Ninguém de respeito quer ser teu mestre

Quando o aluno está pronto, o mestre aparece.

Bobagem. O mestre não aparece faz um bom tempo, principalmente por estas quatro razões:

1 Ninguém tem tempo para ser teu mestre
2 Ninguém não sabe o que quer aprender
3 Ninguém quer dialogar, só ditar regras
4 Ninguém admira os próprios amigos

A principal dúvida de um iniciante é: onde encontrar um bom mestre? Mesmo que o iniciante não esteja procurando um mestre com quem conversar diariamente, ainda precisa saber onde encontrar um material confiável para estudar. Quem escreveu esse material? Com quem conversar para tirar dúvidas?

O problema não é apenas no mundo da magia. É um problema que existe há muito tempo e em grande parte do mundo profissional também.

Talvez fosse mais fácil há alguns séculos, em cidades pequenas ou mesmo aldeias. O ferreiro seria mestre de seu filho mais velho, que herdaria a profissão e a oficina do pai. O filho mais novo seria enviado a um sapateiro, ou a um carpinteiro, ou mesmo a um escultor sem filhos para ser seu auxiliar e, com sorte, aprendesse o suficiente para um dia começar sua própria oficina. Havia poucas opções, a confiança na escolha era obrigatória.

O mundo não mudou muito. Além das dificuldades comuns, a oferta de conhecimento guiado no mundo mágico sempre foi, e ainda é, mais difícil do que nas outras sendas. E, mesmo que se encontre alguém, como saber se esse alguém é confiável? Há muitas opções, mas elas são confiáveis?

Então, separei algumas respostas. Não são boas, mas são honestas.

Ninguém tem tempo

Primeiro, vamos tirar o elefante da sala: ninguém tem tempo para isso.

Alguém só vai querer mentora (péssimo verbo) se também for ganhar algo com o processo. Ou seja, se tu já fores bom o suficiente.

A maioria das pessoas procura mentores que queiram guiar todo o caminho até o sucesso. Não é uma boa ideia. De que adiantaria? Se eles têm capacidade de escreverem sua própria Magnus Opus, para que precisariam de ti? Para atrapalhar? Para fazer perguntas idiotas e redundantes durante todo o processo de criação?

Os melhores mentores são aqueles que querem ser uma nota de rodapé na tua biografia[1].

1 Senhor Fulano de TAL, orientou o grão-mestre magnânimo Shbaa entre 2011 e 2012. Também escreveu tratados sobre magia.

Saiba o que quer aprender e pergunte

Deixe sua curiosidade guiar no início do percurso e depois trace um plano. Ou ao menos pequenos planos.

Eu já disse que para fazer algo é preciso deixar de fazer todas as outras coisas. Deixe de fazer perguntar sobre o que tu não quer aprender. É esse foco que se faz necessário no aprendizado. Não adianta ficar ruminando posts aleatórios de Facebook ou de outros fóruns menos higienizados na internet atrás de algum desconhecido para ensinar o que ele quiser.

Contate quem quer conversar sobre o assunto

Grupos de estudo são incrivelmente subestimados.

Mais do que um mestre, é importante ter outras opiniões. Converse, questione, não tome nenhuma resposta como definitiva. Desconfie dos que conhecem servidores milagrosos, mas continuam a discutir sexualidade em grupelhos digitais. Não siga vendedores de pactos usados ou representantes de verdades cosméticas.

Depois de saber o que aprender, contate uma pessoa que pareça entender do assunto: alguém que publicou um texto sobre o assunto de interesse em redes sociais, blogs pessoais, páginas informativas. Colecione esses contatos.

Eu sei que parece coisa de consultor de RH dando entrevista no Fantástico. Mas isso é importante. Bastam dois ou três contatos contínuos. Acompanhe essas pessoas por alguns meses, anos. Veja como elas também mudam, como também aprendem. As opiniões ficam mais flexíveis com o tempo e esse é o caminho certo. Aprenda com isso.

Rodeie-se de pessoas admiráveis

Pesquisas sugerem que o jeito mais fácil de ficar rico é se rodear de pessoas que já tenham dinheiro.

Existe algum grupo ou revista ou publicação que divulgue informações sobre as quais vocês querem aprender? Vá lá, comente, sugira assuntos, entre na discussão.

São precisas poucas coisas para participar de discussões proveitosas:

1) Ter algo a acrescentar
2) Ter algo a questionar
3) Ser cordial

E nem é necessário ter as três qualidades ao mesmo tempo. Na maioria dos casos, duas bastam. Quaisquer duas. Quem sabe questionar e tem sempre algo a acrescentar pode ser estúpido, e as outras pessoas ainda vão querer conversa. Quem não tem respostas, mas sabe fazer as perguntas certas de um jeito amigável, também.

Só não cobre respostas sendo arrogante; nem xingue quem não concorda com tua explicação. Isso nunca funciona. Isso é mais parecido com o comportamento dos falsos mestres que nós todos devemos evitar.

E é possível que, sendo cordial, questionando o que os outros falam e acrescentando fatos relevantes às conversas, alguém venha te pedir que seja seu mestre. Seja respeitável e diga “não”. Faça-o pensar por si mesmo.

Sbhaa.

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