Magia Cotidiana e Práticas Diárias

Muito lemos sobre a necessidade da prática diária na magia, porém em contrapartida que procedimentos magísticos devem ser complexos e exigem concentração profunda. Por essa lógica, mesmo um exercício só poderia ocorrer em um momento reservado e tranquilo, e jamais poderíamos executar um feitiço enquanto andamos na rua ou estamos no transporte público por exemplo; porém, existem meios para isto que são importantes meios de desenvolver controle e Imaginação. Veremos alguns deles, como sugestões de exercícios práticos.

Imagem destacada: ilustração do jogo Mage: The Awakening; magia e gnosis mesmo no meio da rua!

Sistemas mais antigos, muitas vezes embasados na magia cerimonial, defendem que um magista deve compor para si uma “personalidade mágica”, empoderada e sábia, que muitas vezes é relacionada com um motto e deve ser “assumida” durante uma prática inclusive de forma teatral – vestindo mantos, empunhando Instrumentos e falando com trejeitos. Atualmente esta noção está em baixa, ainda mais quando temos a noção de que nossa Consciência e Imaginação estão ativas o tempo todo, e não apenas no momento do ritual; então, por que não assumir que somos magos a todo momento e aproveitar para executar pequenos atos mágicos em qualquer situação? Autores como Michael Kelly reforçam a importância de praticar feitiçaria constantemente para manter nossos “circuitos” mágicos condicionados, e um interessante meio seria através da execução em momentos cotidianos.

Executar um feitiço na rua ou em outra situação similar seria, a primeira vista, uma extensão das práticas privadas. Muitos defendem que para se realizar uma prática é necessário entrar em estado de gnosis, e tal concentração não seria possível por exemplo no transporte público; porém podemos engatilhar a energia de estados alterados para aproveitarmos em outros momentos. Para isto, durante uma meditação ou outro exercício de concentração, quando atingir gnosis escolha um gesto simples (como estalar os dedos, um mudra ou apontar) e diga: “quando faço este gesto, eu volto a este testado mental de calma, foco, poder e percepção”, ao menos três vezes. Repita este exercício quantas vezes forem necessárias, e depois teste-o quando estiver andando por aí ou aguardando em uma fila por exemplo. Muitos outros seguindo esta mesma linha podem ser encontrados no livro Postmodern Magic, de Patrick Dunn.

Seja no centro de Londres ou de Osasco, sempre é possível executar uma prática magística

Outra forma seria consagrar um feitiço específico (pode usar somente uma simples vela para tal), criando um sigilo para ele, e ativar posteriormente por meio de visualização; o fotamecus é um sigilo-viral que funciona bem com esta prática. Uma opção que une ambas as formas seria o magista estudar algum tipo de alfabeto simbólico (como as runas, o hebraico, um Alfabeto de Desejo particular ou mesmo o tarot – na forma dos números dos arcanos maiores e combinações de um símbolo elemental+número para os menores), acessar o estado de gnosis e então visualizar um ou mais símbolos que possam auxiliar naquele momento, projetando sua energia para a situação.

Não podemos deixar de mencionar as práticas de consagração voltadas para imantar um objeto com a energia de um evento, como uma apresentação ou encontros sociais. É uma grande demonstração de magia cotidiana, com o aproveitamento da energia que é liberada no próprio ambiente através da visualização; e já recebeu um artigo próprio a explorando aqui no Platinorum.

Expandam suas possibilidades e explorem tudo o que a magia é capaz. Deixem sua Imaginação manipular o ambiente ao seu redor, e exerçam sua autoridade de mago em qualquer lugar e estejam. Pratiquem, e mantenham sempre sua Mente condicionada a perceber além!

-Ravn

 

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