Nenhum outro deus além de mim

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Diz a lenda que quando Avraham/Abraão foi visitado por três anjos, ele reconheceu seu Criador. Avraham não viu três anjos. Também não viu a “Trindade”. Avraham viu seu D’us por trás dos anjos.

Maimônides, no século X, comentou sobre a crença de que, no tempo de Enosh neto de Adam, os sábios haviam cometido um grave erro:

Aprenderam que D’us havia criado as estrelas e os planetas, para influenciar a vida dos homens. E aprenderam que D’us honrava e homenageava as estrelas e os planetas pelo seu trabalho incansável. Enosh e os sábios deduziram que eles também deveriam honrar e homenagear as estrelas e os planetas. Construíram templos e inventaram cerimônias dedicados às estrelas e aos planetas. E começaram a chamar pelos nomes dessas estrelas e desses planetas em vez de chamar pelo nome de D’us.

A lenda ilustra rapidamente o ponto de vista judaico sobre o segundo mandamento. O mandamento é tão forte que é mesmo proibido fazer imagens (em pinturas ou esculturas) para evitar que se confunda as imagens com “ídolos”. Exceto no Kadosh haKodashim, o Santo dos Santos, onde há duas estátuas de anjos – mas essa é outra história.

Mas, evitando o proselitismo, que também é proibido, o que é, na prática, a idolatria? Idolatria é não entender metonímia. É adorar a parte, esquecendo-se do todo.

O que eu posso fazer, então?

Não sejamos paranóicos. Usamos a alegoria recorrente da mesa posta do judaísmo. Judeus creem que seu D’us fez um jantar. Nosso trabalho é aproveitar esse jantar. Não é adorar a carne, a massa, o vinho. É saboreá-los sabendo que, ao saboreá-los, estamos honrando o cozinheiro.

Shbaa.

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