É permitido fumar: o lugar do pecado na prática espiritual

Alguém perguntou sobre o cigarro no judaísmo. Sendo o suicídio condenado na religião judaica, alguém perguntou, não seria o fumo uma espécie de suicídio lento e portanto proibido? Nosso rabino respondeu que não, e acendeu seu cigarro.

Há uma questão (taxonômica talvez) aqui: quão devagar seria permitido causar mal a si mesmo e ainda não ser classificado como “suicídio”? Quero dizer, seria permitido pelo judaísmo, em algum grau, fazer mal a si mesmo? Aqui me parece que há a questão do ponto de partida e do caminho desejado.

A cabala indica o tikun como caminho, a reparação do mundo. Já falamos sobre tikun como “catar pedras” e como “fazer bem” mais do que fazer O Bem.

Na premissa está a falibilidade do ser humano ou, em palavras mais simples, o erro. Todos nós erramos. Assumindo que erramos, não é que temos permissão de errar, mas o fato de fazermos coisas erradas não pode nos impedir de tentar fazer coisas certas também.

Outro causo (esse decididamente alegórico) serve aqui. Dizem que um padre novato foi à sinagoga visitar um amigo de infância que havia recentemente terminado seus estudos para ser rabino. O rabino fumava enquanto rezava. Fumava, dizia uma beracha, fumava, lia um trecho dos Salmos/Tehilim. Terminada a cerimônia, o padre foi ter com o rabino:

— Puxa. Eu sempre perguntei aos meus superiores se poderia fumar enquanto rezava, me proibiram com veemência.

— É mesmo? Na yeshivah, me ensinaram que não havia problemas. Como conversaste com eles a respeito?

— Eu simplesmente perguntava a meus superiores, de tempos em tempos, se seria permitido fumar enquanto rezava. Achei que algum deles tivesse opinião diferente, mas sempre me negavam.

— Ah, aí está seu erro. Eu sempre perguntei se poderia rezar enquanto fumo. Meus professores sempre me confirmaram que rezar é permitido em todas as ocasiões.

Shbaa.

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