Acher, o outro

Um dia, o grande rabino Elisha ben Abuya decidiu deixar o judaísmo. É aparente nos escritos judaicos um certo rancor com essa escolha. Mas, apesar de deixar claro o descontentamento com o caminho tomado por ben Abuya, o judaísmo não conseguiu esquecê-lo.

Nascido pelo ano 70 EC, pouco se sabe sobre sua vida. Ou talvez os registros tenham sido apagados. Sabe-se que nasceu na região da Palestina provavelmente em uma família muito rica. O jovem Elisha teve chance de dedicar-se ao judaísmo, mas também de viajar e conhecer outros povos.

Sabemos que foi um grande rabino, pois há ao menos uma decisão rabínica registrada em seu nome no Talmud. Talvez, outras decisões tenham sido posteriormente atribuídas a seus alunos ou de outros rabinos.

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Crescimento, tolerância e abundância

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Tolerância é uma palavra difícil. Muita tolerância, e somos indiferentes. Não nos importamos se as outras pessoas percorrem caminhos que consideramos errados. Pouca tolerância, e somos extremistas. Não permitimos que outras pessoas percorram caminhos diferentes do nosso.

Tolerância é o respeito a um espaço coletivo para o crescimento individual. Está no reconhecimento de que o outro precisa de espaço para crescer; mesmo que esteja errado, deve haver espaço para que a pessoa melhore. Acima de tudo, deve haver confiança de que, se nosso caminho é correto, a outra pessoa virá nos encontrar nesse caminho.

Como viver nesse paradoxo?

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O Bombeiro de Rosh Hashanah

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Durante o último mês do calendário judaico, tocamos o shofar. O shofar é um instrumento de sopro, feito de chifre de carneiro. Pode ser de diversos formatos e tamanhos. A maioria das pessoas crê que o shofar é algum tipo de fetiche, objeto mágico capaz de dar poder a quem o segura. Não deixa de ser verdade. Mas, dentro do judaísmo, o shofar tem um significado mais forte e mais mundano.

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E quem é você para ter a audácia de se declarar um nada?

Em pleno Dia do Perdão, o presidente da sinagoga, em meio ao coro de preces que pediam pela retificação dos erros, se levantou visivelmente emocionado e confessou:

— Meu Deus! Quem sou eu? Eu sou um nada.

Logo depois, seguindo seu exemplo, levantou-se o diretor cultural da sinagoga, que também admitiu:

— Meu Deus! O que sou eu? Eu sou um nada. — voltando a sentar-se com um ar constrito.

Na sequência, o chazan, o cantor da sinagoga, levantou-se e proclamou com sua bela voz:

— Meu Deus, o que sou eu, então? Eu sou mais um nada.

Animado pela seqüência, o shamash, o zelador da sinagoga, fica de pé e confessa:

— E eu, Meu Deus, quem sou eu? Eu sou um nada.

De imediato, várias pessoas protestam:

— E quem ele acha que é para se declarar um “nada”?

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A magia mais poderosa

Um mago judeu — digo — um rabino, profundo estudioso da cabala, entrou pela porta da sala de aula.

Viera visitar a escola algumas vezes antes e hoje estava interessado em saber como as crianças estavam se comportando em seu aprendizado das letras. A turma era de alunos pequenos. Nas escolas modernos, os alunos estavam divididos por idade. Muito diferente das escolas onde o rabino estudara. A turma era só de crianças pequenas que cochichavam assustadas tentando descobrir o que o rabino era.

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31 de maio, sonhos e a virada cultural de Shavuot

Tikun leil shavuot. A retificação da noite de Shavuot.

Quanto mais estudamos durante o dia, mais se aprende durante o sono… Estudos contemporâneos também demonstram a importância do sono para a consolidação do aprendizado. E é possível argumentar que a cabala já dizia isso.

Claro que as explicações são distintas. A cabala aponta que o estudo durante o dia facilita a elevação da alma para que ela aprenda “nos Céus” durante a noite.

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Duas mulheres, com profissão, sem pais, nem maridos, circa 1.400 a.C.

midwivesQuando o Faraó decidiu mandar matar todos os meninos hebreus que viessem a nascer, mandou chamar pelo nome duas mulheres: Shifra e Pua.

— Shifra e Pua, façam com que não nasçam mais meninos hebreus vivos! Quando vocês foram chamadas às casas das mulheres prestes a dar à luz e for um menino, asfixiem-no e digam à mãe: “sentimos muito, mas seu filho nasceu morto”.

Para mim, o mais interessante não é nem a confiança que o Faraó tinha em sua própria voz de comando, mas o fato de essas duas mulheres terem profissão e não terem marido ou família registradas na Torah. Não é só curioso para mim. Isso deve ter atraído a atenção de diversos estudiosos ao longo dos anos, pois diversas tentativas de explicações aparecem nas discussões rabínicas.

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