Especismo ou a cadeia alimentar do credikarma

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A palavra do dia é #especismo: ideologia pela qual o ser humano tem direito de escravizar, torturar e matar quaisquer outras espécies.

Neste post, ofereço a visão judaica uma visão rápida sobre a posição do homem em relação aos outros seres.

Homem, senhor dos animais

a. De acordo com a interpretação cabalista (nota: “cabalistas” são judeus caçadores de letrinhas), Elohim diz a Adão que se alimente de qualquer planta do Jardim, mas o informa que é “senhor” dos animais. Não fica claro neste trecho que Adão categoria superior da Criação ou apenas responsável pelos animais. A interpretação comum é de que o Ser Humano, representado por Adão, deveria se portar como superior.

“Se portar como” significa que, apesar de ser muito semelhante aos animais, teria obrigações superiores, mais responsabilidades. Em especial, o ser humano tem obrigação de melhorar gradativamente sua essência através de suas ações, coisa que animais não fariam. Animais seriam apenas reflexo do instinto de preservação.

A primeira geração de filhos de Adão e Eva já fez caca, como todos devem saber. Cain, o agricultor, matou Abel, o pastor. Existem diversas interpretações para essa narrativa. Historicamente, a agricultura substituiu a cultura nômade. O humano agricultor matou o humano pastor e tomou seu rebanho para si, prendendo os animais em pastagens fixas. A interpretação Bem versus Mal nos diz que isso foi ruim, porque afastou o homem de D’us (enquanto Adão erra e se apresenta a D’us com cara de cão sem dono, Caim erra e esconde o assassinato). Na interpretação cata-letras, Abel agiu como senhor dos animais, enquanto Caim simplesmente colhia alimentos como os animais o fazem. Caim tinha oportunidade de ser até “maior que Abel”, sendo um senhor da terra. Mas deixou a oportunidade passar. E, comportando-se como animal, enfureceu-se, matando o irmão.

“Tudo o que vive e se move servirá de alimento para vocês. Assim como dei a vocês os vegetais, agora dou todas as coisas.” Bereshit 9:3

Gerações mais tarde, Noé põe os pés para fora do navio de Atrahasis – opa! – da Arca após o Dilúvio e recebe novas instruções. Dentre elas, se alimentar de todos os animais.

Nossos caçadores de letrinhas demoraram alguns séculos, mas finalmente interpretaram isso como uma confirmação de que IHVH queria que os humanos se colocassem como superiores aos animais. A mudança na lei teria sido necessária, porque os humanos estavam se comportando puramente como animais e deveriam, por direito natural ou por lei divina, se comportar melhor.

Cabala não é só decriptação gourmetizada. Cabala estuda a parte energética também. E, nesse caso, temos duas visões complementares:

Ok, por um lado, D’us criou os animais. Quer dizer, os animais têm alguma parte no Plano Divino. Também sabemos que há energia vital nos animais (do contrário, de nada adianta se alimentar deles). Quando nos alimentamos de animais, quebramos a sequência de ações a qual aquela energia vital estava destinada e a absorvemos. Embora não exista a palavra “karma” no judaísmo, parece compatível dizer que “assumimos o karma” do animal do qual nos alimentamos. A conclusão do judaísmo é basicamente “se for comer galinha, é preciso passar a agir melhor do que uma galinha”.

Por outro lado, D’us criou a própria cadeia alimentar (ordenando que nos alimentássemos de animais). Nesse caso, nossos cata-letras propuseram que: quando uma planta capta energia do mundo mineral, ela eleva a energia para uma finalidade superior no mundo vegetal; quando um animal se alimenta de uma planta, ele eleva a energia para uma finalidade superior no mundo animal; e, quando um ser humano se alimenta de um animal, ele eleva a energia para uma finalidade superior (lembre-se que aqui somos distintos dos animais, não só por responsabilidade em Adão e por categoria distinta em Noé).

Shbaa.

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