“Onde está você?” e “Onde está seu irmão?”

Paralelos e atemporalidade do texto

“Onde está você?” é a pergunta de D’us para Adão, em Bereshit/Genesis 3:9, logo após Adão comer da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal.

“Onde está seu irmão?” é a pergunta de D’us para Caim, em Bereshit/Genesis 4:9, logo após este matar Abel.

O paralelo é importante. Mesmo que os dois tenham sido punidos pelo que fizeram, o erro (crime ou pecado) são bem diferentes. Adão desobedece uma ordem direta de D’us, come da árvore que está no centro do jardim. D’us o chama e ele está escondido por “vergonha” (dizem, vamos ficar com essa resposta agora). É claro que D’us, onisciente, onipresente e tudo mais, sabe onde está Adão. D’us dá uma oportunidade para que Adão retorne a D’us. Adão retorna, admitindo seu erro.

Já quando Caim mata seu irmão, D’us pergunta sobre seu crime. Obviamente D’us sabe o que Caim fez (onisciente, onipresente e tal), mas Caim não aceita a oportunidade. Ao contrário, escolhe se afastar de D’us.

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Levítico 18 e o sexo

Alguns pontos rápidos:

Primeiro: é um texto de — pelo menos — 25 séculos atrás.

Segundo: não se lê Levítico 18 sozinho (ou Vaiykrá 18). O capítulo faz parte da Parasha Acharê, na qual fazem parte os capítulos 16, 17 e 18. Esses capítulos apresentam uma série de mandamentos (mitzvot) positivos e negativos. Ou seja, diz o que um judeu deve e não deve fazer.

Terceiro: “Ein apotropos le arayot— ninguém é guardião da sexualidade de ninguém.

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Vontade de morrer

A discussão sobre a definição de Vontade nos estudos contemporâneos da cabala parecem sempre girar em definições circulares, como um ralo que nunca esvazia a pia.

Tentei condensar a explicação em algumas metáforas simples. A questão é que “vontade” é uma palavra usada no dia-a-dia, mas não está aqui com esse significado cotidiano. Isso acontece com termos técnicos.

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Demônios imaginados: A Mulher de Branco

Ela se chama Jeanette no Sul do Brasil. No Sudeste a conhecem como Janete. Um amigo, vindo do Nordeste, jura que ela se apresentou como Maria João. O pessoal do Norte conta que ela era casada com o boto e vem alertar os maridos nas estradas que as esposas correm risco de serem levadas pelo homem do chapéu branco. A gente do Pantanal diz que, se ela aparecer por lá, morre de novo.

É lenda urbana comum entre caminhoneiros. Pudera, se ela viaja na boleia Brasil a fora, procurando um novo pobre diabo para levar consigo. Deve ser fácil chegar aonde quiser.

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