Sodoma e Gomorra

A esposa de Lot foi transformada em uma estátua de sal quando se virou para trás para ver a destruição de Sodoma e Gomorra.

O Midrash diz que quando Lot recebeu os viajantes em sua casa, ele ofereceu sal como regra de hospitalidade. A tradição existe ainda hoje na forma de um pão salgado oferecido aos convidados especialmente na região dos Balcãs. A esposa de Lot desaprovou o marido, mas, não tendo sal em casa, foi de porta em porta pedir um pouco emprestado. Esse gesto de sair e falar com os vizinhos foi o que alertou todos da chegada dos viajantes. Se Lot não tivesse oferecido sal, ninguém teria sabido de nada.

Sal é símbolo de purificação. A falta de sal em Sodoma, onde vivia Lot, é sintomática. O excesso de sal hoje (próximo ao Mar Morto) seria sinal da limpeza comandada por D’us em seguida.

A esposa de Lot — que não possui nome na Torah, mas é tradicionalmente é chamada de Adit ou mesmo Edith — simboliza esse estar preso entre o lugar onde se estava e o lugar onde se quer ir.

Lot, Adit e suas filhas deveriam deixar para trás o mundo em que viviam e seguir em frente. Adit não conseguiu.

A história de Lot também é associada à tradição de lavar as mãos após as refeições com pão ou sal. Antes das refeições, racionalmente lavamos as mãos para comermos com as mãos limpas, para não colocarmos trazermos sujeira à nossa boca. Depois das refeições (mayim acharonim), lavamos as mãos para limpar das mãos as sujeiras das nossas mãos, o sal de Sodoma (malech sedomit).

O “sal de Sodoma” teria o poder de “nos cegar às necessidades dos outros”.

Vivemos em tempos de mudanças. A história de Lot e Adit nos lembra dois pontos importantes:

  • Não podemos ficar presos olhando para trás. É hora de olhar para frente, para o novo mundo que estamos construindo. A páscoa e pessach se aproximam e, talvez, depois de tantos anos, não possamos passar estas datas com nossas famílias e amigos. Precisamos nos adaptar. Pode ser que o mundo não seja mais o que era antes.
  • É hora de proteger a própria família, mas precisamos ficar abertos às necessidades dos outros. Temos bons motivos para nos fechar em casa e não recebermos visitantes, mas isso não significa ser hostil e negar o básico a quem precisa.
  • Lembrem-se de lavar as mãos.

Shbaa.

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