31 de maio, sonhos e a virada cultural de Shavuot

Tikun leil shavuot. A retificação da noite de Shavuot.

Quanto mais estudamos durante o dia, mais se aprende durante o sono… Estudos contemporâneos também demonstram a importância do sono para a consolidação do aprendizado. E é possível argumentar que a cabala já dizia isso.

Claro que as explicações são distintas. A cabala aponta que o estudo durante o dia facilita a elevação da alma para que ela aprenda “nos Céus” durante a noite.

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A Caçada Selvagem, a Noite de Inverno e o Jól

A Caçada Selvagem é um mito muito presente no folclore europeu, normalmente como uma marcha noturna de fantasmas vingativos e seres demoníacos. Esta visão é uma distorção cristã de tradições pagãs germânicas que falavam de um período que antecedia o jól, envolvendo principalmente o culto aos mortos. Debateremos um pouco sobre ele aqui, dando um enfoque para o trabalho com Óðinn como um psicopompo.

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Duas mulheres, com profissão, sem pais, nem maridos, circa 1.400 a.C.

midwivesQuando o Faraó decidiu mandar matar todos os meninos hebreus que viessem a nascer, mandou chamar pelo nome duas mulheres: Shifra e Pua.

— Shifra e Pua, façam com que não nasçam mais meninos hebreus vivos! Quando vocês foram chamadas às casas das mulheres prestes a dar à luz e for um menino, asfixiem-no e digam à mãe: “sentimos muito, mas seu filho nasceu morto”.

Para mim, o mais interessante não é nem a confiança que o Faraó tinha em sua própria voz de comando, mas o fato de essas duas mulheres terem profissão e não terem marido ou família registradas na Torah. Não é só curioso para mim. Isso deve ter atraído a atenção de diversos estudiosos ao longo dos anos, pois diversas tentativas de explicações aparecem nas discussões rabínicas.

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Magia Rúnica – Ontem e Hoje

O uso das runas como um alfabeto magístico hoje em dia é muito amplo, não sendo incomum sua apropriação para contextos que diferem muito do paganismo germânico e desconsiderem por completo sua utilização história. Os sistemas que as utilizam atualmente, mesmo dentro de um meio pagão, são construções contemporâneas que divergem do que os resquícios históricos nos mostram. Agora, vamos comparar ambas as formas que a magia nórdica escrita se manifesta no decorrer dos séculos.

Imagem destacada: parte do Codex Runicus, escrito por volta de 1300 para

registrar a lei nórdica, preservado na Dinamarca.

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O Ginnungagap como um Modelo de Magia

No primeiro post sobre modelos de magia baseados na simbologia nórdica, exploramos um interno baseado na hamr. Agora, discutiremos um modelo mais voltado para o exterior baseado no mito de criação apresentado nas Eddas. Ambos são complementares, e são de grande proveito se usados simultaneamente.

Imagem destacada: o vulcão Eyjafjallajökull, na Islândia. Segundo estudiosos dos mitos, a dualidade “gelo&fogo” pode só ter adquirido a importância que observamos hoje entre os colonizadores da ilha. Uma possível anterior, apontada em poemas rúnicos, pode ser “inverno&verão”.

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A hamr como um Modelo de Magia

Anteriormente, conhecemos um mapeamento para a alma humana (hamr) baseado na simbologia nórdica – dividido na mente, na aura e na Consciência. Agora, cruzaremos estes conceitos para criar um modelo de magia, com um enfoque para o autoconhecimento. Para isto, discutiremos formas de se obter um entendimento prático dos símbolos apresentados.

Imagem Destacada: RAIDHO

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Um Banimento Germânico

Algo comum na magia prática e em certas linhas pagãs porém muitas vezes negligenciado no paganismo germânico é o ritual de banimento. Com a função de abrir trabalhos, gerar uma fonte de energias e criar barreiras de proteção, entre os mais famosos praticados hoje em outras linhas magísticas podemos citar o “Ritual Menor do Pentagrama” do hermetismo (base para muitos outros) e o “Rubi-Estrela” de Aleister Crowley. Apresentarei aqui o banimento que eu utilizo em meus rituais dentro da egrégora, modificado a partir do “Ritual do Martelo” proposto pelo autor Edred Thorsson.

Imagem Destacada: Jerome/Yggdrasill

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Kohelet / Eclesiastes

Maravilhoso. No nome em hebraico, aquele-que-reúne, mas traduzido para aquele-que-professa. Dizem que são palavras do próprio Shlomo haMelech, o rei Salomão, se dirigindo a uma assembleia. Linguisticamente, o texto se coloca entre 450aEC e 330aEC. A poética empresta palavras do persa e do aramaico. O conceito central, hevel é vapor, sopro. Traduzido como “vaidade”, deve ser entendido como “a qualidade de ser vão”. Todo o trabalho do ser humano sobre a Terra é vão, é vapor, é efêmero como o sopro.

Kohelet é um longo exercício de meditação em busca do sentido da vida através dos entremeios da poética e da retórica cabalística. A vida do ser humano é uma longa repetição de ciclos sem sentido. Ao mesmo tempo, Kohelet destrói a própria imagem do Humano na criação, insistindo que o girar da terra, o nascer do Sol, o fluxo dos rios, o caminhos dos ventos, tudo reduz o Humano a sopro, vapor, vaidade. Não só. Mas a vaidade das vaidades, construção idiomática para superlativo: a coisa mais vã que pode existir.

P.S.: Ignorem os versculos Kohelet/Eclesiastes 12:9–14. Esse não é um texto religioso.

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