As Chaves e suas Fechaduras

Um símbolo é, em primeiro lugar, um grafismo ou ícone; aquilo que ele irá significar depende de lugar, época, contexto. Tendo isto em mente, podemos deduzir que o sagrado para um sistema não é o símbolo em si, mas sim aquilo que estamos buscando através deles. Tornamo-os chaves, meios simples de abrir um imenso repertório de imagens e sensações – é por isso que dizemos que “o Segredo protege a si mesmo”, conhecer os símbolos é inútil sem consciência daquilo a que se deve remeter. Logo, um sistema com simbologia similar ou mesmo igual a outro pode estar lidando com energias completamente diferentes – e para ilustrar essa ideia, farei uma análise partindo da iconografia nórdica com que trabalho.

Imagem destacada: “Vejviser lønnøgle”, arte de Ræveðis

Continue Reading

Quem tem medo do Abismo?

“Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha de volta para você”, diz o cliché de Nietzsche. Não apenas filósofos como muitos autores magistas se debruçaram sobre o assustador “Abismo” presente no Universo e no interior de nossas Mentes. Seria um local ilusivo, confuso e sombrio – porém também detentor de um imenso potencial oculto. Exploraremos algumas de suas concepções, com uma ênfase nos pontos de vista draconiano e hermético.

Continue Reading

Magia Cotidiana e Práticas Diárias

Muito lemos sobre a necessidade da prática diária na magia, porém em contrapartida que procedimentos magísticos devem ser complexos e exigem concentração profunda. Por essa lógica, mesmo um exercício só poderia ocorrer em um momento reservado e tranquilo, e jamais poderíamos executar um feitiço enquanto andamos na rua ou estamos no transporte público por exemplo; porém, existem meios para isto que são importantes meios de desenvolver controle e Imaginação. Veremos alguns deles, como sugestões de exercícios práticos.

Imagem destacada: ilustração do jogo Mage: The Awakening; magia e gnosis mesmo no meio da rua!

Continue Reading

A Serpente, a Magia e o Descontrole

Na Via Draconiana, é muito usual escolher uma serpente como uma analogia para a magia. Esta serpente é como uma força intensa, com o qual é possível tentar negociar mas jamais domar; o caminho dela segue uma tendência, mas nunca é previsível. Quanto mais compreendemos essa serpente, mais selvagem e descontrolada ela se torna; o que pode fazer esta animal já perigoso por si só soar ainda mais ameaçador, nunca sabemos quando seu bote irá se voltar contra nós.

Porém, diferente de outras linhas, esta falta de controle sobre a magia é vista sob um viés positivo no Caminho da Mão Esquerda.

Continue Reading

Vida x Morte e as Árvores de Mentiras

Dizem que a Árvore da Vida é o mapa da consciência do homem.

Através da Kabbalah Hermética, foram construídas correlações entre esse código que supostamente tenha sido criado pelos judeus e posteriormente absorvido e utilizado por correntes magísticas. Em algum momento, criou-se o conceito oposto das Sephirot, as Qliphot. Muitos a vêem com um oposto complementar, outros como um oposto nefasto. Alguns cabalistas apenas a definem como rejeitos do Criador (o reino de Sitra Ahra, o “outro lado”), onde a luz do criador não toca, a expulsão do paraíso. Alguns também acreditam que ela é desnecessária pois as Sephiroth já possuem estes conceitos em si e não seria necessário outra árvore exclusiva para ela. Vou propor uma visão divergente.

Continue Reading

Um Nome para o Universo

Nomes possuem poder, e inúmeras histórias de todas as épocas nos lembram disto; desde contos folclóricos onde pronunciar o nome verdadeiro de um leprechaun detém suas artimanhas, até livros de fantasia onde certos nomes evocam poderes mágicos. Os magistas estão sempre buscando compreender o macrocosmo ao seu redor – aquela somatória de tudo o que existe, que também se remete a onde tudo se originou. Isto não necessariamente possui um nome, porém nós o demos vários; e hoje, discutiremos de que forma o nome que utilizamos para o macro cria nossa relação com ele.

Imagem destacada: capa de “O Nome do Vento” por Marc Simonetti, mais uma história sobre o poder dos nomes

Continue Reading