O Amor foi uma Invenção

Um cantor e um alaúde. Amor cortês. Amor romântico. Romance. Romantismo.

Dizem que o Amor foi inventado por um poeta anônimo do século XII. Assim mesmo, inventado. Algum cantador com um alaúde debaixo do braço teve uma ideia tão melosa e atraente que se multiplicou feito um câncer. Talvez tenha doído. Dói inventar tamanha mentira.

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Mitos e Lendas: O Golem

A literatura acerca da magia cabalística sobrevive renegada à fantasia. Se perguntarmos aos grandes estudantes de cabala de hoje, responderão que cabala é uma forma poética de tratar questões internas, psicológicas, sociais. São os grandes rabinos que ainda discordam.

A nossa tradição de cabala ibero-americana sobrevive repetindo a máxima: “no creo en brujas, pero que las hay, las hay”.

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Cabala Judaica #15: A alma, a vida após a morte e o fantasma na máquina

Espiritualidade, Alma, Vida após a morte, Memética

“E o pó volte à terra, como o era;
e o espírito volte a Elohim, que o deu.”
(Eclesiastes 12:7)

Fantasmas. Espíritos. Almas penadas. Nossos ancestrais que vagam pelo mundo mesmo depois de terem falecido. Depois de terem deixado a vida do corpo de carne.

Muito se escreveu sobre o que ocorre com as almas após a morte. É certo consenso sobre as experiências com espíritos de parentes falecidos. Zeitgeist do povoado. Antepassados que cuidam da aldeia. Avós que protegem os netos. Tios jovens que voltam em sobrinhos. Reencarnações de grandes soberanos. Novas chances de ter duas vezes o mesmo filho.

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Elder Futhark e Magia Rúnica

Retornando à magia rúnica, hoje falaremos do Elder Futhark – o alfabeto rúnico mais popular entre os praticantes contemporâneos. Composto de 24 runas, foi estruturado a partir dos significados dos nomes de cada uma em proto-germânico e do poema anglo-saxão. Esta é uma rápida apresentação das principais propriedades associadas às runas deste alfabeto.

Imagem destacada: série Vikings/History Channel

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Mitos e Lendas: Tirésias, nem lá, nem cá

Sábio, profeta, louco. Estereótipos literários, arquétipos mágickos. A figura de Tirésias é uma figura liminar. Ele é uma sombra que habita entre mundos. Entre o sexo, entre os deuses, entre a cegueira e a previsão, entre os vivos e os mortos.

Mitos, quando lidos corretamente, trazem na semiótica, na linguagem hermética, segredos codificados sobre o pensamento de um povo. Dos vários povos que contribuíram para a criação daquela narrativa. O mito de Tirésias traz o caminho de um xamã. Um xamã civilizado, mas ainda assim um xamã.

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O sofrimento por uma perspectiva pagã

Muitos estão tocando no ponto do sofrimento e dos desafios que as religiões propõem às pessoas. Embora muitos autores contemporâneos façam sua própria lista de “atitudes” que um pagão deva tomar, discorrem muito pouco sobre o sofrimento ou por que ele existe no mundo – mesmo possuindo algumas fontes antigas girando em torno do tema. Esta é uma reflexão à partir da minha vivência como pagão.

Imagem destacada: “A Morte de Baldr”, por Nataša Ilinčić

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Um conto de Þorrablót

O Þorrablót é um festival de inverno normalmente posicionado após a temporada do Jól, que atualmente acabou sendo dedicado à Þórr em seu aspecto de protetor de Miðgarðr. Uma poderosa divindade climática, Þórr era cultuado amplamente pelas camadas mais baixas da sociedade escandinava, sendo um patrono para os fazendeiros e pescadores. Este pequeno conto foi obtido durante uma celebração de Þorrablót, e nos fala não só da natureza do deus como também de questões de fé.

Imagem destacada: Cara Nilsen

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O Caminho às Runas

Uma polêmica presente no meio Ásatrú é se existe algum tipo de “iniciação” necessária para usar magia nórdica, especificamente as runas. Normalmente quando falam sobre isso estão pensando em um ritual passado por outra pessoa – algo mais característico de ordens herméticas que do paganismo. Na minha opinião, existe um processo iniciático porém não desta forma; é algo interno, que nos é descrito na sessão do Hávamál chamada de “Rúnatál” (“Canção das Runas”, o trecho entre os versos 138 e 145 do poema). Discutirei aqui o meu ponto de vista sobre o assunto.

Todas as ilustrações deste artigo são de autoria de Nataša Ilinčić (Sim, vemos muito ela por aqui…)

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Perdão, Assassinatos e Azazel

– Como saberei, Rav, que D’us perdoou meus pecados?
– Quando não mais os cometê-los, jovem padawan.

Para os mais religiosos, o ritual do bode expiatório se originou na morte de dois filhos de Aarão, que entraram no Kodesh haKodashim/Santo dos Santos sem permissão. Para os mais céticos, o texto de Vayikrá/Levíticus 16 foi inserido depois da consolidação da Torah por Ezra e Nehemias, por volta de 400 aEC.

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LHP e o Mito do Dragão

O mito do herói que enfrenta um dragão é usado como base para os sistemas LHP conhecidos como “magia draconiana“. Michael Kelly, autor dos livros Apophis e Ægishjalmur e fundador do grupo Order of Apep, partiu do mito nórdico do guerreiro Sigurðr para criar uma versão que refletisse os ideais e desafios para um iniciado nesta via, que pode ser chamada de “Caminho Heroico”. Faremos uma análise não apenas desta versão como também de manifestações contemporâneas do mito.

[ATENÇÃO: pode conter spoilers de O Hobbit e Game of Thrones]

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