O mago e o desconforto

Se eu pudesse resumir uma meta de vida do LHP Draconiano, eu resumiria em uma comunhão com os instintos primários do homem, aquilo que nos faz conectado com a nossa natureza selvagem, primitiva.

Um dos maiores problemas que eu vejo nas pessoas hoje em dia, são a falta de propósito com a própria vida. São levados pelos meios em massa, escolhem ser governados por políticos com fantasia de messias salvador, se afundam no consumismo exagerado e são governados por ideais de amor romântico cinematográficos.

Poucas pessoas conseguem sair da lama do status quo e atingir algum tipo de sucesso na vida, seja ele simples como ser feliz com o que tem.

Somos uma sociedade ansiosa e depressiva.

A ansiedade vem como um sentimento de que algo vai acontecer ou algo deveria acontecer. Eu sempre fiquei ansioso antes de palestras ou apresentações em público, no momento que eu percebi que a minha ansiedade não era o medo de falar e sim uma vontade de por pra fora aquilo que eu tinha pra ser mostrado, tudo mudou.

Na primeira palavra todo aquela energia que ficava ali latente acelerando o coração, saia junto com as palavras, minhas costas incendiavam e eu me sentia pleno. Naquele momento o Desejo incendiava a Vontade que saia em forma de fala pra aquela galera que estava ali pra me ouvir. Nesse momento eu percebi que toda essa alquimia vinha daquilo que eu achava que era um problema.

Eu sempre falei alto na minha adolescência, falava o que pensava, anos e anos de castração de gente que não consegue ver pessoas empolgadas (obvio que você não vai ficar gritando que nem um louco no meio da rua), mas muita gente acha que empolgação de pessoas extrovertidas é soberba e arrogância. Acabei ficando muito mais introvertido do que eu gostaria, até que 15 anos depois eu pude me reconectar com essa essência interior.

Nós perdemos muito dos nossos instintos, afundamos demais na cultura modernizada e civilizada, esquecendo da conexão com o Sagrado da Natureza, e de encarar o Universo com uma máquina programada que não depende de nós pra existir.

Nossa civilização, construiu para si o conforto. Nós podemos dormir em casa sem se preocupar muito com sermos atacados por feras selvagens, conseguimos prever com alguma precisão alguns desastres naturais, podemos comprar roupa e comida para sobrevivermos.

Mas o nosso corpo ainda herda toda a estrutura primitiva, que é a sobrevivência instintiva. Construímos uma gaiola para nós, enquanto nossas asas ainda estão ali, feitas e designadas para voar. Você consegue ver que atletas são pessoas ansiosas que não conseguem parar quietas, pois elas estão usando sua máquina biológica para o que ela foi criada, enquanto nós nos mantemos sedentários com comida abundante num super mercado.

Muito do treinamento militar, principalmente o de forças especiais, é feito para condicionar os soldados a situações extremas de desconforto, para que eles consigam sobreviver. Muita da depressão pós-guerra, vem do fato de que o cara depois de passar meses a anos com descargas absurdas de adrenalina, não consegue mais produzir em si essa sensação de saciedade biológica.

Tudo isso pra dizer que o maior problema do mago é o conforto, quando ele acha que sabe tudo ou aprendeu o suficiente, o Universo vem e chacoalha as coisas. O maior problema está na percepção de que você deve viver uma abundância infinita, prometida em livros sagrados. A maturidade mágica vem quando se tem a noção de que a vida sempre será uma montanha russa, onde nem tudo estará perfeito o tempo todo, assim, o mago pode seguir adiante e sempre estar progredindo, numa escala de tempo indeterminada.

Existem estudos sobre longevidade, que demonstram que aldeias remotas onde as pessoas tem mais de 100 anos de idade, consomem menos calorias do que o corpo precisaria (no senso comum). Wim Hof, desenvolveu um método que usa respiração, meditação e exposição ao frio para aumentar a imunidade biológica, fazendo a máquina física que nós possuímos. Na natureza, a abundância está na base da pirâmide, os predadores ficam no topo e são aqueles que caçam com fome.

O mais interessante é que essa visão de conexão já existia muito antes dessa separação entre LHP e RHP, como podemos encontrar nas tradições germânicas e principalmente nas orientais. As Qlipoth, na minha visão, foram distorcidas para algo “imundo”, mas na realidade, são aquilo que está muito próximo do selvagem, animalesco.

Muitos programs de TV utilizam essa premissa, existem estudos de mais de 20 anos que comprovaram que o melhor método de aprendizado é o direcionado ao desafio, como é perfeitamente mostrado em programas televisivos, como Hell’s Kitchen e Masterchef, onde a cada novo desafio em situações de extremo desconforto, os participantes ficam melhores, mais confiantes e mais seguros numa postura de liderança.

Essa postura concede ao praticante LHP, o progresso. O erro da busca pela abundância infinita é o que deixa de lado a importância da escassez, que ressignifica os ciclos naturais e nos coloca próximo de nossa base instintiva, ao mesmo tempo que nos conectamos com o divino, mas de uma forma mais transgressora. Construindo uma base sólida e fortalecendo todos os campos da nossa vida, com a ciência de que ela nunca será um mar de rosas, é muito mais fácil enfrentar os desafios que ela nos proporcionará. Mares calmos não fazem bons marinheiros.

 

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