A magia funciona? pt. II

Dando continuidade ao texto anterior A Magia Funciona?. Vamos aprofundar em mais um conceito, num erro comum que as pessoas cometem, na visão deste que vos escreve.

Já vimos que a magia funciona através de uma espécie de teia de eventos, que chamamos de realidade. O paganismo nórdico chama essa teia de Wyrd, vocês podem ler mais sobre no texto Wyrd & Orlog: O Destino na Concepção Nórdica do Ravn.

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     Wyrd, o Tear do Destino

Muita gente acredita que magia são rituais, mas afinal, o que eles são? O rito é o que justifica o mito. Um rito é um conjunto de atividades, organizadas de uma determinada maneira para algum fim. O mito é a crença.

Um exemplo, o mito cristão “Jesus se sacrificou para levar os pecados da humanidade”, é o que justifica o rito da caridade “doar-se para os outros”, se sacrificando (sacro ofício, trabalho sagrado) você estaria se santificando e expiando os pecados da humanidade (aliviando a dor do outro). Vou aproveitar esse exemplo e abrir um parênteses pra explicar o tipo de problema que essa crença traz no texto O mito cristão e a dor do mundo.

Então, um ritual é um método para atingir um objetivo, baseado em alguma crença. Um rito possui elementos simbólicos, que de alguma forma, ativam partes do subconsciente, pondo energias em movimento a fim de realizar o intento daquele que o pratica.

Dependendo do conhecimento dos símbolos e do que nós chamamos de Vontade do magista, o rito será de fato um ato mágico e obterá sucesso.

Uma frase que eu costumo falar para iniciantes, é de que magia não é receita de bolo.

Vemos por aí, muitas pessoas pedindo ritos, estas pessoas tem a crença cinematográfica que a magia é uma fórmula para obter algo, bastando seguir os passos nela. Quando isso não acontece, temos de praxe aquela maldita frase de que “magia não funciona”.

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Vejamos, por que ela não funcionaria?

Porque ela não é uma receita de bolo. Aquele que criou o rito, o fez baseado na sua própria Vontade, foi ele quem materializou aquele pensamento, através de símbolos que estão no seu subconsciente e conseguindo o intento desejado.

Mas e por que tem ritos que funcionam?

Veja bem, eu não disse que nunca funciona. Quando muitas pessoas fazem o mesmo rito, estão criando uma egrégora. O ritual menor do pentagrama tem a sua egrégora, e através dela, toda pessoa que o realizar terá uma chance de sucesso. Quanto mais ele conhecer os símbolos envolvidos, mas forte o rito será. Mas o fato é, que ele não será tão poderoso quanto um rito criado por você, manifestado através da SUA Vontade.

O seu subconsciente é um Universo inteiro moldado a sua visão. Tudo que nós aprendemos, vem de fora dele. Quando materializamos algo, como um sigilo caoísta, alfabeto dos desejos ou um simples poema, nós estamos fazendo o caminho inverso. Manifestando algo, até então imanifesto, que vem diretamente do seu Universo pessoal: o seu subconsciente. E qual a diferença disso? Vamos aprofundar mais.

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Caosfera, a Estrela do Caos


Quando fazemos um rito, nós ativamos fatores no subconsciente, que moverão energias através das nossas teia de eventos, que é a nossa ligação com a realidade. Quando o rito tem uma egrégora, nós nos conectamos com ela e através dessa conexão, isso também poderá ser realizado. Mas quando nós criamos o nosso próprio rito, temos uma chave que conecta o manifesto diretamente ao nosso imanifesto, é nele que temos o acesso a essa teia de eventos, podendo assim, causar mudanças nela, pois é através dela que nós experimentamos a realidade.

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  Merlin no filme Excalibur

O grande presente que o caoísmo nos trouxe, foi abrir a mente para o conceito de Caos. Ele seria essa chave do subconsciente, um plano onde todas as possibilidades existem, pois ainda não foram manifestadas. É como uma folha em branco, você pode escrever infinitas histórias diferentes nela, você pode dobrá-la em inúmeras formas, você pode molhar o papel, rasgá-lo, queimá-lo. O papel em branco é o imanifesto pois ele pode tornar-se alguma coisa, mas até então ele é apenas possibilidades.

Erroneamente as pessoas acham que Magia do Caos é “fazer de qualquer jeito”, apenas um método de sigilo. Ou pior ainda, caos é desordem e bagunça, estes, pobres almas, estão cegos e são estéreis.

O Verdadeiro Caoísta é aquele que entendendo os símbolos, os manifesta, criando uma ponte entre sua mente consciente e subconsciente, e através dela, controlando a sua teia de eventos, através de seus próprios ritos. Assim, ele molda a sua realidade a sua Vontade. Este, é o verdadeiro Magus.
Não estou dizendo que é errado fazer os ritos dos outros. Apenas quero abrir a reflexão para que tenham em mente que magia não é receita de bolo, Magia não é só replicar e obter sucesso: Magia é a manifestação da Vontade.

Isso também abre uma lacuna para o que vemos em ordens iniciáticas. Os poucos Magi que atingiram a iluminação, proferiram a sua palavra e a fórmula de seu Aeon.

Quantos fizeram isso? Quantos grimórios com mais de 200 anos nós ainda utilizamos?

Por que atualmente, não temos magos manifestando a sua Vontade e sim, magistas praticando a Vontade daqueles que foram um verdadeiro Magus?

Reflitam.

 

PAZ
K.

kass

 

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