O Ragnarök nosso de cada dia

Desta vez falaremos sobre um tema popular da mitologia: o Ragnarök (“Crepúsculo dos Deuses”). Temos inúmeras adaptações do mito tanto em modelos de contos quanto na cultura pop, sempre como um evento assombroso e apocalíptico e muitas vezes assumindo um tom parecido com o do “Mito de Édipo” grego; os deuses teriam medo dessa profecia, e atos que visavam a evitar são justamente o que a desencadeiam. Vamos debater um pouco esta visão em relação ao que é apresentado nas Eddas e tentar extrair algo dele para o nosso cotidiano.

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Vontade de morrer

A discussão sobre a definição de Vontade nos estudos contemporâneos da cabala parecem sempre girar em definições circulares, como um ralo que nunca esvazia a pia.

Tentei condensar a explicação em algumas metáforas simples. A questão é que “vontade” é uma palavra usada no dia-a-dia, mas não está aqui com esse significado cotidiano. Isso acontece com termos técnicos.

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A Essência da Tradição

A palavra “tradição” nos remete a um apego a um cânone de um determinado grupo, que é passado de geração em geração. Atualmente ela se vê manchada por uma relação com o conservadorismo (que visa tornar este cânone imutável, o que muitas vezes o faz ficar obsoleto quanto a mudanças sociais e gerar problemas), e dentro do meio ocultista protagonizando embates (sobre a necessidade de um cinto de couro de leão) entre magos que se debruçam sobre pantáculos salomônicos e aqueles pragmáticos e pós-modernistas que se denomeiam “caotes”. Tudo isso são reflexos do aspecto mais superficial da “tradição”; buscaremos aqui um mais profundo, que por falta de termos adequados será referido como “Tradição” (com inicial maiúscula).

Imagem destacada: Obon Matsuri, festival tradicional japonês

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Demônios imaginados: A Mulher de Branco

Ela se chama Jeanette no Sul do Brasil. No Sudeste a conhecem como Janete. Um amigo, vindo do Nordeste, jura que ela se apresentou como Maria João. O pessoal do Norte conta que ela era casada com o boto e vem alertar os maridos nas estradas que as esposas correm risco de serem levadas pelo homem do chapéu branco. A gente do Pantanal diz que, se ela aparecer por lá, morre de novo.

É lenda urbana comum entre caminhoneiros. Pudera, se ela viaja na boleia Brasil a fora, procurando um novo pobre diabo para levar consigo. Deve ser fácil chegar aonde quiser.

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Demônios imaginados: os Shamashim

Em Chanuka, o costume judaico é acender um candelabro, chamado chanukiah, com oito velas. Chanuka é uma festividade de 8 dias. A cada noite acendem-se o número de velas do dia respectivo. Uma na primeira noite, duas na segunda noite, três na terceira… Mas, se você prestar atenção, verá que as representações da chanukiah têm 8 velas. A chanukiah de verdade tem 9 velas. A nona vela é chamada de shamash.

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Médium ou Adepto?

Se tem algo que me irrita no hermetismo é como ele desfaz daquilo que desconhece ou que pode potencialmente diminuir seu valor auto-percebido.

Por isso, tomei alguns minutos para, assim como fiz com Blavatsky (que, aliás, estava a toda nessa onda), comentar um pouco sobre a visão hermética da mediunidade.

Como estudante de hermetismo por um bom período, acupunturista e médium, tenho algumas coisas a falar a respeito – afinal, frequentei ambos os meios.

Vamos a isso.

 

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