Sukot e Ushpizin, hospitalidade e os antepassados

“Ushpizin” significa convidados ou visitantes em aramaico.

Estamos no final do festa de Sukot, “Tabernáculos”.

A festa de Sukot é uma celebração dos antepassados e dos tempos em que os hebreus vagaram no deserto. Uma vez era uma celebração de extrema importância no ano judaico. Hoje é lembrada, mas pouco ritualizada. Conta-se que, quando Shammai, rabino que viveu entre 50 aEC e 30 EC, soube que sua nora havia lhe dado um neto, destruiu o quarto onde ela e o bebê estavam, deixando apenas a cama intacta. Em seguida, erigiu em torno da cama uma sukah, a tenda debaixo da qual se comemora sukot, para que o neto pudesse participar da celebração de forma apropriada.

Mas exageros à parte, é sobretudo um ritual ligado à hospitalidade, talvez a “regra de ouro” original dos povos nômades. Com o tempo, os rituais de sukot se moldaram para a evocação dos patriarcas do povo judeu:

  • Avraham: fazendo papel de Chesed
  • Yitzchak: fazendo papel de Gevurah
  • Yaakov: fazendo papel de Tiferet
  • Moshe: fazendo papel de Netzach
  • Aharon: fazendo papel de Hod
  • Yosef: fazendo papel de Yesod
  • David: fazendo papel de Malkuth

Ainda hoje, as palavras do ritual não são em hebraico, mas em aramaico, a língua comum da região:

Tivu, tivu, ushpizin ilahim.
Tivu, tivu, ushpizin kadishin.
Tivu, tivu, ushpizin dim’hemnuta.
Tivu b’tzila deshekhina.

“Venham, venham, convidados honrados.
Venham, venham, convidados abençoados.
Venham, venham, convidados fiéis.
Venham, venham, na sombra da Sekhina/Presença.”

Levemente “pagão”, o ritual inclui que se prepare comida para ser oferecida aos convidados.

Duas velas devem ser acesas no interior da sukah. A bênção, em hebraico, foi provavelmente adicionada mais tarde, sendo a bênção “genérica” de agradecimento pela chegada de uma “boa nova”:

Baruch atah Adonai
Elohenu melekh ha’olam
shehecheyanu veqiyemanu
vehigi’anu lazeman hazeh.

“Abençoado seja Adonai
Nosso D’us, Rei do Universo
que nos deu a vida, nos sustentou
e permitiu que chegássemos a este tempo.”

Quer dizer, chamamos espíritos dos antepassados para nos ajudar, oferecendo uma casinha, comida e velas… eu tenho a impressão de que já vi esse ritual antes, mas não sei bem quem faz isso 😛

Na versão “oficial”, a comida é dada aos pobres “em nome” dos antepassados. A explicação intermediária diz que, se convidamos pessoas para uma festa, e os convidados não consomem toda a comida, devemos dar aos pobres a comida em nome delas… Por outra versão, Maimônides dizia já no século XII que se alimenta, bebe e se diverte em uma festividade mas não dá parte aos necessitados não está cumprindo uma mitzvah, está apenas enchendo seu estômago.

Então, convido a todos a convidarem os antepassados para um papo. E, nesse nosso grupo, convido todos também para um encontro no meu próprio Templo Astral. Sukot é uma festa longa. Temos hoje e amanhã ainda para comemorar.

Shbaa.

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