A Água Interior e o Monstro de Três Cabeças

cabala-banner

“É preciso dar vazão aos sentimentos!
É preciso dar vazão aos sentimentos!
É preciso dar vazão aos sentimentos!”
Bidê ou Balde, É Preciso Dar Vazão aos Sentimentos

Li por aí a expressão “Água interior” e achei que se encaixa bem aqui. Água é o mundo emocional. O que sentimos ou, antes, o movimento interno causado pelos estímulos recebidos pela superfície/interface dos nossos sentidos: tato, olfato, paladar…

Continue Lendo

Acher, o outro

Captura de Tela 2017-09-29 às 10.41.03

Um dia, o grande rabino Elisha ben Abuya decidiu deixar o judaísmo. É aparente nos escritos judaicos um certo rancor com essa escolha. Mas, apesar de deixar claro o descontentamento com o caminho tomado por ben Abuya, o judaísmo não conseguiu esquecê-lo.

Nascido pelo ano 70 EC, pouco se sabe sobre sua vida. Ou talvez os registros tenham sido apagados. Sabe-se que nasceu na região da Palestina provavelmente em uma família muito rica. O jovem Elisha teve chance de dedicar-se ao judaísmo, mas também de viajar e conhecer outros povos.

Sabemos que foi um grande rabino, pois há ao menos uma decisão rabínica registrada em seu nome no Talmud. Talvez, outras decisões tenham sido posteriormente atribuídas a seus alunos ou de outros rabinos.

Continue Lendo

Crescimento, tolerância e abundância

Captura de Tela 2017-09-29 às 10.35.26

Tolerância é uma palavra difícil. Muita tolerância, e somos indiferentes. Não nos importamos se as outras pessoas percorrem caminhos que consideramos errados. Pouca tolerância, e somos extremistas. Não permitimos que outras pessoas percorram caminhos diferentes do nosso.

Tolerância é o respeito a um espaço coletivo para o crescimento individual. Está no reconhecimento de que o outro precisa de espaço para crescer; mesmo que esteja errado, deve haver espaço para que a pessoa melhore. Acima de tudo, deve haver confiança de que, se nosso caminho é correto, a outra pessoa virá nos encontrar nesse caminho.

Como viver nesse paradoxo?

Continue Lendo

O Bombeiro de Rosh Hashanah

Captura de Tela 2017-09-15 às 16.02.46

Durante o último mês do calendário judaico, tocamos o shofar. O shofar é um instrumento de sopro, feito de chifre de carneiro. Pode ser de diversos formatos e tamanhos. A maioria das pessoas crê que o shofar é algum tipo de fetiche, objeto mágico capaz de dar poder a quem o segura. Não deixa de ser verdade. Mas, dentro do judaísmo, o shofar tem um significado mais forte e mais mundano.

Continue Lendo

E quem é você para ter a audácia de se declarar um nada?

cabala-banner

Em pleno Dia do Perdão, o presidente da sinagoga, em meio ao coro de preces que pediam pela retificação dos erros, se levantou visivelmente emocionado e confessou:

— Meu Deus! Quem sou eu? Eu sou um nada.

Logo depois, seguindo seu exemplo, levantou-se o diretor cultural da sinagoga, que também admitiu:

— Meu Deus! O que sou eu? Eu sou um nada. — voltando a sentar-se com um ar constrito.

Na sequência, o chazan, o cantor da sinagoga, levantou-se e proclamou com sua bela voz:

— Meu Deus, o que sou eu, então? Eu sou mais um nada.

Animado pela seqüência, o shamash, o zelador da sinagoga, fica de pé e confessa:

— E eu, Meu Deus, quem sou eu? Eu sou um nada.

De imediato, várias pessoas protestam:

— E quem ele acha que é para se declarar um “nada”?

Continue Lendo

A magia mais poderosa

cabala-banner

Um mago judeu — digo — um rabino, profundo estudioso da cabala, entrou pela porta da sala de aula.

Viera visitar a escola algumas vezes antes e hoje estava interessado em saber como as crianças estavam se comportando em seu aprendizado das letras. A turma era de alunos pequenos. Nas escolas modernos, os alunos estavam divididos por idade. Muito diferente das escolas onde o rabino estudara. A turma era só de crianças pequenas que cochichavam assustadas tentando descobrir o que o rabino era.

Continue Lendo

Deuses modernos: Qfwfq e o conhecimento através experiência humana

Captura de Tela 2017-06-13 às 12.56.49

Deuses imaginados. Talvez todos os deuses tenham sido imaginados um dia antes de existirem. Com o seriado Deuses Americanos trazendo o livro de Neil Gaiman de volta ao mainstream — ou pelo menos ao nerdstream — nós voltamos também nossa curiosidade aos deuses modernos. Quem são? O que fazem? Como se relacionam? Trago um destes deuses contemporâneos. Fraco em culto, talvez, mas culto em sua natureza. Ele representa um acesso intermediário ao conhecimento científico através da experiência humana comum.

Continue Lendo

31 de maio, sonhos e a virada cultural de Shavuot

cabala-banner

Tikun leil shavuot. A retificação da noite de Shavuot.

Quanto mais estudamos durante o dia, mais se aprende durante o sono… Estudos contemporâneos também demonstram a importância do sono para a consolidação do aprendizado. E é possível argumentar que a cabala já dizia isso.

Claro que as explicações são distintas. A cabala aponta que o estudo durante o dia facilita a elevação da alma para que ela aprenda “nos Céus” durante a noite.

Continue Lendo