A Prática do Altar Pessoal

Vocês já estudaram os Quatro Instrumentos conosco e ainda aprenderam como consagrar um objeto. Agora, vamos juntar estas práticas e analisar o Altar Alquímico (ou “Pessoal”), um importante Instrumento de prática e desenvolvimento que incorpora em si os Quatro clássicos herméticos.

Imagem destacada: “O Mago” do tarot de Waite, que trabalha sobre um altar alquímico

Em sua função mais superficial, o altar alquímico serve para reservar um espaço onde o magista possa realizar suas práticas e trabalhos. Porém, seria mais preciso dizer que ele na verdade é um grande ponto de força dedicado a si mesmo; ele é uma representação de seu microcosmo pessoal, em seus pontos mais refinados e elevados. Seu processo de construção envolve se dedicar ao autoconhecimento e aprimoramento, possuindo então suas energias mais essenciais consagradas e prontas para transformar o macrocosmo através da mudança interna.

Esta é a principal diferença entre um altar alquímico e aqueles usados para práticas religiosas, referentes ao macrocosmo. Os deste segundo tipo usam a simbologia e a energia de egrégoras, entidades e divindades e permitem afinar o ambiente e seus operadores com estas fontes externas. O altar pessoal pode possuir símbolos derivados da espiritualidade do magista, porém o seu enfoque sempre será o micro e suas energias pessoais.

Normalmente, é trabalhado nele os Instrumentos baseados nos Quatro Elementos – sejam os mais tradicionais, ou os que melhor dialogarem com seu usuário. Sua consagração envolve não apenas energias elementais (do qual muitas vezes são acessadas através da consagração astrológica) como também que seja impregnado no objeto as energias em Oitavas Altas do magista que correspondam a cada elemento (obtidas através de suas lembranças e aspirações). Por isso, a montagem acaba sendo um profundo exercício de autoconhecimento; além de meditar dentro de cada um deles no período de preparação, é interessante buscar também algum recurso como a análise do mapa astral ou um oráculo como o tarot.

Muitas pessoas escolhem fazer as consagrações junto do início de um ano novo astrológico, consagrando primeiro o Instrumento do Fogo na janela de Áries, seguindo para Terra em Touro, Ar em Gêmeos e Água em Câncer. Outros preferem começar na janela de seu signo solar ou mesmo no dia de seu aniversário, criando um Instrumento com uma ligação mais pessoal. O mais importante é dedicar um bom tempo e seriedade para cada Instrumento individualmente, se aprofundando em cada meditação prévia ao ritual. Ao consagrar, é importante pedir não apenas para o objeto se tornar um condutor da energia elemental como também que ele ajude você a evoluir dentro daquela área.

Daremos algumas diretrizes para cada Instrumento, assim como sugestões de objetos que podem ser usados para cada:

Terra: refere-se ao Plano Material. Encontre conquistas como um investimento grande, a conquista da independência financeira, seu primeiro emprego ou a obtenção de um cargo importante, uma compra do qual foi necessário economizar bastante para ser obtida. Reflita sobre meios do qual você pode melhorar sua capacidade de concretização. O objeto mais comum de ser consagrado em Terra é um pantáculo, porém moedas (especialmente antigas ou de valor sentimental) ou drusas de cristais também cumprem a função.

Ar: são as energias da razão e do pensamento. Encontre momentos marcantes em que você fez uso da criatividade e da linguagem para concretizar algo. Questione-se quais são as formas do qual você pode tornar seus pensamentos mais claros e como é a forma que você os expressa; lembre-se que o Ar é um elemento muito associado com o conflito. Normalmente é consagrada uma arma de corte (como uma adaga) para o Ar, porém penas de pássaros ou instrumentos associados com arte, desenho ou objetos (como canetas, penas de caligrafia e pincéis) são boas pedidas (especialmente se usados também para escrever sigilos).

Água: trabalham o lado emocional. Encontramos aqui muito das nossas relações com as outras pessoas, desde a nossa família até amizades e relacionamentos amorosos. De que forma nossas emoções podem ser melhor compreendidas e expressadas? Há algo do qual você gostaria de cuidar e proteger? O objeto escolhido costuma a ser qualquer um capaz de reter líquido, especialmente aqueles que seguem ritualísticas que envolvem brindes e libações; porém, conchas também podem ser usadas.

Fogo: elemento aspiracional, que trabalha nossa Vontade, ambições e espiritualidade. Que tipo de conquistas você obteve ao perseguir algo não pensando em algum tipo de ganho (Terra), mas sim por um ideal ou simplesmente por paixão? O que você já obteve trabalhando com egrégoras espirituais, seja uma ordem ou uma religião? Normalmente usa-se uma varinha para representar o Fogo, porém talismãs e anéis, além de objetos que nos remetam a autoridade, também podem cumprir a função.

exemplo de altar
Exemplo de altar, incluindo pantáculos e tarot

Para efetivamente montar o altar, reserve uma mesinha, um canto do armário ou uma prateleira para manter seus Instrumentos. Muitas vezes, este espaço também será usado para o trabalho magístico; use o bom senso na escolha do tamanho que melhor atender sua necessidade. Alguns gostam de o forrar com uma toalha negra, cor receptiva; e é interessante incluir um incensário junto ao Instrumento do Ar e um candelabro junto ao de Fogo.

O posicionamento de cada Instrumento no altar pode seguir critérios diversos, sendo recomendável se utilizar da energia telúrica para decidir. Este critério, que considera os maiores pontos de força elemental do local onde o magista se localiza, visa criar uma relação entre o micro (que está sendo firmado) e o macrocosmo (que será afetado pela transformação interna do mago); para um posicionamento geral para o Brasil, costuma-se a colocar o Fogo no Norte (Linha do Equador), a Água no Leste (Oceano Atlântico), o Ar no Sul (Antártida) e a Terra no Oeste (Cordilheira dos Andes). Existem ainda as opções de seguir as mesmas posições do Ritual Menor do Pentagrama (Ar ao Leste, Fogo ao Sul, Água ao Oeste e Terra ao Norte) ou da Rosacruz Hermética (Fogo ao Norte, Água ao Leste, Terra ao Sul e Ar ao Oeste), e sistemas específicos podem preferir suas próprias distribuições seguindo variados critérios. O centro do altar pode ser reservado para se colocar sigilos, pantáculos e símbolos que serão trabalhados em cada prática, embora certos sistemas possam adicionar um quinto Instrumento de atribuições diferentes para cada linha que ocupa essa posição.

Para aqueles que não possuem espaço para um altar ou por algum motivo não poderiam o deixar exposto e montado, uma boa sugestão é escolher apenas objetos pequenos (como cristais, uma miniatura de espada feita de metal, um copo de shot e um anel) e guardá-los em uma caixa, que também pode ser consagrada. Durante uma prática os objetos podem ser dispostos na tampa, que pode ser inscrita com símbolos e se tornar também um Instrumento por si só.

O altar alquímico está sempre em construção e evolução, tal qual o magista. Façam regularmente uma auto-avaliação e consagrem novamente seus Instrumentos, embutindo neles a energia de suas novas conquistas. Tornem-o uma extensão de si mesmos, e boas práticas!

Acompanhe nossos calendários mensais e veja seus estudos associados para encontrar janelas favoráveis. 

plat-assin-Ravn

Você também vai gostar...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *