Sacrifícios à Lua no judaísmo

e o D’us hebraico ama perder uma discussão

Eu acho que talvez só os italianos afrontem seu deus de modo comparável aos judeus. Os italianos insultam, gritam, blasfemam até, acusando o deus cristão de ser um obstáculo à felicidade. Deus porco. Deus cão. Já os judeus resmungam de forma insessante, como quem reclama dos desmandos de um irmão mais velho que ficou no lugar do verdadeiro pai.

E a memória judaica traça essa mania de reclamar de D’us desde o quarto dia da criação, para ser exato, quando o Sol e a Lua foram criados.

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Como começar a estudar o Talmud

Um jovem estudioso cheio de titulações bate à porta de um velho leitor do Talmud.

– Rabino, gostaria de estudar o Talmud.

– Tu sabes ler aramaico?

– Não.

– Hebraico?

– Não.

– Tu já estudaste algo sobre a Torah?

– Não, rabino. Mas eu me graduei em Harvard summa cum laude em filosofia e já recebi o título de PhD em Yale. Eu gostaria de tentar completar minha educação com um pouco de Talmud.

– Eu duvido que tu estejas pronto para o Talmud. É o maior e mais completo dos livros. Se assim desejares, no entanto, posso examinar seus conhecimentos de lógica e, se passares, eu mesmo te ensino sobre o Talmud.

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Comparativos e superlativos

Comparativos

Comparativos em hebraico bíblico são uma curiosidade por causa da ambiguidade de sua construção. A palavra que marca o comparativo é “min” (mem-nun), que se traduz literalmente como “desde, a partir de”. De forma bem mundana: “José veio da cozinha.” Então, aquele “da”, tendo sentido de “desde, a partir de”, é o “min” em hebraico. Em alguns casos, “min” pode ser contraído para “m” (mem). Por exemplo, “vindo do Egito” ou “desde o Egito” é m’Mitzrayim (se pronuncia “mi-mitizráim”).

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A Água Interior e o Monstro de Três Cabeças

“É preciso dar vazão aos sentimentos!
É preciso dar vazão aos sentimentos!
É preciso dar vazão aos sentimentos!”
Bidê ou Balde, É Preciso Dar Vazão aos Sentimentos

Li por aí a expressão “Água interior” e achei que se encaixa bem aqui. Água é o mundo emocional. O que sentimos ou, antes, o movimento interno causado pelos estímulos recebidos pela superfície/interface dos nossos sentidos: tato, olfato, paladar…

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Acher, o outro

Um dia, o grande rabino Elisha ben Abuya decidiu deixar o judaísmo. É aparente nos escritos judaicos um certo rancor com essa escolha. Mas, apesar de deixar claro o descontentamento com o caminho tomado por ben Abuya, o judaísmo não conseguiu esquecê-lo.

Nascido pelo ano 70 EC, pouco se sabe sobre sua vida. Ou talvez os registros tenham sido apagados. Sabe-se que nasceu na região da Palestina provavelmente em uma família muito rica. O jovem Elisha teve chance de dedicar-se ao judaísmo, mas também de viajar e conhecer outros povos.

Sabemos que foi um grande rabino, pois há ao menos uma decisão rabínica registrada em seu nome no Talmud. Talvez, outras decisões tenham sido posteriormente atribuídas a seus alunos ou de outros rabinos.

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Crescimento, tolerância e abundância

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Tolerância é uma palavra difícil. Muita tolerância, e somos indiferentes. Não nos importamos se as outras pessoas percorrem caminhos que consideramos errados. Pouca tolerância, e somos extremistas. Não permitimos que outras pessoas percorram caminhos diferentes do nosso.

Tolerância é o respeito a um espaço coletivo para o crescimento individual. Está no reconhecimento de que o outro precisa de espaço para crescer; mesmo que esteja errado, deve haver espaço para que a pessoa melhore. Acima de tudo, deve haver confiança de que, se nosso caminho é correto, a outra pessoa virá nos encontrar nesse caminho.

Como viver nesse paradoxo?

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O Bombeiro de Rosh Hashanah

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Durante o último mês do calendário judaico, tocamos o shofar. O shofar é um instrumento de sopro, feito de chifre de carneiro. Pode ser de diversos formatos e tamanhos. A maioria das pessoas crê que o shofar é algum tipo de fetiche, objeto mágico capaz de dar poder a quem o segura. Não deixa de ser verdade. Mas, dentro do judaísmo, o shofar tem um significado mais forte e mais mundano.

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