A Trindade Draconiana: Exu Mirim e Pomba-gira Mirim

Fechando a Trindade Draconiana. Hoje chegaremos a parte que foi mais difícil de escrever. Seja pelo entendimento necessário, seja pela carência de informações para que pudesse ter criado uma analogia completa.

O terceiro elemento da Trindade Draconiana, é o Dragão. Em algumas correntes este ser é representado também por uma Serpente. Como uma besta selvagem, ele representa a nossa energia primeva, selvagem e indomável. Não só pela violência, mas principalmente por ser a energia mais crua, que não passou por refinamentos ou desvios.

O Dragão representa a “conexão” do Vazio com uma Realidade Objetiva Manifesta. Ele não representa só toda a nossa realidade, mas também o sentido axiológico de que haja um antes, este sendo o imanifesto. O Dragão seria a união da mente consciente com a inconsciente.

Na Umbanda, esse fluxo de energia é tido como movimento, regido pela linha de mirins. Exu Mirim, representa a dimensão das intenções. É aquilo que ainda não se materializou, mas que no fluxo do movimento, rege o que está se materializando. Numa experiência onde pude vivenciar essa dimensão, vi que cada pessoa tinha exatamente aquilo que suas intenções pulsavam, na maioria delas, o medo de ser. 

Na parte manifesta, temos Pomba-gira mirim, que é uma entidade ainda muito rara em terreiros, por isso deu um certo trabalho conseguir fazer a analogia completa apenas com Exu Mirim. Pomga-gira mirim, aqui, representa a continuidade. Com uma filha, ela representa a continuidade pois poderá no futuro gerar novos frutos. A continuidade é o que sustenta a nossa realidade objetiva, tanto no fluxo natural –  todo produto é resultado de algo anterior a si – quanto no fluxo em esferas mais elevadas.

A continuidade no universo objetivo é a consequência, a partir de alguma causa. Tudo que existe hoje é resultado de alterações ou conjunções de fatores anteriores. Nosso conhecimento é o resultado do acúmulo do conhecimento feito por outros antes de nós. As nossas moléculas são resultados de ligações que aconteceram em estrelas, que antes eram poeira cósmica.

A Continuidade, na linha Draconiana, representa a ilusão do Tempo. O Universo é destruído e reconstruído numa velocidade que não conseguimos acompanhar, da mesma forma que um monitor se apaga e se liga 60x por segundo, mas vemos ele sempre ligado, estático. Essa é a ilusão temporal.

Dito isto estas duas entidades de esquerda representam uma analogia com o Dragão Ancestral. Enquanto um representa as intenções imerso num mundo de possibilidades, o outro representa a manifestação daquela intenção.

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O objetivo destes textos era uma introdução as divindades draconianas, usando elementos mais próximos da magia aqui no Brasil. São a base filosófica para o sistema Draconiano, encontrando correlação com os mistérios trabalhados por essas entidades na Umbanda e Kimbanda, servindo de ponte para que elas também possam auxiliar aqueles que se interessam pelo LHP e pelas correntes de estudo Draconiano.

Também existem analogia desses arquétipos com ZOS-KIA-KAOS. Aqueles estudantes mais avançados de kaoísmo poderão encontrar as semelhanças conceituas entre eles.

As cores que representam o sistema draconiano, o negro, o branco e o vermelho, existem em outras filosofias e seus mistérios chegaram até nós ocultos pela história. Desde o Nigredo, Albedo e Rubedo, dos alquimistas, quanto as feiticeiras Iyamis: dudu, funfun e pupa. A Grande Mãe Ancestral, Iyami, também é uma representação do próprio Dragão. Nos estudos Enochianos, temos Vovin e Choronzon.

Que todos os Filhos da Serpente possam rencontrar o seu berço, e nele, se reconstruir a imagem daquilo que sempre foram. Quebrem as correntes, abram o olho, e percebam a realidade como ela é: uma ilusão.

 

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