Iluminação e Insanidade

Um bom momento a todos os leitores.

Um dos componentes mais essenciais que encontrei no sucesso das operações e rituais mágicos que pratiquei, foi a capacidade de ter fé no resultado, o esforço para convencer a mente de que o resultado iria se manifestar literalmente, de que uma entidade iria aparecer materialmente na minha frente,  que objeto evocado iria surgir e que o feito, iria se realizar conforme o descrito.

Vivemos em um paradigma de compartilhamento fácil de informação, de pensamento científico e explicações psicológicas para efeitos mágicos,  nossa mente tem a tendência de racionalizar os feitos arcanos imediatamente após testemunharmos eles, a maioria das pessoas não aceita um feito mágico sendo puramente mágico,  vemos isso, por exemplo, na abordagem de utilização do conceito sombras, arquétipos e outras explicações junguianas para feito os místicos.

Conseguir colocar a mente em um estado que não separa imediatamente o físico, do metafísico, para mim é tão complicado quando você tentar imaginar uma nova cor,  o homem medieval europeu não tinha essa separação, ele vivia seu místico vinte e quatro horas por dia, seja sua religião, seja suas superstições e eles eram tão certos quanto fenômenos facilmente observáveis, como a mudança do tempo e o ciclo das plantas,  eu acredito que esta mudança válida e proveitosa para humanidade, escapar dessa constante metafísica no qual você tinha plena crença de que se você não fizesse determinado procedimento algo material aconteceria com você, incluindo demônios aparecendo e te levando.

Porém com isso veio o custo de que somos um povo menos mágico, menos místico, atualmente a quantidade de pessoas vivas é maior do que era em outros períodos históricos, logo tem pessoas das mais variadas religiões e tem mais pessoas nessas religiões, porém o número de milagres registrados e publicados (que também é mais fácil de acompanhar nessa era da informação) estão proporcionalmente reduzindo,  não vemos os grandes milagres e racionalizamos os pequenos feitos que escapam nossa compreensão moderna, isso se estende tanto para oração do devoto de cada uma dessas religiões, quanto para o ritual de alta magia.

Então se você praticante, consegue realizar essa união na sua mente do físico com o metafísico de maneira que uma se torne tão real quanto a outra e você consegue resultados com isso, você se sente mais confiante e consegue invocar esse estado com mais facilidade,  mas ao mesmo tempo você está se afastando da realidade consensual, na qual o milagre não acontece, na qual pessoas não afetam a realidade, pelo menos não de uma maneira direta imprimindo sua vontade sobre ela, essa sua capacidade de atingir esse estado e a compreensão dele,  é iluminação ou é insanidade? Existem diferenças reais neste caminho? Pois você pode falar que a diferença entre ambos está nos resultados, mas a consequência de ambos é também muito próxima, que é o afastamento da realidade consensual, da realidade mundana, esse é um preço que vale a pena pagar?

Porque outra coisa que acontece é que com esse afastamento da realidade consensual, os inseridos nela tendem a se afastar de você, isso é um fenômeno que tenho notado através dos anos com muitos praticantes.

Fica o questionamento para vocês, leitores.

 

 

Grato a todos pela atenção.

Dheib.

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2 Comentários

  1. A psicologia Junguiana é fascinante, e a filosofia materialista é, ao meu ver, a mutilação do sentido mágico da humanidade. Ambos são danosos para a visão mágica do mundo. Passamos milhares de anos compreendendo o universo ao nosso redor como vivo, falando com animais, fazendo jornadas nas costas de águias para buscar a cura para os membros do nosso bando, e em menos de 100 anos temos esse sentido cortado com o bisturi do materialismo. Arranjar explicações para tudo é perecer com os cães da razão, como dito no Liber Al Legis (ou algo do tipo). Entendamos pragmaticamente, e sintamos a vida do universo!

    1. Concordo, que é uma boa visão, mas a materialidade trouxe segurança ao homem comum, trouxe método e confiança para quem não pode ser um homem místico, alguém estudado e que vive experiências transcendentes.

      Tornou a vida mais mundana, mas também mais confortável e seus benefícios para aqueles que se interessam apenas pelo conforto cotidiano é algo inegável.

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