Cabala Judaica #15: A alma, a vida após a morte e o fantasma na máquina

cabala-banner

Espiritualidade, Alma, Vida após a morte, Memética

“E o pó volte à terra, como o era;
e o espírito volte a Elohim, que o deu.”
(Eclesiastes 12:7)

Fantasmas. Espíritos. Almas penadas. Nossos ancestrais que vagam pelo mundo mesmo depois de terem falecido. Depois de terem deixado a vida do corpo de carne.

Muito se escreveu sobre o que ocorre com as almas após a morte. É certo consenso sobre as experiências com espíritos de parentes falecidos. Zeitgeist do povoado. Antepassados que cuidam da aldeia. Avós que protegem os netos. Tios jovens que voltam em sobrinhos. Reencarnações de grandes soberanos. Novas chances de ter duas vezes o mesmo filho.

Continue Lendo

Elder Futhark e Magia Rúnica

Vikings.S04E01.720p.HDTV.x264-KILLERS-={SPARROW}=-.mkv_snapshot_07.34_[2016.02.19_14.13.00] - Copia

Retornando à magia rúnica, hoje falaremos do Elder Futhark – o alfabeto rúnico mais popular entre os praticantes contemporâneos. Composto de 24 runas, foi estruturado a partir dos significados dos nomes de cada uma em proto-germânico e do poema anglo-saxão. Esta é uma rápida apresentação das principais propriedades associadas às runas deste alfabeto.

Imagem destacada: série Vikings/History Channel

Continue Lendo

Mitos e Lendas: Tirésias, nem lá, nem cá

photo-1469433791803-c2719135f970

Sábio, profeta, louco. Estereótipos literários, arquétipos mágickos. A figura de Tirésias é uma figura liminar. Ele é uma sombra que habita entre mundos. Entre o sexo, entre os deuses, entre a cegueira e a previsão, entre os vivos e os mortos.

Mitos, quando lidos corretamente, trazem na semiótica, na linguagem hermética, segredos codificados sobre o pensamento de um povo. Dos vários povos que contribuíram para a criação daquela narrativa. O mito de Tirésias traz o caminho de um xamã. Um xamã civilizado, mas ainda assim um xamã.

Continue Lendo

O sofrimento por uma perspectiva pagã

the_death_of_baldur_by_unripehamadryad-d8v369p[1]

Muitos estão tocando no ponto do sofrimento e dos desafios que as religiões propõem às pessoas. Embora muitos autores contemporâneos façam sua própria lista de “atitudes” que um pagão deva tomar, discorrem muito pouco sobre o sofrimento ou por que ele existe no mundo – mesmo possuindo algumas fontes antigas girando em torno do tema. Esta é uma reflexão à partir da minha vivência como pagão.

Imagem destacada: “A Morte de Baldr”, por Nataša Ilinčić

Continue Lendo

Um conto de Þorrablót

988ad4474c6ea4b1062452bc3e10c289[1]

O Þorrablót é um festival de inverno normalmente posicionado após a temporada do Jól, que atualmente acabou sendo dedicado à Þórr em seu aspecto de protetor de Miðgarðr. Uma poderosa divindade climática, Þórr era cultuado amplamente pelas camadas mais baixas da sociedade escandinava, sendo um patrono para os fazendeiros e pescadores. Este pequeno conto foi obtido durante uma celebração de Þorrablót, e nos fala não só da natureza do deus como também de questões de fé.

Imagem destacada: Cara Nilsen

Continue Lendo

O Caminho às Runas

odin_before_his_sacrifice__night_version__by_unripehamadryad-d669fua - Copia

Uma polêmica presente no meio Ásatrú é se existe algum tipo de “iniciação” necessária para usar magia nórdica, especificamente as runas. Normalmente quando falam sobre isso estão pensando em um ritual passado por outra pessoa – algo mais característico de ordens herméticas que do paganismo. Na minha opinião, existe um processo iniciático porém não desta forma; é algo interno, que nos é descrito na sessão do Hávamál chamada de “Rúnatál” (“Canção das Runas”, o trecho entre os versos 138 e 145 do poema). Discutirei aqui o meu ponto de vista sobre o assunto.

Todas as ilustrações deste artigo são de autoria de Nataša Ilinčić (Sim, vemos muito ela por aqui…)

Continue Lendo

Perdão, Assassinatos e Azazel

00000

– Como saberei, Rav, que D’us perdoou meus pecados?
– Quando não mais os cometê-los, jovem padawan.

Para os mais religiosos, o ritual do bode expiatório se originou na morte de dois filhos de Aarão, que entraram no Kodesh haKodashim/Santo dos Santos sem permissão. Para os mais céticos, o texto de Vayikrá/Levíticus 16 foi inserido depois da consolidação da Torah por Ezra e Nehemias, por volta de 400 aEC.

Continue Lendo

LHP e o Mito do Dragão

DrogonHD[1]

O mito do herói que enfrenta um dragão é usado como base para os sistemas LHP conhecidos como “magia draconiana“. Michael Kelly, autor dos livros Apophis e Ægishjalmur e fundador do grupo Order of Apep, partiu do mito nórdico do guerreiro Sigurðr para criar uma versão que refletisse os ideais e desafios para um iniciado nesta via, que pode ser chamada de “Caminho Heroico”. Faremos uma análise não apenas desta versão como também de manifestações contemporâneas do mito.

[ATENÇÃO: pode conter spoilers de O Hobbit e Game of Thrones]

Imagem destacada: HBO

Continue Lendo

Mitos e Lendas: O Negrinho do Pastoreio

00000

O Brasil recebeu povos de diversos pontos do mundo como parte de sua comunidade. Como não poderia deixar de ser, a alquimia das relações humanas tratou de misturar nessa nossa plaquinha de Petri crenças para as mais singulares lendas germinarem. O sincretismo é culturalmente evidente nos mais distantes pontos do Brasil. Sendo espaço recente de migrações, comparado com os lugares de onde estes migrantes vieram, as diferentes referências religiosas e espirituais ainda são opacas entre si. A leitura de qualquer lenda de formação dos nossos Estados e Regiões mostra a riqueza das influências simbólicas sobrepostas em sua criação. É disso que trata este texto.

Continue Lendo

O que caracteriza o Paganismo Germânico?

valhalla_by_lemuren[1]

Muitas pessoas procuram as diretrizes que compõem o paganismo germânico (ou “Ásatrú”, “Forn Sed”, entre muitos outros nomes), aquilo que o estrutura e guia, e assim se voltam para as Nove Nobre Virtudes. Cunhadas na década de 1970 pelo grupo Odinic Rite a partir do Hávamál, considero-as muito gerais e universais para serem tomadas como autenticamente pagãs. Por isso, discutirei aqui o que para mim são as características principais do paganismo germânico, que o diferenciam não apenas de outras religiões como também de outras manifestações pagãs.

Imagem destacada: lemuren

Continue Lendo