Cabala Judaica #19: A Gramática da Criação

Tem gente que diz estudar magia, cabala especialmente, e não sabe colocar vírgulas em uma frase. Gente que se vangloria de praticar algum exercício mágico diariamente há 10 anos e não sabe que aquele “há” tem “h” e acento agudo.

cabala etz chayim cf. Isaac LuriaEsses dias, em conversa informal com os colegas deste blog sobre indicações de leitura, respondi que minha sugestão de livro para quem quisesse ser um mago cabalista deveria ser uma Gramática. Resolvi me justificar por escrito. Primeiro, porque achei interessante que minha indicação para um estudo judaico dito “de mão direita” tenha sido um livro didático, enquanto a indicação do meu colega “da mão esquerda” foi um livro de Literatura. Segundo, porque entendo que, embora todos nós entendamos que deva haver liberdade e intuição na prática espiritual, isso não significa que não deva também haver regras.

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Cabala Judaica #18: da profecia à exegese

Na narrativa do Talmud sobre uma discussão interminável entre os grandes Hillel e Shammai, D’us precisou interferir diretamente para solucionar a disputa. Nem cem anos mais tarde, em outra disputa insolúvel, agora entre Eliezer e Yehoshua, D’us foi impedido de se pronunciar. A narrativa marca a vitória da interpretação e do diálogo sobre a profecia e imposição religiosa.

A história foi registrada no Talmud como tendo ocorrido ainda no primeiro século da Era Comum e, em tempos de ameaças ao estado laico, vale a leitura.

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O Amor foi uma Invenção

Um cantor e um alaúde. Amor cortês. Amor romântico. Romance. Romantismo.

Dizem que o Amor foi inventado por um poeta anônimo do século XII. Assim mesmo, inventado. Algum cantador com um alaúde debaixo do braço teve uma ideia tão melosa e atraente que se multiplicou feito um câncer. Talvez tenha doído. Dói inventar tamanha mentira.

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As Duas Mãos de Deus

Não há dúvidas de que a evolução de apenas um pequeno princípio da consciência traz também o entendimento de muitos mistérios relacionados aos campos do esoterismo. De uma pequena descoberta interna que fiz, inicio agora um conjunto de textos que irá discutir temas muito mais abrangentes – mas ainda assim tão importantes quanto e muito relacionados a nossa vida material diária. Buscando a união do divino com o material, para que entendamos uma das formas pelas quais o espírito se conecta à matéria, prossigamos.

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Cabala Judaica #17: Malkuth embaixo, Malkuth em cima

Cada autor, cada pesquisador da cabala, cada aluno em suas anotações usa das ferramentas que possui para descrever as esferas da Etz Chayim. Malkuth, talvez seja a menos polêmica das esferas. Malkuth é onde tudo se materializa. Malkuth é onde a energia manifestada nas outras esferas “existe” (no sentido corriqueiro da palavra) ao mesmo tempo. Nas palavras dos grandes cabalistas que chegaram até nós, Malkuth foi usado para descrever outras esferas.

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Mitos e Lendas: O Golem

A literatura acerca da magia cabalística sobrevive renegada à fantasia. Se perguntarmos aos grandes estudantes de cabala de hoje, responderão que cabala é uma forma poética de tratar questões internas, psicológicas, sociais. São os grandes rabinos que ainda discordam.

A nossa tradição de cabala ibero-americana sobrevive repetindo a máxima: “no creo en brujas, pero que las hay, las hay”.

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Cabala Judaica #16: Vontade e Liberdade

Não ignorem a semântica. Mas aprendam o significado das palavras antes de negar a mensagem:

Vontade é poder restringir a própria liberdade.

Quando uma semente se torna árvore, ela deixa de ser todas as outras árvores. Eu vejo pessoas falando sobre agir conforme a vontade. Elas falam em serem desenhistas, escritores, ricos, empresários, adotar ONGs e patrocinar festas enquanto gravam álbuns de música eletrônica e namoram modelos internacionais. Não sei de que vontade estão falando.

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Cabala Judaica #15: A alma, a vida após a morte e o fantasma na máquina

Espiritualidade, Alma, Vida após a morte, Memética

“E o pó volte à terra, como o era;
e o espírito volte a Elohim, que o deu.”
(Eclesiastes 12:7)

Fantasmas. Espíritos. Almas penadas. Nossos ancestrais que vagam pelo mundo mesmo depois de terem falecido. Depois de terem deixado a vida do corpo de carne.

Muito se escreveu sobre o que ocorre com as almas após a morte. É certo consenso sobre as experiências com espíritos de parentes falecidos. Zeitgeist do povoado. Antepassados que cuidam da aldeia. Avós que protegem os netos. Tios jovens que voltam em sobrinhos. Reencarnações de grandes soberanos. Novas chances de ter duas vezes o mesmo filho.

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Cabala Judaica #14: Por que D’us permite o sofrimento no mundo?

É sempre uma boa pergunta. E ela tem tantas respostas quantos temos grandes rabinos estudiosos da cabala.

Os rabinos mais focados na cosmogonia judaica baseada na Árvore da Vida (Akiva, Luria, Vital) diriam que D’us escolheu se “remover” de partes do Mundo para que o Mundo tivesse forma, tivesse liberdade.

Mas a resposta mais comum nos círculos cabalísticos é outra pergunta: “Saber a resposta muda o modo como tu enxerga o sofrimento?” Quer dizer, se houvesse um motivo para o mendigo passar fome, isso mudaria o fato de ele estar precisando ajuda para comer? Isso mudaria o sentimento que tu tens ao ver um mendigo faminto?

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