A Árvore da Morte de Naruto

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Continuando de onde paramos no nosso no último texto, exploremos hoje a Árvore da Morte presente no mangá Naruto.

Como pretendo evitar de trazer o contato com as energias qliphóticas para este post, irei abster-me de nomeá-las ou descrever em detalhes suas características. Irei descrevê-las apenas de forma superficial e dar mais ênfase ao modo com o autor lidou com elas – isso é, à forma como o Herói Solar venceu as qliphot.

 

Mizuki

 

Qlipha de Malkuth

O primeiro vilão de Naruto, Mizuki, representa o primeiro desafio a ser vencido pelo Herói Solar – o desafio da Fornicação – isso é, dos atos físicos realizados sem propósito. Naruto inicia sua jornada realizando diversos pequenos atos de vandalismo, cuja origem estava tão somente na sua própria rebeldia sem sentido. Eram atos vãos de sentido, meras válvulas de escape para os conflitos interiores do herói, e que em nada ajudavam-no a resolvê-los. Mizuki é a expressão mais sombria desse mesmo tipo de problema – um vilão cujo motivo para agir vem de raivas, ódios, invejas e outros sentimentos que ele próprio não sabe como trazer à tona, seja para curá-los ou para saciá-los. Assim, fornica – ou seja, age no plano material para dar vazão a seus impulsos sem que isso produza qualquer fruto.

Mizuki é vencido pela propriedade oposta – se sua Qlipha representa a fornicação, o que o herói solar faz para vencê-lo é justamente o sexo sagrado – a comunhão de seu lado masculino, ativo e expansivo, com o seu lado feminino, perceptivo e sagaz.

Perante essa comunhão, há assim a geração de um fruto que será a base para todo o desenvolvimento posterior do personagem e jamais deixará de ser uma peça fundamental em seu desenvolvimento. A “criança sagrada” nascida dessa união dos sagrados masculino e feminino dentro do herói é nada menos que a técnica do Clone das Sombras (Kagebushin no Jutsu), técnica mais famosa do personagem e também uma perfeita representação do que ocorre quando dominamos a Qlipha de Malkuth e manifestamos essa esfera em sua pureza luminosa – a Abundância, Fertilidade e Prosperidade materiais.

Assim, por meio da superação da Qlipha de Malkuth e do aprendizado da Fertilidade, Naruto produz abundância que destrói a fornicação.

Esse é o aprendizado do primeiro capítulo.

 

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Qlipha de Yesod

A segunda Qlipha, a Qlipha de Yesod, nos fala do que ocorre quando o plano das Fundações, isso é, o plano das Emoções, está desequilibrado. Essa Qlipha, cujo defeito é a Acídia, a preguiça espiritual, se mostra por meio dos sentimentalismos, friezas de coração ou totais vazios emocionais e motivacionais, dependendo de qual das energias necessárias para seu equilíbrio (razão, sentido ou ambas) está em falta.

Em Naruto, o par de vilões que representa essa Qlipha são Zabuza e Haku. Esses personagens representam todas as três manifestações da acídia. Primeiramente, Zabuza representa a total falta de empatia, coração e sentimento, advinda da falta de Sentido (netzach). Haku, por sua vez, representa a total falta de desapego, percepção de si em relação ao todo e capacidade de imaginação, advinda da falta de Razão (hod). Por fim, após a morte de Haku, Zabuza transmuta-se naquele desvalido de ambos Razão e Sentimento, dando vazão à pessoa que é simplesmente Vazia de fundação, isso é, de qualquer firmeza – seja de propósitos ou emocional.

É representativo, inclusive, como as formas de lutar de ambos os personagens se encaixam nessa classificação. Zabuza primeiramente aparece como um mercenário cujos métodos de luta são agressivos, mas medidos. Cujo uso de estratégia é coerente, mas que não possui escrúpulos em fazer sacrifícios para alcançar seus fins – sendo esses puramente monetários. Já Haku aparece como um rapaz feminino, cujos métodos de luta se baseiam em ilusões e evasão, interessantemente reproduzindo a figura do Espelho – um método de Evitação e Fuga que, quando traduzido para a vida cotidiana, é representativo daquelas pessoas que, quando pressionadas, se defendem da pressão atacando ao outro para se esquivar de perguntas ou pressões incômodas. Por fim, Zabuza, após a morte de Haku, aparece como um homem vazio de firmeza ou propósito, agarrando-se à primeira oportunidade que vê de obter algum tipo de “redenção” para si mesmo, ainda que essa redenção não faça verdadeiro sentido, sendo apenas um suicídio vão.

Sua forma de luta, nesse estágio, é desesperada e suicida, demonstrando a falta de razão ou empatia. Haku e Zabuza foram vencidos pelo herói solar (naruto) por meio do uso da Qlipha de Geburah – isso é, do poder proibido do demônio interior do herói, que trouxe, por meio da raiva, a violência necessária para destruir a ambos. Interessantemente, os discípulos de Toryama costumam utilizar a Qlipha de Geburah de forma recorrente em seus trabalhos.

Porém, o uso do demônio trouxe consequências. Isso porque, durante o encontro com Zabuza e Haku, o herói solar deveria aprender a lição de Yesod – a Diligência, isso é, a capacidade de encontrar o próprio ritmo ideal de crescimento, firme, emocionalmente estável e seguro, e a ele seguir.

Ao meramente destruir os demônios guardiões da Qlipha com o uso de um demônio superior, Naruto não aprende a diligência – que lhe será ensinada durante todo o curso do mangá, redobrando seus esforços e tornando sua jornada mais difícil. Esse aprendizado só se torna completo quando, após a última batalha, enfrentando Sasuke, Naruto finalmente consegue superar o exato trauma pelo qual passaram no enfrentamento dos demônios de Yesod – quando Sentido e Razão são finalmente equilibrados  – para ambos.

 

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 Qlipha de Hod

Os próximos três vilões da obra aparecem em sequência, ainda que levemente não-linear, já que os conflitos com os três ocorrem simultaneamente e, com exceção de Gaara, irão de fato se arrastar por todo o mangá, até seu final. Porém, é seguro afirmar que o terceiro vilão de Naruto é ninguém menos que Sasuke, aquele que, durante o arco da provação de Yesod, ocupava a posição de Hod na Árvore da Vida da jornada do nosso herói solar.

Sasuke torna-se corrompido com o aparecimento das forças qliphóticas evocadas por Naruto durante o arco de Zabuza e Haku e assume o posto do Mentiroso, também conhecido como Traidor. O herói solar é incapaz de superá-lo e novamente, por conta do aparecimento do demônio da Ira, consegue expulsar o demônio, mas se torna incapaz de iluminar Hod, perdendo o suporte da Razão durante sua Jornada. Sasuke somente será derrotado e levado de volta ao seu posto ao lado do Herói Solar após o fim das provações, quando o demônio da Ira, contido, houver sido transformado em Mansidão.

 

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Qlipha de Netzach

Gaara é um personagem emblemático em Naruto. Sua vilania advêm do simples fato de não ser amado, de não ver sentido na existência dos demais e de estar perpetuamente assustado. Em meio a esse estado de confusão, o personagem cria para si proteções psíquicas e literais feitas de pura capacidade destrutiva e dispersiva – entregando-se aos seus impulsos destruidores, e se deixando levar pela Luxúria, isso é, pela enigmática força que nos compele a realizar atos não como válvula de escape para nossas necessidades, mas como forma de provar uma ideia ou conceito, isso é, de reproduzir um símbolo por meio de atos cujo objetivo é não outro se não esse – o de mostrar o símbolo.

Gaara, contudo, consegue ser retificado por Naruto, que o combate e, durante esse combate, lhe ensina o valor da Castidade – isso é, do amor a si próprio, da empatia, do ágape e, acima de tudo, do correto uso dos símbolos e atos simbólicos – que devem servir não para serem reproduzidos de forma obsessiva, mas sim de forma pragmática para gerar mudanças positivas no mundo.

Este aprendizado, por sua vez, torna-se não só necessário como basilar para o Herói Solar, que, com o uso dessa Castidade, será capaz de resistir às tentações que lhe virão pelo caminho – na forma das ramificações de suas próprias dificuldades interiores.

 

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Qlipha de Tipheret

Orochimaru e Kabuto são os grandes vilões de Naruto – aqueles que estão sempre nas sombras e, ao mesmo tempo, em destaque. Sua posição, contudo, é estranhamente inabalável. Não importa o que aconteça, ambos possuem a maestria de todas as forças qliphóticas, sendo o Caminho e a Via pela qual alguém pode acessá-las, assim como os mestres das forças do Conflito. Orochimaru e Kabuto, portanto, se mostram como os Maiorais de Naruto – aqueles que possuem acesso a todas as forças malignas, e cuja única forma de Vencer é Integrar.

De fato, ao fim do Mangá, Orochimaru permanece vivo – o que não é de se surpreender já que os demônios da Qlipha de Tipheret jamais podem ser mortos, sendo imortais que renascem do próprio ato de morrer. Porém, está transformado, trabalhando em projetos que, a pesar de trevoso, visam o uso de forças como as do herói solar, e o domínio e entendimento dessas forças não só por suas próprias razões mesquinhas, voltadas ao domínio de todo poder do mundo, mas de fato por pura, simples e desinteressada Vontade livre de Expectativas.

Naruto vence Orochimaru não na primeira batalha de ambos, nem na segunda ou na última, nem com o uso do demônio da ira ou de outras forças do tipo. Vence-o utilizando-se de si mesmo, invertendo a polaridade dos atos desse vilão, para que ele se torne útil ao universo ao seu redor enquanto uma força que, assim como o herói solar, une e atrai outros para a manifestação de suas Vontades.

 

Akatsuki

 

Qlipha de Geburah

É interessante notarmos que, ao enfrentar a Qlipha de geburah, isso é, o grupo conhecido como Akatsuki, Naruto pouco aparece.

Ao contrário, aparecem aqueles que foram tocados por ele, representando como uma luta contra adversários que sejam adequados a cada qual lutar para crescer. Isso porque, nessa obra, o herói solar tem, no demônio da ira, seu maior desafio. Desafio que inclui mais do que meramente a raposa de nove caudas, incluindo principalmente e acima de tudo o domínio do herói sobre sua própria raiva.

Para fazer tal coisa, porém, seria necessário, na vida real, muito mais do que meramente sentar e meditar. Seria necessário àquele que está habituado a cair em Ira que enfrentasse as inúmeras faces da Ira que despertou em sua Queda. E assim o é nesse Arco do mangá.

Diversos personagens Secundários, todos havendo sido tocados pelo herói solar em algum momento e representando facetas do mesmo, cumprem a função de demonstrar essa transformação enquanto o herói de fato passa silenciosamente pelo processo. Seja selando aquelas facetas Imortais (falaremos mais do ato de “selar” quando chegarmos a Kaguya), seja efetivamente destruindo-as, todos esses personagens crescem, demonstrando um crescimento que, originalmente, seria do Herói Solar em uma obra ocidental clássica. Ao fim do arco da akatsuki, então, o Herói Solar, agora já capaz da Mansidão, enfrenta o maior representante da ira – ele mesmo.

Sim, Kurama, a raposa de nove caudas, usa da Ira para tentar possuir Naruto. Porém, ela não é a Ira em si, e sim um ser oportunístico que se usa da Ira.

O domínio da Ira vem com o aprendizado da Mansidão, que permite a Naruto dominar Pain, aquele que representa o Maioral dentro da Qlipha da Ira, e, por fim, até mesmo perdoá-lo e ensiná-lo sem temer a ira do mesmo – reproduzindo a atitude corajosa de Iruka, seu mestre no primeiro arco do mangá, e assim superando esse desafio. A mansidão, desnecessário dizer, será pedra fundamental para o desenvolvimento do personagem – já que será necessária para que o mesmo, novamente, possa usar todo o seu poder no futuro.

 

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Qlipha de Chesed

O vilão relacionado à Qlipha de Chesed, Tobi, representa a Gula. Seu desejo é por mais e mais poder, mas sem possuir um motivo ou bom uso para o mesmo. Tobi, porém, não é derrotado a tempo pelo Herói Solar.

Ainda que houvesse essa possibilidade, pelo uso da Mansidão e da Castidade, uma força superior (a Qlipha de Chockmah) impede a ação do Herói Solar, que não consegue derrotar de imediato esses vilões. Não antes de ser jogado nas duas Qliphas seguintes.

 

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Daath

Daath não é Qlipha nem Sephira. É um “algo” que une os mundos do equilíbrio e do desequilíbrio, da vida e da morte. É um “espaço inominável”, onde apenas uma tempestade de fragmentos da realidade constantemente esvoaça, todos eles sendo constantemente reduzidos a fragmentos ainda menores.

Daath é um portal para forças neutras, poderosas e selvagens. Em Naruto, Daath é a força das dez bestas sagradas, essas forças primordiais feitas inteligentes e animalizadas por uma inteligência superior. Ao passar por Daath, Naruto se livra de tudo que era antes dali.

Acompanhado de nada, isso é, livre de tudo exceto suas qualidades e defeitos, o herói solar entra em contato com essas forças e as cativa – tornando-as aliadas ao apresentar-se a elas de forma despretensiosa, desinteressada, respeitosa e, ainda assim, humana e amigável. Por meio de sua Luz e de sua conexão com o mundo da Luz, o Herói consegue a submissão das Bestas, que lhe dão os seus Nomes – e assim se colocam a seu serviço, desde que para fins que lhes agradem, ou ao menos desde que para fins que não lhes desagradem tanto que se rebelem contra ele. Assim como aquele que atravessa o Abismo deve domar os demônios e descobrir seus nomes verdadeiros para ter acesso ao mundo superior, Naruto também o faz.

 

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Qlipha de Binah

A Besta de Dez Caudas surge quando todo o poder do mundo, exceto aquele presente no Herói, é condensado em um único ser. Inicialmente descontrolado, tendo como princípio apenas devorar e condensar dentro de si o poder, esse ser, a Besta de Dez caudas, é então absorvida por Tobi – que continuava a receber o auxílio de Zetsu, o guardião da Qlipha de Chockmah.

A Qlipha de Binah representa o ocultamento. E ela é vencida quando tudo que está Oculto é Revelado, e a Compreensão toma a todos. E a partir desse momento, o Herói não possui mais as ferramentas necessárias para isso – pois para trazer o Entendimento, seria necessário que ele houvesse vencido todas as Provas pelo caminho.

Seria necessário que fosse fértil, firme, honesto, casto, magnânimo, manso e caridoso. E também que tivesse ao seu lado todos aqueles que eram os representantes desses poderes. Ao invés, o herói é apenas fértil, casto, magnânimo e manso. Assim, em um primeiro momento, morre e é derrotado por ter visto a face da Besta.

Mas o mangá encontra uma forma de contornar tal coisa ao adicionar aqui a figura do Eremita dos Seis Caminhos – aquele que domina todas as características exceto a fertilidade, sendo firme, honesto, casto, magnânimo, manso e caridoso, ainda que não fosse fértil em seu legado. O Eremita parece aparecer como uma força Ex Machina, mas o contato com ele apenas é possível graças aos esforços do Herói em se conectar com as forças de Daath.

É por meio do contato com essas forças, e da submissão delas ao Herói, que um ser superior, mais iluminado e que originalmente dominou essas forças antes do herói, se digna a contatá-lo. A Besta, assim, é derrotada quando por meio de todas essas características Obito é convertido e Madara está prestes a ser selado (o que é o limite do que um poder emprestado pode fazer). Porém, nesse momento, aparece a influência final de Zetsu, o Guardião da Qlipha de Chockmah.

 

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Qlipha de Chockmah

Zetsu, ou, mais apropriadamente, Zetsu Sombrio, é um ser derivado diretamente da Qlipha de Kether, e aquele que possui a tarefa e o poder de disseminar o caos. Sua função e poder são aqueles de estar além da Compreensão e do Entendimento, como um enviado sombrio cuja força é a de um caos que gera destruição desenfreada. Sua ação é breve, mas o herói solar novamente não consegue impedi-lo.

Conseguisse, e passaria por uma transcendência – ascenderia a um plano onde possuiria poder superior, capaz de gerar a partir de si novos Entendimentos e novos Destinos. Porém, ao confrontar tal ser, se vê impedido pelo aparecimento de outro.

 

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Qlipha de Kether

Kether representa o Uno. A União. A percepção de que todas as coisas, por mais individuais que sejam, formam um único conjunto de coisas. Já a Qlipha de Kether representa o múltiplo. O oposto. E o conflito. A percepção de que todos os conjuntos são formados por partes menores, e a limitação de si mesmo a uma delas, vendo as demais como não fazendo parte de si mesmo. Assim, é a fonte de todo o conflito.

Kaguya, a mãe do chackra, é uma remanescente de um tempo onde os seres humanos, no mundo da obra fictícia, existiam independentemente do chakra. Onde uma árvore continha todo esse poder, e onde ela, sozinha, decidiu agir para tomar esse poder para si. Assim, tornou-se poderosa e passou a se ver como diferente dos demais – como opositora deles, e diferente em natureza deles. Nisso, tornou-se guardiã da Qlipha de Kether, e, na obra em questão, demonstrou a necessidade de o Herói Solar transcender os aprendizados.

Caso estivesse munido de Fertilidade, Firmeza (Diligência), Razão (Humildade), Sentido (Castidade), Vontade (Magnanimidade), Disciplina (Mansidão), Bondade (Caridade), Poder (Conhecimento), Inteligência (Entendimento) e Sabedoria (Experiência), o Herói Solar provavelmente seria capaz de ultrapassar o desafio que Kaguya representava, possuindo na obra poder comparável ao dela e capacidade para destruí-la, assim regenerando a Qlipha de kether, isso é, desfazendo a ilusão da separação dos seres entre o “ser divino” e o “ser humano”. Porém, o herói falhou em diversas de suas provas, e nunca retificou seus erros.

Assim, mesmo com ajuda externa, o máximo de poder que obteve foi aquele suficiente para Selar Kaguya – isso é, o poder para castrá-la de suas capacidades de influenciar o mundo e jogá-la a uma espécie de tártaro – a um local distante, uma prisão onde não pudesse influenciar o mundo ou o herói. Assim, ao fim do Mangá, assim como fez com partes de sua Ira, Naruto termina por selar Kaguya – não regenerando a Qlipha de Kether, mas postergando a destruição que a mesma poderia causar para outra ocasião, onde pode reiniciar sua jornada do zero, ou deixar que outro torne-se o novo Herói, que com sorte dessa vez retificará todas as Qliphas ao invés de ter de selar algumas delas.

 

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Retificações Póstumas

Eventualmente as Qliphas de Yesod e Hod se retificam após a batalha final entre Naruto e Sasuke.Porém, agora já é tarde demais – diversos aspectos das Qliphas de geburah, Chesed, binah e chockmah foram deixados intratados, logo, é impossível que o Herói consiga superá-los, a menos que rompa os Selos e busque reiniciar sua jornada.

 

O final do mangá é especialmente significativo. Sasuke, o seguidor de LHP, perde sua mão esquerda. Naruto, o seguidor de RHP, perde sua mão direita. Ambos agora seguirão pelo Caminho do Meio, sendo balanceados um pela existência do outro.

 

Conclusão – A Retificação do Mundo

Ao fim dessa obra, e começo das obras derivadas, o mundo shinobi apresenta grandes mudanças.

Sim, grandes tragédias ocorreram, mas o mundo como um todo está mais Fértil, Casto e Manso. Foi em parte retificado graças aos esforços do herói. Por outro lado, ainda apresenta desafios, mesmo que atenuados, no que diz respeito a diligência, honestidade, caridade e entendimento. E, por fim, está apenas um pouco menos caótico, mas ainda está em tanto risco quanto antes, pois Kaguya não foi derrotada, apenas selada – e se encontra adormecida no mesmo estado em que se encontrava antes do início do mangá.

Em outras palavras, houve progresso, mesmo que não perfeito ou total. Assim, Naruto demonstra como diversas pequenas Jornadas Solares conseguem, ainda que de forma incompleta nessa obra, retificar o mundo – ainda que de forma imperfeita. Por meio do enfrentamento das provas ao nosso redor, aprendemos, modificando nosso universo interior, e ao mesmo tempo modificamos o universo externo a nós, na medida de nossa influência.

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