As Qliphot dos Médicos Emocionais

Conforme passam-se os dias no meu atual ritual de purificação, recebo mais e mais inspirações quanto a conhecimentos que se mostram práticos para a vida terrena no momento atual.

Hoje, pretendo compartilhar com os meus irmãos e irmãs um novo conhecimento que, a pesar de ter sido em sua maior parte intuído (logo, muito possivelmente incompleto), ainda assim me parece lógico e útil.

Sigamos.

 

 

As Qliphot dos Médicos Emocionais

Ou: A origem e cura de doenças emocionais

Sabemos que a estrutura da árvore da vida pode nos ajudar a compreender muitos conceitos. Um deles é o conceito de qliphot, ou “cascas vazias”, que nos permite compreender o que parece, à primeira vista, daninho, perverso e/ou destrutivo. Por meio desse conceito, aliás, podemos relacionas as qliphot (as “cascas vazias” das sephirot) com emoções. Esse texto trata desse assunto em específico, e não irá se aprofundar em outras formas de kabbalah.

O principal a observarmos no que já há de material a respeito das qliphot e as emoções a elas relacionadas é que tais emoções são superficiais e psiquicamente impossíveis de serem trabalhadas – podem meramente ser esgotadas ou deixadas esgotar. Isto é, vejamos por exemplo golachab – relacionada à violência e à ira, ou agressão, golachab está relacionada à raiva.

Ora pois, como curar a raiva ?

Uma pessoa que tenha raiva de outra, por exemplo, desejando vingança, não obterá sua satisfação nem realizando a vingança, nem obtendo justiça, nem esperando que o tempo passe e tentando “esquecer” o que aconteceu. Isso porque a raiva, em seu aspecto psíquico, é meramente a expressão de uma tristeza que se encontra empoderada, isto é, em posição onde veja o causador de sua tristeza como menos poderoso que ele mesmo (e relacionada, assim, à figura da mãe amordaçada).

Pode-se ser um médico emocional (isto é, curar a raiva, curar golachab) ao se aplicar o princípio de aplacar a tristeza e acolher a criança interior – o que pode acontecer, por exemplo, quando a figura da misericórdia (chesed) aparece, ou, por oposição, até mesmo quando aparece a figura da disciplina (geburah).

Mas tratemos desses assuntos uma qlipha por vez, com exemplos únicos em cada qlipha quanto a como resolvê-la. Ainda assim, estejamos cientes de que, mesmo que os exemplos aqui dados sejam simples, na realidade há tantas formas de resolver cada problema quanto há caminhos ligando cada qlipha a outra.

 

 

Primeira Qlipha, Lillith :

Nome místico – Fornicação

Referência Literal – Desperdício

Referência emocional – Birra

Referência emocional retificada – Ansiedade

Cura – Atenção.

Quando falamos de fornicação, nome místico que se refere ao ato ou ação sem propósito, sendo uma referência mística à ideia hebraica de que todo ato sexual deve ter como propósito gerar um filho, devemos estar cientes de que essa qlipha, obviamente, representa muito mais do que as emoções a ela relacionadas. Contudo, emocionalmente, ela representa ao mesmo tempo o maior nível de inconsciência emocional possível, como também o primeiro nível das emoções – isto é, aquele que age de forma fornicadora (desperdiçando coisas, como lágrimas) está tão completamente inconsciente das próprias emoções que, muitas vezes, sequer perceberá que está agindo. Ao mesmo tempo, ao analisarmos a ordem de manifestação das qliphot em um paciente, esse nível nos demonstra o primeiro nível de sua existência emocional – o mais superficial e também o mais fácil de se perceber.

O desperdício, em geral, é a tônica de Lillith. Por isso o nome “fornicação” adquire um sentido místico que deve ser compreendido mais a fundo. Já a sua forma emocional exterior é a Birra – a recusa inconsciente, determinada e, normalmente, furiosa, a se realizar algum ato. A birra, por sua vez, deriva da transformação, de passiva a ativa, de uma emoção primária muito mais simples e curável – a ansiedade.

A ansiedade representa a total incapacidade de percepção do que se realiza, e muitas vezes vem acompanhada de outras qliphot, como depressão, pânico ou similares. Todas derivam um quadro de afundamento emocional, cuja principal causa, provavelmente, estará naquelas ações emocionais mais inconscientes, isto é, mais ansiosas e de maior ativação de “birra” na pessoa. A cura para tal, retificando tais ações de serem desperdícios a se tornarem ações providas de propósito, parte da atenção.

Uma vez que o paciente tenha sido ensinado a prestar atenção ao que está fazendo, e a olhar para si mesmo, isto é, para suas emoções, durante uma crise de ansiedade ou pânico, durante um ataque obsessivo-compulsivo ou demais, gradualmente tais atos deixaram de ocorrer enquanto alívios temporários, automáticos e pervertidos para uma psiquê adoecida, se transformando aos poucos em atos mais saudáveis, conforme o paciente percebe o propósito oculto (a função emocional) que tais atos possuem. Isso, é claro, implica que toda qlipha na realidade é uma sephira que está tendo seu propósito inicial distorcido, de modo com que sua expressão se torna incompleta e destrutiva – o que é, de fato, verossímil, já que a própria estrutura da “casca” nada mais é que a luz (o propósito) emitido da sephira anterior.

 

 

 

Segunda Qlipha, Gamaliel:

Nome místico – Preguiça

Nome literal – Imobilidade

Referência emocional – Akrasia

Referência emocional retificada – Medo

Cura – Aceitação/Acolhimento

 

A segunda qlipha, Gamaliel, é chamada “preguiça” pela ideia de que, em sua essência, ela representa a falta de vontade de mover-se adiante, isto é, a faculdade de quem, de alguma maneira, despreza o esforço dos demais e se delicia em não fazer esforço algum. Contudo, no mundo real, Gamaliel (ou “preguiça”), pouco tem a ver com os outros e mais com uma incapacidade de mover-se em direção àquilo que se deseja, ou que seria racionalmente bom para o indivíduo.

Sua referência emocional é a “Akrasia”, ou seja, “falta de força de vontade”. Contudo, tal força, em si, que também pode ser chamada de “covardia” ou “ataque de pânico”, deriva, como pelo nome já se fala, de um medo fundamental e inconsciente.

O paciente localizado em Gamaliel, em termos emocionais, estagnou em algum momento da vida onde, dado algum acontecimento ou input, apareceu uma reação intensa de medo que permaneceu inconsciente. Tal reação, por estar fora dos olhos da pessoa, isto é, dado que ela não consegue conscientemente encarar a fonte de seu medo, gera nela a reação de imobilidade perante esse medo – ou de reagir contrariamente ao movimento, caso seja arrastada a ele.

A cura para tal emoção é o acolhimento. O paciente deve se sentir acolhido como seria em um colo de mãe ou de pai, totalmente seguro e aceito, sendo a sensação de aceitação, por parte do paciente, de seu todo, imprescindível. Desse modo, poderá ele organizar seu mundo emocional o suficiente para que possa, então, prestar atenção ao que lhe está dando medo – e assim dissipar tal medo – pois meramente observar o objeto do medo de forma cada vez mais tranquila e segura é suficiente para se superar o medo. Tal método tem íntima ligação com os métodos de dessensibilização usados em casos de fobias.

Obviamente, ao chegar nesse nível o paciente já deve possuir a capacidade da atenção. Caso esteja em birra, será inútil acolhê-lo, pois não perceberá a aceitação, nem sentirá a segurança para observar e dissipar seu medo.

 

 

 

Terceira Qlipha, Samael:

Nome místico – Mentira

Nome literal – Desinteresse

Referência emocional – Incapacidade

Referência emocional retificada – Insinceridade

Cura – Aceitação Interior

O principal erro ao se trabalhar com a terceira qlipha, Samael, é considerar que se entende o conceito de mentira, sendo que normalmente tal conceito está relacionado a ideia de uma pessoa que mente para objetivos próprios e que está consciente da própria mentira. Contudo, a mentira aqui refere-se a um desinteresse, pois mentir, em sua origem, nada mais é que produzir um “Veneno” que, aos poucos, leva o propósito original de uma ação a se perder. Esse veneno é o desinteresse pelo resultado do que se realizou.

Analisando pelo viés emocional, Samael nos demonstra o momento em que o sentimento de incapacidade e inutilidade se instala. Tal sentimento deriva-se de uma insinceridade interior – um erro na hora de se manifestar o verdadeiro motivo pelo qual algo está ou não está sendo feito.

Para se tratar essa qlipha, é necessário ao médico que abandone a ideia de que os erros e insinceridades do outro dizem respeito a ele e são um ataque a ele, pois tais insinceridades estão normalmente relacionadas a entraves emocionais no que diz respeito a aceitar as próprias reações, sensações e percepções – assim como medos e birras também o estão. O paciente que se encontra em estado de incapacidade ou insinceridade normalmente possui um sistema de valores e moral incompatível com suas sensações, pensamentos e emoções no momento da expressão de algum ato ou emoção, e por isso o rejeita, perverte e substitui por uma mentira ou ideia de incapacidade.

O entrave emocional da insinceridade é curado por meio da aceitação, pelo próprio paciente, dos verdadeiros motivos pelos quais não deseja realizar um ato ou passar por alguma experiência. Tal aceitação, portando, depende quase que exclusivamente do paciente, mas o médico pode buscar técnicas e maneiras de, ao entrar em contato com tal paciente, gerar nele a capacidade de aceitar a si mesmo pelo reconhecimento das capacidades do ser de melhorar a si mesmo, assim como pela revisão dos seus próprios códigos de moral e valores.

O papel do médico, nesse caso, é de coadjuvante e ouvinte perfeito. A ele cabe criar um ambiente e situação onde a pessoa possa abrir-se em termos de explicar e deixar claros seus verdadeiros valores e moral, sem que hajam julgamentos sociais para impedir sua manifestação plena, e também para que a pessoa possa admitir onde acredita estar errando. O médico deverá, ainda, suprir com energia e atenção o paciente, dando-lhe assim o substrato necessário para que o mesmo, de forma espontânea, possa desabafar sua frustração consigo mesmo, assim obtendo sinceridade.De certa maneira, portanto, o papel do médico nesse caso é o de prover ao paciente uma pessoa com quem possa conversar que, acredite ele, ache o paciente menos perverso e imoral do que o próprio paciente se acha.

 

 

 

Quarta Qlipha : Arab Zereq

Nome místico – Corvos da Dispersão / Luxúria

Referência Literal – Anarquia

Referência emocional – Confusão/Desatenção / Dispersão / Fuga da Realidade / Desespero / Hipocrisia

Referência emocional retificada – Fanatismo

Cura – Aceitação do Real / Expansão de Horizontes

 

A sephira Netzach está relacionada à vitória, isto é, à situação onde a guerra está vencida e não há mais necessidade de se batalhar, apenas dividir os espólios (Hod), acalmar as pessoas (Yesod) e manifestar a paz (Malkuth). É o momento onde o conflito encontra sua resolução. Onde a tragédia recebe o final feliz. Onde a princesa se casa com o príncipe. Onde o cristão sobe aos céus, o mulçumano recebe 72 virgens e o rei volta vitorioso para o lar.

Já sua qlipha nos traz justamente a situação onde, apesar de aparentemente já haver vitória, isto é, não haver mais inimigos contra quem se lutar, ainda assim há caos, desordenança e total falta de ordem e resolução do conflito. A anarquia em seu sentido de falta de ordem.

A mesma situação advém de seu segundo nome místico, luxúria – que significa entregar-se aos impulsos quaisquer que sejam eles, uma situação de total caos e confusão onde não há qualquer sentido de ordem. A emoção relacionada a essa anarquia é a confusão, também chamada falta de atenção, incapacidade de concentração ou dispersão. Devemos evitar confundir essa emoção com a sensação de estar sonhando com algo que se queira sonhar, ou prestando atenção em outra coisa que não se deveria estar prestando atenção. Em ambos os casos há atenção presente, ela apenas não está onde se espera que esteja por algum motivo.

Mesmo nos casos onde uma pessoa esteja em uma reunião ou sala de aula, por exemplo, e se lembrando de algo importante que aconteceu em sua vida ao invés de prestar atenção no superior, o que ocorre é que, para o mundo emocional interior dessa pessoa, aquilo que ocorreu em sua vida é de fato mais importante do que aquilo que está acontecendo no momento atual – o que demonstra uma manifestação de netzach em termos de sua capacidade de concentração, o que demonstra que está saudável até esse nível o seu estado emocional no que diz respeito a priorizar a atenção, mesmo que haja ainda uma manifestação de lillith no sentido de ter ido à reunião mesmo estando nesse estado (ao invés de ter ido resolver o problema de alguma maneira). Esse é um caso complexo onde há uma manifestação emocional positiva (dar atenção a algo mais importante que outra coisa, menos importante), juntamente com uma negativa (ir a um local de forma inconsciente e sem prestar atenção no que se faz).

Arab Zeraq se manifesta quando a pessoa está em um estado de total confusão, desatenção e incapacidade de concentração – tais quais os momentos após um grande trauma, como uma explosão ou a morte súbita de alguém, momentos de desespero tremendo, de instinto de luta-ou-fuga, e assim em diante.  Sua origem emocional verdadeira está no fanatismo – isto é, ao apego a algum elemento do ego que, em contato com o mundo exterior, foi mudado, mas que não se aceita, a nível da personalidade, que haja mudado.

(Aqui é importante frisar que o ego é composto de várias partes que podem rejeitar umas às outras entre si).

O estereótipo do padre libidinoso, da mulher que engana, entre vários outros ligados à perversão escondem, em si, a origem comum de todos eles: o apego de algumas partes do ego a crenças, situações ou percepções que não mais se verificam verdadeiras. Esse apego, por sua vez, deriva-se de memórias e situações às quais as partes da psiquê ainda se encontram apegadas e que são contraditas pela presença da experiência anterior que mudou o ego em si.

Por exemplo, o homem que possui uma memória onde o pai lhe traz a ideia de que homossexualidade é uma abominação e homossexuais são horrendos, mas que, ao ter uma experiência homossexual, ou ao sequer perceber que há homossexuais vivendo “como gente”, isto é, de forma digna e humana, percebeu que o que o pai disse estava errado – mas cuja grande parte do ego está ligada à figura desse pai, se apegando à ideia de que ele jamais poderá estar errado para sua manutenção.

O médico tem que tomar muito cuidado ao lidar com a dispersão e sua origem, o fanatismo. Sem contar sua segurança pessoal, toda dispersão, ao ser escavada, traz à tona grande conteúdo emocional, muitas vezes traumático e intenso, e catarses profundas são necessárias. Muitas vezes é preciso, ainda, trabalhar por vias alternativas, mudando os conceitos da pessoa por meio de outras memórias, às quais não esteja tão apegada, para só então ser possível trabalhar o fanatismo em si.

No exemplo acima, poder-se-ia trabalhar a figura do pai e o que ela representa para outras pessoas além dela mesma, assim expandindo sua visão do que um “pai” pode ser, dessa maneira retirando aos poucos a quantidade de carga emocional e psíquica concentrada na figura paterna, e assim permitindo que o fanatismo seja, aos poucos, dissolvido.

 

 

 

Quinta Qlipha : Thagirirom

Nome místico – Orgulho

Referência Literal – Apego ao Passado

Referência emocional – Dar Valor a Si Mesmo.

Referência emocional retificada – Estima Negativa de Si

Cura – Amor Interior

 

“Orgulho” significa, basicamente, sentir prazer no presente com qualquer coisa que tenha ocorrido no passado. É um ato de usar memórias e registros como formas de obter prazer e avaliar o valor do presente, sendo que o passado, em si, é ilusório. Para compreendermos esse conceito, visto que estamos em uma sociedade tão profundamente arraigada na ideia de que o passado de uma pessoa determina quem ela é no presente, é necessário que tracemos um paralelo:

Um rio pode estar caudaloso em um dia e vazio no outro. Com isso, podemos inferir que, se está caudaloso hoje, estará vazio no dia seguinte. Contudo, se o rio mudar de curso, nada disso vale.

O passado pode nos dar inferências sobre o futuro, mas tais inferências não devem ser, em si, entendidas como realidades, momentos presentes ou fontes de prazer. Podemos esperar que alguma atividade que nos deu prazer no passado nos dê prazer hoje, ou que algo que fizemos no passado signifique que tínhamos algo positivo em nós e que ainda está em nós hoje – mas nada garante isso.

Daí que ter prazer com o passado e, especialmente, com atos que nós mesmos relacionamos com o passado é assumir que não houve mudança, que o que tínhamos lá ainda temos hoje, e que o valor que possuíamos ainda possuímos. Emocionalmente, esse prazer pode vir de forma complexa, como a descrita acima, ou meramente em forma condensada, como um conceito formado de ter valor no presente que se formou em algum momento passado, onde a sensação de ter valor foi congelada no tempo e está constantemente sendo buscada pelo ego, mesmo que não hajam fontes para que essa sensação se manifeste. Em ambos os casos, a origem emocional de tal orgulho é a presença de uma estima negativa por si mesmo – não por seu valor ou por seus atos, mas por seu ser em si.

A máxima do “eu sou”, representação do ego livre da necessidade de prazer ou da reação negativa ao desprazer, traz em si a sensação constante de um valor e amor que advém de si mesmo para si pelo simples fato de se existir. Amar a si mesmo simplesmente porque isso é o natural, porque amor flui naturalmente do ser para si mesmo, independente de quem ele seja, é em si aquilo que suplanta quaisquer necessidades de orgulho, isto é, de julgar o próprio valor ou de buscar a sensação de ser valorizado.

O papel do médico emocional, nesse caso, é meramente o de ajudar a remover as barreiras que a pessoa cria para não sentir o amor que possui por si mesma – sejam elas memórias, vivências, conceitos, valores ou outros, desde que estejam impedindo que a pessoa sinta a sensação de felicidade, energia e contentamento de estar viva (ou meramente existir, no caso dos mortos), devem ser retirados com, igualmente, amor e carinho – pois sua retirada, a pesar de ser um alívio, raramente será possível sem que antes se trabalhem fanatismos.

 

 

Sexta Qlipha : Golachab

Nome místico – Ira

Referência Literal – Agressão

Referência emocional – Agressão Emocional / Depressão

Referência emocional retificada – Tristeza

Cura – Retidão

 

A sexta qlipha, Golachab, é talvez também a mais famosa de todas – tanto por aqueles que acham que a compreendem, quanto por aqueles que lhe dão valor por valorizarem a ideia de violência e agressão. Sua referência emocional, como dito, é a da agressão emocional – dos sentimentos de ira, ódio, raiva ou demais. Contudo, falta à maioria das pessoas a realização de que toda forma de raiva, em si, deriva-se de um sentimento de tristeza associado a uma ideia de poder.

Quando a pessoa se acha triste ou alguma parte de seu ego foi congelada em um momento de tristeza causada por algum agente externo, sua reação à presença do agente externo (ou daquele que ela ache ser o agente externo) será ou de deprimir-se e encolher-se, implodindo (depressão) ou de explodir e expandir-se, explodindo (ira). Daí que, tanto a Ira quanto a Depressão derivam, em si, da tristeza.

O médico emocional, para trazer a cura a Golachab, deve se utilizar da retidão. Isto é, é necessário encontrar o que a pessoa em si acredita ser o correto a se fazer (em qualquer que seja a situação que se esteja), e então acolhê-la com tal tipo de atitude. Normalmente, o correto, para a maioria das pessoas, é o acolhimento pela figura da mãe misericordiosa, e por isso ouvir calado, permitir que a pessoa realize certos atos normalmente não permitidos, dentre outros similares, costuma ser a forma mais efetiva de se permitir a cura da tristeza. Contudo, certas pessoas precisam de outros tipos de atitude, pois para serem reconduzidas à sensação de retidão, assim abandonando a tristeza, devem ser por meio daquela atitude tratadas.

Não raro, diferentes aspectos de uma mesma pessoa precisarão de diferentes atitudes conforme o momento. O ideal é que o médico emocional conheça alguma técnica para empoderar a pessoa, de modo que encontre ela mesma uma fonte interior para o sentimento de retidão, independente sendo essa fonte de fatores externos. Tal processo, contudo, requer o direcionamento da pessoa para sua missão de vida, verdadeira vontade, essência divina ou outras fontes similares, cuja origem está sempre na capacidade da pessoa de reconhecer, dentro de si, um caminho “correto” por sua origem (divina em essência) independente da retidão moral do mundo.

 

 

Sétima Qlipha : Gasheklah

Nome místico – Gula

Referência Literal – Acúmulo

Referência emocional – Vampirismo Emocional / Frieza

Referência emocional retificada – Não-Reconhecimento

Cura – Reconhecimento do Eu Emocional

 

O vampiro emocional, ou a pessoa extremamente fria, são ambos aspectos de uma pessoa insensível às próprias emoções e mundo emocional – uma pessoa que não reconhece a existência de suas próprias emoções, e por isso é incapaz de extravasar suas energia emocional, sentir que possui emoções e de se expressar emocionalmente. Essas pessoas, ou, melhor dizendo, esses fragmentos de nossas personalidades (pois todos possuímos vários “pequenos eus”, inúmeras facetas da nossa personalidade que são assim) possuem como que uma conexão cortada entre suas mentes e emoções, de modo com que, por mais que a primeira esteja agitada e produzindo reações que normalmente afetariam o mundo emocional, isso simplesmente não acontece. Essas pessoas, portanto, têm necessidades emocionais que parecem contraditórias, mas são bem complementares.

Algumas sentem a necessidade de se afastar de tudo que envolva emoções e comportamento emocional. Isso ocorre, geralmente, pelo desejo de evitar que se faça a conexão entre seu mundo emocional e seu mundo mental, e está relacionado com pessoas que cortaram, inconscientemente, essa conexão entre os dois mundos, por algum motivo em seu passado.

Outras sentem a necessidade de se aproximar viciosamente de outras pessoas, entretendo-as com suas palavras e atos, em uma tentativa de fazer com que as pessoas “sintam por elas”, demonstrando reações emocionais aos problemas que elas carregam – o que pode servir como gatilho para que elas se permitam manifestar seu conteúdo mental de forma emocional (como no caso da pessoa que só consegue chorar quando conta sua desgraça para outros), ou como uma tentativa de, ao fazer com que outros sintam emoções, possam de alguma maneira extravasar todo o conteúdo psíquico acumulado ou ainda preencher o aparente “vazio” (na verdade, lotação esgotada!) emocional que sentem, por não reconhecerem as próprias emoções.

Por fim, há aquelas que unem os dois conceitos, se mantendo distantes exceto quando querem que outros demonstrem emoções que lhes sejam úteis. Na realidade, essas pessoas não possuem uma conexão totalmente cortada entre suas mentes e suas emoções. O que ocorre é que seus egos ignoram todo o conteúdo emocional interior e não o reconhecem como seu. Isso gera, ao mesmo tempo, uma sensação de falta emocional e uma necessidade de expressar algo que não se sabe o que é – daí que muitos “vampiros emocionais” (que não estão sugando sua energia emocional, estão só fazendo você sentir emoções fortes mesmo) repetem incessantemente as mesmas histórias, padrões de comportamento e assim em diante. Tais pessoas sempre têm um enorme acúmulo de emoções dentro de si, e ao mesmo tempo sentem a constante necessidade de alguma coisa emocional – uma definição em si do que se poderia chamar gula.

O médico emocional deve estar muito atento a lidar com essas pessoas, pois o deslanchar de uma avalanche emocional é o mínimo que se pode esperar caso ele tenha sucesso em reconectar a pessoa com as próprias emoções. Não só isso, contudo – a pessoa também pode ser colocada em contato com inúmeras partes suas que são birrentas, preguiçosas, mentirosas, etc., etc., e que sempre estiveram ali – mas nunca tiveram como se expressar por terem conteúdos mentais muito fracos – ainda que tenham conteúdos emocionais muito fortes.

Assim, ao ajudar uma pessoa a vencer tais barreiras, o médico emocional deve, antes de mais nada, estar preparado para ir com calma e precisão em cada faceta do ego da pessoa que ela até pode perceber que existe, mas cujas emoções ela é incapaz de perceber. De certa maneira, o trabalho com Gasheklah é como abrir as portas do inferno – a pessoa que antes conseguia lidar com alguma situação de forma aparentemente “normal” e “perfeita”, apenas com o “pequeno porem” de estar fazendo aquilo sem realmente sentir nenhuma emoção, apenas aquele incômodo amorfo interior e aquela vontade de reclamar da vida pode se revelar uma criança birrenta, um preguiçoso, um mentiroso, um raivoso… É como observar um adulto fazendo compras normalmente em várias lojas e, de repente, em uma delas, cair no chão e começar a espernear que o preço está caro demais!

Gasheklah é perigosa, pois traz a ilusão de que “está tudo bem”. A pessoa é capaz por exemplo, de agir com retidão (seguindo todas as normas e regulamentos, fazendo um trabalho perfeito), mesmo que por dentro esteja extremamente depressiva ou furiosa. Muitas vezes, ao identificarmos alguma parte de alguém que esteja em Gasheklah, não devemos tentar ajudar nem tratar a pessoa naquela parte.

Primeiro, é necessário demonstrar a ela como melhorar a si mesma de forma individual em todas as outras seis qliphot e, depois, montar todo um ambiente adequado para o trabalho (como um retiro espiritual ou ano sabático). Assim, empoderada e capaz de mais-ou-menos “cuidar de si mesma”, pode então o médico emocional ajudar a pessoa a se livrar da tirania com que trata suas próprias emoções, se reconectando com seu eu emocional e permitindo que tudo – bom ou ruim (e geralmente tem coisa bem ruim ali no meio) venha para fora.

Isso sem considerar que, ao liberar algum aspecto da personalidade de alguém que esteja em Gasheklah, não raro outros aspectos são liberados juntamente a eles. Assim, é, de qualquer forma, um trabalho delicado e preciso, que deve ser feito de forma cirúrgica e sempre no momento conveniente – jamais por simples desejo ou vontade de apressar as coisas, pois pode piorar (e muito) o quadro atual da pessoa, de fato desmoronando sua vida inteira. O método para tal, enfim, pode ocorrer por meio de uma catarse, quando a pessoa é forçada a reagir emocionalmente àquilo que guarda dentro de si, ou por meio de uma liberação em êxtase, normalmente alcançada de forma religiosa, por meio de um relaxamento profundo, contato pele-a-pele e influência direta.

Ambos podem ser usados ao mesmo tempo em situações como a de danças de êxtase ou similares. O uso de psicodélicos e/ou enteógenos, como o chá do santo daime, também pode trazer esse tipo de liberação – especialmente durante usos guiados e com influências que remetam ao despertar emocional.

 

Bem meus caros, aí está. Esse foi o conhecimento que intuí no dia de hoje, e também o que posso compartilhar. Acho que recebi algo a ver com Kether, Chockmah e Binah também, mas é um conteúdo mais complexo, pois tem a ver com a origem das emoções e sensações humanas, e não consegui receber esse conhecimento direito.

O que me veio foi que:

Kether tem alguma relação com o reconhecimento do “nós somos o mesmo” – daí que thaumiel tem a ver com a psicopatia, a incapacidade de perceber a existência do outro, do “nós” enquanto seres diferentes, mas conectados e “o mesmo”.

Chockmah tem relação com o reconhecimento dos “outros” – daí que Augiel tem a ver com a perversão, a percepção do outro como um ser sob o poder do perverso, um apêndice de sua existência, corpo, emoção e mente, com o qual ele pode brincar como quiser –  ao invés de um ser único e diferente dele.

E Binah tem relação com o reconhecimento do “eu” – daí que Satariel tem a ver com o obscurecimento do ego e a perda da noção de “ser” e “sentir”.

 

Por hoje, é isso!

Até mais.

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