode muito bem ter sido um mero humano que desenvolveu seu corpo mental mais do que os outros, ou meramente teve sorte, e assim fez algo extraordinário – tipo mover uma enorme pedra de um lugar a outro, por exemplo, usando uma versão época-das-cavernas de uma polia. Dali um culto se desenvolveu ao redor da figura desse ser, características cada vez mais heroicas foram sendo adicionadas a ele, eventualmente os aldeões começaram a considerar que ele “podia tudo”, e “conseguia tudo”…. e ou o ser em si evoluiu por meio do uso dessa energia e do contato com forças transcendentais, ou um servidor foi criado em seu lugar e evoluiu até se tornar uma forma-deus.

Inúmeros “deuses” de hoje em dia têm esse tipo de origem. Um mero humano que usa toda a energia dos sacrifícios e fé a ele dirigidos para sua própria evolução, obtendo algo, ou um servidor criado à imagem desse humano, que eventualmente se torna uma forma-deus.

Que dizer então de sociedades xamânicas? O processo de cultuar a natureza forma servidores facilmente, além de possibilitar uma outra forma de manifestação: Possibilita que seres iluminados, ou mesmo deuses (no sentido falado no último texto) passem a se manifestar naquela forma plasmada pelo povo da região.

Entendamos.

 

Oi. Meu nome verdadeiro faria sua cabeça explodir. Mas pode me chamar de Bob.

 

Você Cria o Deus. Alguém Responde.

Espírito. Mente. Emoções. Corpo Físico.

Todos são Vasos de Manifestação da Consciência. Por meios dos quais ela deixa de estar no Imanifesto e se Manifesta. Passa a SER algo. A Existir.

Quando falamos de seres além-humanos, falamos de uma classe curiosa de seres. Pois que a maioria não vê qualquer necessidade ou benefício em habitar um corpo físico. Além dos limites inerentes ao corpo físico, que podem dificultar bastante o trabalho de um iluminado ou deus, tais corpos também geram contato com seres de níveis muito distintos de evolução emocional, mental, causal e crística – o que normalmente se mostra mais um empecilho a um deus ou iluminado do que um benefício (pense em um senhor de meia idade, Ph.D. em física quântica, que seja colocado na mesma sala que bebês, crianças de 2 anos e adolescentes – a menos que o objetivo dele seja de fato se dedicar ao ensino, sua presença ali está sendo puro tempo perdido).

Por esse motivo, a maioria dos iluminados se manifesta sem o corpo físico – tendo como último corpo de manifestação o Emocional – e muitos deuses se manifestam sem sequer o corpo emocional – tendo como último corpo de manifestação o Mental.

 

Alguém falou em…. Avatares ?

 

Esses seres, ao terem contato com servidores ou formas-pensamento criadas por humanos, desde que em algum nível se interessem por esses humanos, podem mudar seus corpos emocionais para a forma criada pelos seres humanos, ou, no caso de deuses, até mesmo “encarnar” em tais formas emocionais, assim tomando-as como Corpos Emocionais temporários, os assim chamados “Avatares”, só que não em sua forma física, mas sim em forma Astral/Mental.

É assim, por exemplo, que Krishna é um Avatar de Vishnu – o antigo Deus Hindu não apenas formou para si (ou assumiu a forma de uma lenda criada por humanos) um corpo emocional, como, é possível, pode até mesmo ter assumido um corpo físico usando essa forma e de fato vivido entre os humanos por certo período de tempo. Assim, conquanto seja difícil entrar em contato com Vishnu em Projeção Astral, por exemplo, Krishna é muito mais acessível. E o mesmo vale para diversos deuses e entidades. De fato, é daí que vem a ideia de que, se um deus provincial do passado foi demonizado, podemos acessá-lo por meio do demônio que a ele é referido.

Por exemplo, poderíamos acessar um antigo deus mesopotâmico por meio do nome baal (“senhor”, palavra normalmente usada para se referir a Hadad, deus mesopotâmico da tempestade e fertilidade), pois o demônio conhecido como “baal” seria somente uma perversão da “verdadeira entidade” originária dos cultos mesopotâmicos antigos. Mas esse conhecimento tem um “se, porém”, muito importante….

 

Um dos deuses chamados “baal” nos tempos bíblicos. Era um deus das tempestades e fertilidade, de nome Haddad.

 

Quem Está Respondendo?

É muito comum vermos altares a Vishnu ou Ganesha sem nenhuma conexão com as entidades primordiais a esses cultos ligadas. Tão comum quanto, é vermos padres em suas batinas, teoricamente consagrando a hóstia, mas incapazes de aplicar qualquer magia cristã àquilo. Ou pastores evocando o “espirito santo”, mas só conseguindo mesmo gritar e esbravejar contra minorias e pessoas que não sigam a moral e o status quo vigentes na sociedade da época.

Da mesma forma, há aqueles que, tolamente, acreditam que evocar o nome “Baal” os fará ter contato com Hadad, ou que evocar o nome “Lillith” lhes fará ter contato com Inanna, ou que simplesmente por fazer um “sacrifício a Hecate” a deusa helênica o receberá. Se é verdade que deuses e iluminados podem tomar a forma ou até mesmo “encarnar” em formas-pensamento ligadas a estátuas, mitos e outrem similares, assumindo os Trejeitos, Aparência e Energia associados a um determinado ser de tal ou qual mito, também é verdade que nem sempre isso acontece. E um fator importante para tal, é a essência desse mesmo deus, assim como a ligação do humano que o evoca com tal essência, que é primordial para que o deus seja de fato evocado.

Entendamos.

 

demons e suas demonices
Manual do Ataque Psíquico Quando dizem que é esse bichão, é muito provavelmente um bichinho inofensivo. Dê leite e biscoitos pra pessoa. Quando dizem que é um bichinho bonitinho, mas malvado, é provavelmente essa desgraça aí. Use bastante exorcismo.

 

Quem Responde do Outro Lado

Quando fazemos uma evocação, o que de fato estamos fazendo?

Além de vibrando o ar com nossas cordas vocais, o que estamos fazendo em termos dos planos sutis ao nosso redor? Ora pois. No plano emocional, estamos irradiando ou vibrando emoções relacionadas ao ser que procuramos evocar. Já no plano mental, estamos em contato direto com pensamentos e conceitos relacionados a esse ser. Porém, notemos que isso significa algo bem maior do que parece à primeira vista.

Quando falamos de irradiar emoções em uma invocação, por exemplo, falamos de atrair para nós seres, sejam elementais, ou eguns, ou kiumbas, que estejam em consonância com aquelas emoções. Já quando falamos em estar em contato com pensamentos, falamos de atrair para nós seres mentais que também estejam em consonância com tais pensamentos. E de repelir os que não estejam.

Quando pensamos em um deus Helênico, por exemplo, temos de ter consciência de que são seres cujas mentes funcionam de tal ou qual maneira. Podem ser imprevisíveis em certos aspectos, ou extremamente poderosos em outros, mas possuem fundamentos aos quais respondem. Por isso, ao tentarmos invocar Hecate, por exemplo, é necessário fazer uma invocação aos moldes helênicos – precedida com uma purificação e de uma chama sagrada acendida, dedicada à deusa Héstia, sem a qual nenhum deles irá se manifestar.

Ao entrarmos fazer uma invocação a Ganesha, é necessário acender uma chama consagrada a Agni antes. De nada adianta meramente colocar essas entidades na figura da “deusa mãe” e do “deus pai”, por exemplo, e chamá-los dessa maneira. Isso, porque ambas as entidades somente se manifestarão, enquanto Hecate e Ganesha, se os rituais adequados forem seguidos para sua manifestação.

É perfeitamente possível visitar seus Avatares no plano astral, por exemplo, sem esse tipo de preparação. Mas para sua manifestação no plano físico, qualquer adaptação ou mudança ao ritual original de invocação ou evocação tem de estar de acordo com o paradigma da entidade evocada – pois a maioria dos deuses são seres puramente mentais , que não irão responder ao seu chamado caso você esteja chamando o nome deles mas pensando, por exemplo, na Silvia Saint de bikini.

Isso, porque os deuses não sabem que você está chamando? Claro que não. Eles sabem.

Mas eles pensam por conta própria. Tem memórias e opiniões. São seres transcendentes, de imenso poder, mas não são seu anjo da guarda ou você mesmo com poderes cósmicos fenomenais. Deuses são tipo outras pessoas. Só infinitamente mais sábias e poderosas. Se você os chama com pensamentos cujo paradigma não se encontra relacionado ao deles, isso em si é uma forma de dizer “não venha”, pois o pensamento em si, o modo de pensar em si, é a conexão principal que a maioria dos deuses tem para se aproximar ou negar de nós. Chamar um deus pela boca enquanto pensa de forma diferente do paradigma daquele deus é tipo falar para uma pessoa se aproximar enquanto manda ela embora com as mãos. E nenhum deles jamais irá forçar você a pensar de tal ou qual maneira – o que seria necessário para que, toda vez que você fala “venha Hecate” ou “venha Ganesha” viesse o deus certo –  pois que tal ato, ainda que perfeitamente possível a qualquer deles, tem diversas consequências complexas. Consequências que nem os deuses pretendem atrair para si.

 

Deusa do Lar e da tranquilidade doméstica, por favor destrua o casamento do meu amado para que eu possa ficar com ele!

 

Na Prática

Mas o que isso significa, na prática?

Significa que, por mais que queiramos invocar um deus ou deusa, ou uma entidade, se nosso modo de pensar , não estiver ao menos neutro (por exemplo por meio dos estados Alfa ou de Gnose), isso é, se ele se opuser à existência do deus em si em algum nível, ele não virá. E que, por mais que queiramos invocar uma entidade iluminada, se nosso modo de sentir, isso é, nossa forma de lidar com as emoções e a fluidez emocional da vida (não as emoções em si, veja bem, pois toda entidade iluminada consegue lidar com todas elas em algum nível, mas sim a forma de lidar com elas), não estiver ao menos neutro (como quando estamos em estado meditativo zen), também teremos o mesmo resultado.

Dito isso, o que vem no lugar?

Bem. Podem vir várias coisas. Pode vir um kiumba de qualquer tipo. Por exemplo, um mistificador que possua uma forma de pensar parecida com a sua, ou assuma ela só para se aproximar de ti. Ou um realmente daninho, que vá contra o seu livre-arbítrio e de fato tente te forçar a um novo tipo de pensamento, a um novo paradigma.

Pode não vir nada. Você pode começar a criar uma entidade artificial com base no que você PENSA e SENTE ao invocar o ser que deseja invocar. Ou…. a entidade original pode até aparecer. Mas assumindo a forma que você deu para ela.

Por exemplo. Um preto-velho, ao ser invocado por alguém que acha que todos os pretos-velhos são analfabetos e tem só “conhecimento da vida”, pode de fato vir – mas limitado pelo que o médium pensa dele, pois não pode demonstrar o conhecimento que possui, mesmo que seja benéfico à pessoa em questão. Um exu, invocado por um médium que acredite que todo exu xinga e faz escarcéu, pode vir xingando e fazendo escarcéu. Mesmo que seja um iluminado sem necessidade nenhuma daquilo. É uma forma pela qual as entidades originais, desde que a ideia do invocador se aproxime sequer um pouco de seu paradigma de pensamento, acham para se manifestar ali. E o pessoal ainda se surpreende quando o chefe do terreiro, ou cambone, manda o exu parar de xingar e ser gente boa com as pessoas, e ele obedece! Não é o exu que “pagou pau” pro chefe do terreiro. É o médium que finalmente deixou de forçar a entidade a se manifestar daquela forma, e permitiu que ele se manifestasse de forma menos tosca – por se livrar da crença limitante de que todo exu xinga.

Ainda que, às vezes…. simplesmente não dê.

E é nisso que entra o problema da ressignificação cristã.

 

É claro que sou Krishna. Eu tenho quatro braços, não está vendo ?

 

Deuses e Demônios

Os casos de Baal, Lillith e Hecate são os mais famosos.

A ladainha moderna vai nas linhas de que está o.k. trabalhar com goécia, até sem círculos de proteção, triângulos e similares, porque os “demônios” ali presentes são meras distorções do cristianismo de antigos deuses do passado, benéficos e bondosos. De que Lillith enquanto demônio e deusa negra na verdade é uma distorção de uma empoderada matriarca semita, que pode ser evocada sem problemas. Que Hecate é a deusa da bruxaria que empodera as bruxas wiccans modernas, que pune os maridos infiéis e que, se necessário for, pode ser invocada até mesmo para dar à evocadora o que ela quiser. Em alguns casos, dizem até que ela não atura homens. Acho que, a esse ponto, não preciso discorrer muito sobre o assunto.

É possível acessar os antigos deuses semitas, por exemplo, os mesopotâmios, chamando-os pelo honorífico mesopotâmico “Baal”?

Sim, é. Mas também é possível acessar kiumbas, e até mesmo demônios de fato – seres que se assemelham aos chamados “anjos”, mas trabalham em esferas negativas da existência.

É possível acessar deusas da fertilidade chamando por Lillith?

Sim, é. Da mesma forma que é possível acessar deusas da fertilidade chamando pelo nome “Arroz com quiabo” – desde que você consiga de alguma maneira associar pensamento e emoção adequados ao nome.

E quanto a Hecate…. também é possível acessar a deusa Helênica chamando-a pelo nome. Mas isso não significa que só o nome é suficiente, ou que sequer a pessoa conseguirá chegar a ele.

De fato, existe um grande empecilho no caminho para que isso aconteça.

 

 

Poluição Mental

Um pequeno problema com seres classificados pelo cristianismo, e também pelo misticismo popular, como “demônios”, é que nós, enquanto humanos encarnados, vivemos em uma atmosfera psíquica comum. Compartilhamos modos de pensar parecidos, pois vivemos na mesma Era, nos mesmos “tempos”, especialmente depois da globalização. E também compartilhamos energias, pensamentos e emoções.

Lembra quando eu disse que peixes não possuíam mentes individuais ? Que eles tinham mentes coletivas? Pois é.

Mesmo para aqueles de nós que não tomaram o rumo da evolução terráquea, isso é, que somos espíritos vindos de outros orbes, nossos corpos mentais, muitas vezes dados a nós no momento do nosso reencarne aqui, possuem conexões intrínsecas entre sí, mais ou menos remanescentes desse tipo de organização e inerentes a qualquer humano desse planeta, dados os corpos sutis que você tem que aceitar ter para encarnar aqui como humano (sim, existe esse tipo de burocracia).  Em certo nível, existe como que uma enorme internet mental que conecta todos os seres humanos de todos os tempos, ou ao menos aqueles que possuem uma mente humana. E essa internet mental nos influencia, especialmente no que diz respeito ao significado instintivo de algumas coisas.

Conquanto isso que descrevo não seja o inconsciente coletivo de Jung (que está mais próximo do conceito de memética), é algo parecido com a ideia que as pessoas fazem desse inconsciente – como uma enorme mente coletiva humana. Isso também existe em menores níveis a nível emocional e energético, mas não é tão intenso quanto o nível mental. Assim, ao lermos ou pronunciarmos certos nomes, instintivamente recebemos, dessa “mente coletiva com compartilhamento de informação em nuvem”, significados e formas de pensar.

Isso, associado à existência de seres que não respeitam o livre-arbítrio, abre uma porta muito perigosa em nossas psiques, perante a mera pronuncia de nomes de demônios e entidades similares. Não somente isso, como também dificulta o acesso a significados positivos associados a tais nomes, pois é necessário primeiro nos desconectarmos dessa “internet mental”, conectando-nos a nós mesmos e impedindo o acesso dos conteúdos vindos dela, para podermos, aí sim, reorganizar nosso pensamento.  Em muitos casos, rituais, altares e outros focos de força servem para isso.

Ao fazermos um banimento antes de começar uma invocação, ao lermos hinos gregos para invocar uma entidade (ao invés de fazermos os nossos próprios de cabeça), ao nos conectarmos com o passado antes de tentar reinventar a roda, estamos justamente gerando o ambiente psíquico necessário para corretamente acessar o ser que estamos buscando. Para aqueles que possuem um pouco mais de desenvolvimento, ao perguntarmos aos nossos guias se estamos fazendo certo, ao irmos em viagem astral até um Avatar da deidade ou ao fazermos uma projeção mental até ela, obtemos, aí sim, os materiais necessários para podermos inventar e adaptar os cultos de acordo com a necessidade do presente. Essa é a forma correta e segura de se reinventar um culto, de se reescreverem rituais de invocação e evocação, e de se trabalhar com seres espirituais – não porque haja algo de intrinsecamente sagrado nessa forma de trabalhar, mas porque sem ela ficamos simplesmente vulneráveis demais a influências externas na hora da invocação.

Quem já conhece uma entidade de longa data, estando acostumado com cada detalhe da sua forma de sentir e da sua forma de pensar, pode se dar ao luxo de incorporá-la ou de se contatar com ela só pelo pensamento, a qualquer momento. Porque saberá invocar a ela.

Mas quem não sabe…. bem….

 

Quando você ordena que a Succubus que o “mago do chaos” criou para se satisfazer mostre a sua forma verdadeira….

 

Criações Distorcidas

Quem não sabe acaba fazendo merda. Acaba criando servidores vampíricos, atraindo mistificadores ou se colocando na mão de kiumbas. Poucos exemplos são mais significativos disso do que aqueles das “deusas pop” atuais (Hecate, Éris – sim caoístas, estou olhando para vocês – e Lillith) ou, paradoxalmente, do que aquele dos grandes “deuses pop” (Allah, Jesus, “Deus” -cristão- e, claro, qualquer demônio, já que o diabo é pop). Conquanto existam entidades nascidas de qualquer tipo de culto estúpido por aí, essas são as de maior viralidade, se espalhando na linha tênue entre o “você me chamou” e o “pense em mim”.

Não é difícil que muitos sensitivos, ao sequer ouvirem esses nomes, imediatamente se conectem com seres afins – especialmente aqueles daninhos. Por isso, não se surpreenda ao descobrir, por exemplo, que aquela tia evangélica que evoca o nome de deus para dar câncer às pessoas às vezes até consegue deixar alguém doente. Ou que aquela menina que vive fazendo sacrifícios de sangue menstrual a “hecate” as vezes até consegue amarrar um boy que queria pra usar, depois de acabar com o namoro/casamento dele. Ou até mesmo que aquele dito-umbandista use o nome de “exu” para matar as pessoas com magia, por exemplo, em troca de dinheiro.

Você pode chamar pelo nome que quiser. Quem responde não é o dono do nome, porquê nome não tem dono. Quem responde é quem você chama – com seus pensamentos, suas emoções e suas intenções.

 

Exorciza padreco, exorciza !

 

Mas E…!

E o hebraico?

E o latim?

E o enochiano?

E aquelas línguas que são mais “próximas de deus”, que nos conectam com ele porque possuem a “essência de todas as coisas”?

Bem. É bom que você tenha perguntado isso caro leitor.

Sim, alguns paradigmas nos dizem que certas entidades só respondem se forem chamadas, por exemplo, em latim ou em aramaico. O próprio deus judaico (que também deveria ser o cristão, mas já há muito que não é) teoricamente só responde àqueles que sabem evocar o seu nome corretamente. Por isso é que certos sistemas de magia dependem do aprendizado de suas línguas-mãe, e por isso também que, por exemplo, ao orarmos uma oração cristã em latim, temos uma eficiência consideravelmente maior.

Fica mais fácil acessar a forma de pensar e a forma de sentir dos deuses e entidades relacionados a uma cultura quando aprendemos sua língua, especialmente porquê a língua de uma cultura é parte integrante de sua visão de mundo, de seu paradigma, dizendo muito sobre ele. Também é por isso que o aprendizado da língua Yorubá no candomblé, por exemplo, costuma ser quase mandatório.

Porém, nesse sentido, gostaria de aliviar um pouco os medos de você, leitor amigo. Afinal, levada ao pé da letra, essa regra nos diria que é impossível entrarmos em contato com enochianos ou entidades hebraicas, pois não sabemos a pronuncia adequada de seus nomes e das orações para acessá-las.

Por sorte…

 

 

Deuses têm Faces

E eu não estou falando das três faces de Hecate, ainda que elas se relacionem a isso levemente. Estou dizendo que deuses, assim como entidades, são seres com certo nível de flexibilidade, tanto em sua forma de pensar quanto em sua forma de sentir.

Um elemento como falar a língua original do deus em questão grandemente facilita o contato com ele, mas não impede que, através de bastante esforço, um humano consiga acessar o suficiente da forma de pensar do deus ou entidade original para, com isso, acessá-lo. Não é uma questão de pensar ou sentir exatamente igual ao deus ou entidade em questão. É uma questão de pensar ou sentir minimamente em sintonia com eles, para que eles possam se aproximar e, com permissão, expandir sua própria visão, entendimento e percepção do mundo – efetivamente te ensinando a pensar e sentir como eles.

Às diferentes manifestações de um deus através dos tempos, que podem ser acessadas até mesmo depois que uma nova manifestação já surgiu, chamamos as suas faces.

Como diriam os alquimistas – para fazer ouro, é necessário ter ouro. Por exemplo, é perfeitamente possível evocar Odin sem saber Islandês antigo. Ou evocar Wotan sem saber alemão antigo. E se você fizer direito, ambas as evocações serão o mesmo deus, ainda que ele se apresente com forma de pensar e forma de sentir consideravelmente diferentes.

Como sabemos que são o mesmo deus? Porque a mesma entidade mantém o centro do seu paradigma, a sua Verdade Pessoal, ou seja, a sua Individualidade Mental, intacta, mesmo após tomar diferentes faces. Mas isso é assunto para outro texto. Para contatar uma entidade ou um deus, é necessário ter um pouquinho dele dentro de si. Só o suficiente para um primeiro contato. Depois as coisas ficam mais fáceis.

 

Paz e Love bros. Paz e Love.

 

Conclusão

A boa coisa de se estudar as invocações e as entidades que existem no mundo é evitar as ciladas em que tantas vezes caímos. Mas talvez a melhor de todas as dicas seja sempre a mais simples:

Se após o contato com uma entidade você se sente desmotivado em um caminho que lhe leve ao aumento da consciência, do auto-conhecimento e da percepção e exploração do mundo e da natureza, esse caminho não tem coração e essa entidade não lhe traz crescimento.

Reveja teus passos!

E até a próxima.

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6 Comentários

  1. Baseado no texto anterior que comentei, me senti um pouco “órfão” nesse mundo, pois sempre entendemos que havia um Deus pai, que de alguma forma nos protegia. Desculpa a minha infantilidade no assunto, mas sou realmente uma pessoa que busca muito a se melhorar e aprender. Minha identificação com a umbanda sempre foi forte, muito embora eu veja coisas que não concordo em diversos lugares, mas sempre vi se tratar ou se reportar muito a figuras que possuem esse referencial de proteção e até mesmo de exemplo de vida, como Jesus e Nossa Senhora. O que dizer sobre isso? Essas pessoas de fato existiram e de fato realizaram tudo que se diz historicamente (sei que existem histórias e histórias sobre isso, quais são suas opiniões? Gostaria de saber).

    É um erro se dirigir a uma entidade ou pessoa que possivelmente não existiu da forma como se tem em senso comum pela grande maioria das pessoas no ocidente? O que isso pode acarretar?

    Obrigado pelo auxílio e pela paciência! Abraço!

    1. Olá Rafael!

      Novamente, seja bem vindo :)

      Desculpe por não responder mais cedo. Passei um tempo fora.

      Bem, quanto à existência de Jesus ou de Nossa Senhora, havemos que dizer que existiram sim figuras históricas (mais de uma) no período, e que elas estiveram sim envolvidas em “alguma coisa” ali naquela região.

      O período do governo dos Imperadores Romanos da dinastia Júlio-Claudiana (de Augustos a Nero) foi muito conturbado, e houveram várias revoltas nesse período – especialmente naquela região do Oriente onde, de fato, os Hebreus estavam sob o domínio romano e eram obrigados a pagar impostos a roma (como um terço do mundo com registro histórico à época…).

      Então houveram sim vários “jesus” históricos, e, inclusive, se formos ver o Gnosticismo e o Hermetismo, eles nos dão uma figura muito interessante de um Jesus conhecido como Yeshua Ben Josef, cujo contato com forças superiores teria de fato ocasionado vários “milagres” (ainda que não no nível descrito na bíblia).

      Então só posso dizer que a história não registra nenhum “jesus oficial”, mas que há sim traços de “homens santos” nessa época, e traços deles terem movido multidões e feito milagres :)

      Já quanto a você manter culto a essas entidades, o que pode ocasionar é uma das entidades criadas pelos milênios de culto eventualmente “te abraçar” – o que pode ser tanto benéfico quanto maléfico para você, em vários níveis, pois dependerá de cada uma. (O deus cristão, especialmente o católico, de antes da Revolução Industrial, ou da Reforma Prostestante, e o atual são tão diferentes quanto água e óleo….).

      Se você gosta de Umbanda e ainda assim sente falta de uma figura “paterna maior”, porquê não procurar pela Umbanda Cristã ?

      Ela pode te ajudar bastante :)

      Eu também recomendaria iniciar um processo de autoconhecimento e análise para chegar mais fundo nessa sua necessidade, isso certamente te dará grandes frutos no futuro!

      Boa sorte meu caro 😀

  2. Muito obrigada por compartilhar essas ideias.
    Tinha esse sentimento em mim, mas não sabia expressar.
    Texto muito esclarecedor, obrigada!

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