Lag b’Omer e uma epidemia 1900 anos atrás

Há 1900 anos, os alunos de Rabi Akiva morriam de uma epidemia de askalá, o que hoje se acredita ser difteria. A descrição talmúdica nos conta que se morria “enforcado”. A garganta era o alvo real e simbólico da morte. Simbolicamente, morreram os alunos que não aprenderam a demonstrar respeito por seus colegas. Foram 24.000 estudantes mortos em 33 dias. Foram mais de 700 mortes por dia. Ou muito mais, se considerarmos que não foram apenas os alunos de Rabi Akiva os atingidos.

Rabi Akiva ficou conhecido por ensinar que “ama o próximo como a ti mesmo, essa é a grande regra da Torah”. Como então seus alunos não se respeitavam?

Ao longo da história, o judaísmo chegou a conclusões diversas.

Em uma, que me parece mais fantasiosa, os alunos queriam competir para ver quem amava mais os outros e acabaram por descuidar de si mesmos. Um excesso de altruísmo tornou-se negligência.

Em outra, mais professoral, os alunos teriam compreendido que “amar ao próximo” seria todo o ensinamento da Torah e, por isso, teriam deixado de estudar.


A mais aceita diz que os alunos de Rabi Akiva amavam uns aos outros, mas esqueceram de se respeitar.

Respeitar é uma palavra diferente de amar. Na cabala, ahava / amor está ligada chesed. A palavra kavod / respeito está ligada à hod e à malkuth.

A forma correta de se demonstrar kavod é enxergar no outro um tzadic maior que em si mesmo. O outro merece demonstração de respeito sem atropelar a vontade da outra pessoa. Queremos dar aos outros o amor que eles merecem, mas na medida em que se propõem a aceitar.

Kavod é respeito, é dignidade, é glória. Ao mesmo tempo, kaved é pesado. Respeito deve ser entendido como a forma de homem honrar a dignidade de outra pessoa.

Na memória do judaísmo, hoje é o dia em que os alunos de Rabi Akiva aprenderam a importância do respeito mútuo. Nesse 33o dia do Omer, a epidemia cessou.

Hoje é o dia de lembrarmos que todos merecem amor, mas cada um tem suas limitações para dar e receber esse amor.


A chave para kavod está na frase em Pirkei Avot (4:15): “a dignidade do teu aluno deve ser tão importante para ti como a tua; a dignidade do teu colega deve ser tão importante quanto a do teu professor; a dignidade do teu professor deve ser tão importante para ti quanto a de D’us”.

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