Mitos e Lendas: Tirésias, nem lá, nem cá

Sábio, profeta, louco. Estereótipos literários, arquétipos mágickos. A figura de Tirésias é uma figura liminar. Ele é uma sombra que habita entre mundos. Entre o sexo, entre os deuses, entre a cegueira e a previsão, entre os vivos e os mortos.

Mitos, quando lidos corretamente, trazem na semiótica, na linguagem hermética, segredos codificados sobre o pensamento de um povo. Dos vários povos que contribuíram para a criação daquela narrativa. O mito de Tirésias traz o caminho de um xamã. Um xamã civilizado, mas ainda assim um xamã.

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Cabala Judaica #12: A Criação dos Quatro Mundos e Suas Inconsistências

Gênesis, inconsistências e a criação dos Quatro Mundos

Deixem eu apresentar uma leitura da Criação…

O sistema de criação de 7 dias e 4 mundos é encontrado por cabalistas na leitura de Bereshit/Gênesis. O livro é estudado como base para a cabala judaica. Judeus ainda hoje entendem que este livro codifica a cabala e não que foi codificado por estudiosos dela.

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Mitos e Lendas: O Negrinho do Pastoreio

O Brasil recebeu povos de diversos pontos do mundo como parte de sua comunidade. Como não poderia deixar de ser, a alquimia das relações humanas tratou de misturar nessa nossa plaquinha de Petri crenças para as mais singulares lendas germinarem. O sincretismo é culturalmente evidente nos mais distantes pontos do Brasil. Sendo espaço recente de migrações, comparado com os lugares de onde estes migrantes vieram, as diferentes referências religiosas e espirituais ainda são opacas entre si. A leitura de qualquer lenda de formação dos nossos Estados e Regiões mostra a riqueza das influências simbólicas sobrepostas em sua criação. É disso que trata este texto.

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O homem que perdoou D’us

Diz a lenda que Jacó tinha uma fixação o ritual judaico do Kaparot, o ritual de purificação dos primeiros dias do novo ano. Jacó já completara o ritual dezenas de vezes em sua vida, mas nunca conseguira sentir o poder da purificação como deveria sentir. Ou assim ele pensava.

Eis que, então, próximo ao ano novo, um grande rabino veio à cidade de Jacó para dar aulas. A lenda não guardou o nome do rabino, mas registrou que ele era um Baal Shem, um Senhor do Nome, cabalista que havia dominado as técnicas de evocar o poder de D’us através das palavras hebraicas.

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Cabala Judaica #9: As Cascas e A Fome

Dor, prazer e a retificação do mundo.

Aqui e agora.

Vivemos em uma caixa, de onde só sabemos o que há fora através dos sentidos. Ou essa é a descrição corrente nas últimas décadas ao se falar sobre cabala. Não é um solipsismo. A cabala admite a existência do mundo exterior. O que a cabala nega é a capacidade de conhecer o mundo exterior através dos sentidos. Seria necessário um “sexto sentido”, um sentido não ligado ao plano material, para conseguirmos saber o que realmente há lá fora.

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Cabala Judaica #8: A Sabedoria Contemplativa (meditação cabalística)

Chokhmah Nistaroth

A expressão do dia é chokhmah nistaroth: a sabedoria contemplativa. As primeiras letras (chet e nun) formam chen, graça.

Há pouca evidência registrada sobre o funcionamento da meditação no judaísmo, exceto nos círculos fechados de estudos sobre cabala, claro. Especificamente, em grupos com linhagem bem definida. Não é exatamente segredo, é só uma daquelas coisas difíceis de explicar para quem está de fora.

Aqui vemos a cabala em sua essência:

  • Cabala (kabalah: quf, bet, lamed, he) = 137
  • Sabedoria (chokhmah: caf, chet, mem, he) = 73
  • Profecia (nebuw’ah: nun, bet, vav, alef, he) = 64

Cabala = Sabedoria + Profecia

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Exemplos de Assunção Forma -Deus.

Para finalizar o texto anterior irei narrar dois fatos experimentados por mim. Ambos retirados de meus diários mágicos, vou omitir as datas astrológicas e profanas, mas o resto está tudo ai.

Exemplo 1: Assunção da Forma –Deus de Ogum para reconsagrar minha espada cerimonial.

Objetivo: Reconsagrar minha arma elemental do Ar dando a ela uma característica mais bélica. Para isso acreditei ser melhor assumir a Forma –Deus de Ogum, é uma divindade que possuo intimidade e também é de um panteão que possuo um conhecimento bom. Dentre as características busquei lembrar-me de Ogum como ferreiro, guerreiro e generoso com seus comandados. A figura de Ogum Megê-Megê serve muito bem por ser mais velho e sábio, um estrategista racional. E também por Ele ser temido pelos espíritos maléficos e mal intencionados. Qualidades essenciais para minha espada: Ar, Razão, Ser temida pelo mal.

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