Crescimento, tolerância e abundância

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Tolerância é uma palavra difícil. Muita tolerância, e somos indiferentes. Não nos importamos se as outras pessoas percorrem caminhos que consideramos errados. Pouca tolerância, e somos extremistas. Não permitimos que outras pessoas percorram caminhos diferentes do nosso.

Tolerância é o respeito a um espaço coletivo para o crescimento individual. Está no reconhecimento de que o outro precisa de espaço para crescer; mesmo que esteja errado, deve haver espaço para que a pessoa melhore. Acima de tudo, deve haver confiança de que, se nosso caminho é correto, a outra pessoa virá nos encontrar nesse caminho.

Como viver nesse paradoxo?

Pergunto: tu percorres exatamente o caminho que consideras correto? Tu és tolerante consigo mesmo? Ainda assim, tu te respeitas? Se formos capazes de respeitarmos a nós mesmos nessa contradição, seremos capazes de respeitar os outros.

O truque é entender que não há uma competição. Há um mundo com espaço para todos.

Produção de excedente: produzir excedente também é parte do judaísmo, porque excedente é sinal de riqueza. Mais que isso, excedente quer dizer que dominamos a Terra de forma produtiva a ponto de consumirmos menos do que criamos. Produzir excedente também significa produzir mais em nome de quem não consegue produzir o suficiente. Mas quanto é excedente? De quanto dinheiro nós NÃO precisamos mais? Quanto é dinheiro demais? Quanto é roupa demais? Quanto é comida demais? De quanto podemos dispor para dar aos outros?

Casa: a casa é o acúmulo de comida, proteção, saúde. Para garantir que vamos ter um lugar para descansar, que teremos comida estocada para quando faltar, que teremos proteção melhor do que uma sombra de árvore ou buraco na pedra, a casa. Hoje com bancos, hotéis e trocas monetárias fáceis, talvez não sejam exatamente necessário ter uma casa para garantir saúde e comida. Mas ainda nos prendemos à acumulação. Eu tenho roupas de inverno que nunca vou conseguir usar no Rio Grande do Sul. Aqui a gente sai de bermuda a 8 graus 😛 Mas a questão é, de quanta roupa eu preciso até que eu sinta realmente frio? Em quantos lençóis eu posso dormir de cada vez? E, se o lençol que eu uso se rasgar, eu preciso imediatamente de outro no meu armário? Hoje? Agora? Antes que este que eu uso se rasgue?

Alimento: depois da casa, o estoque que temos é em nosso corpo. A sensação de falta faz com que o corpo peça para acumular energia, comer mais. Comer demais. A má alimentação também, porque o corpo não sabe qual nutriente está em falta. Só sabe que falta e pede mais. Coma antes de ter fome. Pare antes de estar cheio. Se pergunte se é mesmo fome, ou medo, ou angústia. De quanta comida eu preciso até a próxima refeição? E, se eu não conseguir comer na hora certa, quanto tempo eu tenho até poder comer de novo?

Respiração: o básico da vida é a respiração. O corpo quer viver e faz isso sozinho na maior parte do tempo. Mas basta inspirar profundamente para tomarmos controle da situação. O básico do básico: se convencermos nosso corpo de que ele tem ar suficiente, nós mandamos. Se ele achar que não tem, ele toma as rédeas. Em nosso instinto de sobrevivência, diz a cabala, está a má inclinação. Dominar, domar a agonia da falta, é domar a má inclinação. Preste especial atenção ao que ocorre quando o corpo sente falta de ar, como ele busca com força encher os pulmões e acumular oxigênio acelerando a respiração. Respire fundo, há ar suficiente nos pulmões, deixe o ar ir embora e descubra por quanto tempo ele pode ir embora. Descubra que o ar pode ir embora e não fazer falta.

E se o ar não faz falta, a comida faz tanta falta assim? E o lençol? E a roupa? E a casa? A gente produz tão pouco que precisa acumular tudo isso? O que temos é tão pouco que não podemos dividir com mais ninguém?

Shbaa.

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