Meguilat Esther, O Livro de Ester, Torah

A narrativa de Esther é um ótimo exemplo de uma lenda judaica construída no exílio da Babilônia e incorporada na forma de pensamento judaica. O leitor mais acostumado com lendas da região ou de religiões afins nota claramente o papel do Calendário na narrativa, incluindo a presença dos 3 dias de escuridão e das 4 fases da Lua.

O cristianismo, no processo de canonização da bíblia, selecionou adições ao Livro. No original judaico, é importante a quase laicidade do texto. D’us não é mencionado. O jejum é feito em nome da própria Esther. E a protagonista é a própria Esther, que articula sua libertação e a libertação de todos os judeus. Na versão cristã, o protagonismo passa a ser de Mordechai, que tem um sonho premonitório, agindo como salvador de Esther.

A narrativa de certa forma concilia o comportamento ambíguo de D’us na figura do Rei Ahashverosh, que condena o povo judeu à morte em um decreto ao mesmo tempo em que assegura ao povo judeu, no decreto seguinte, o direito de lutar pela própria vida.
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Algum filósofo nietzschiano poderia ainda interpretar hoje em dia que D’us ao mesmo tempo cria presa e predador. Validando o comportamento de ambos, cabe a cada um agir conforme sua natureza. A natureza do povo judeu é manter-se unido para sobreviver.

Shbaa.

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