O Ateu, o Crente, o Sábio e o Mago

Era uma vez uma raposa sentada às margens do rio, contemplando a transformação das águas em mais águas. Um sapo se aproximou pelo caminho sul, e um escorpião, pelo caminho norte. Ambos se encontraram onde antes havia uma ponte, sob o olhar atento da raposa.

O Sapo e o Escorpião

— Olá, Sapinho — disse o escorpião. — Podes me ajudar a atravessar este rio? Podes me levar nas tuas costas?

— Claro que não — respondeu o sapo. — Se eu te colocar nas minhas costas, vais me atacar com teu ferrão e me matar!

— Eu jamais faria isso — disse o escorpião se sentindo insultado. — Não sou um burro. Se eu te matar com meu ferrão, morrerei afogado logo depois…

O sapo julgou correta a lógica do escorpião e o deixou subir em suas costas. Quando chegavam na metade do caminho entre uma margem e outra, o sapo sentiu a dor do ferrão sendo cravado em suas costas.

Com o veneno agindo, já começando a afundar, o sapo teve apenas tempo de perguntar:

— Por quê?

— Porque eu sou um escorpião, e essa é minha natureza.

O sábio e o Escorpião

Um sábio caminhava às margens do rio, quando viu um escorpião lutando para não se afogar. O sábio, decidido a tirar o animal da água, se aproximou e delicadamente pinçou com os dedos as patas dianteiras do escorpião. O escorpião, mesmo se debatendo, estica o ferrão e consegue ferir a mão do sábio, que, com a dor, deixa o escorpião cair de volta na água.

O sábio, entrando um pouco mais dentro do rio, pinça novamente as patas do escorpião. E o escorpião, insistente, lança o ferrão nos dedos do sábio.

A raposa se aproxima mais da margem, para tentar entender o que acontecia. O sábio pinçava as patas do escorpião. O escorpião feria os dedos do sábio. Sem entender o motivo de a cena se repetir tantas vezes, a raposa pergunta:

— Mestre, o senhor não sabe que é da natureza do escorpião tentar matar a todos que se aproximam dele?

— Querida raposa, se é da natureza do escorpião tentar matar a todos que se aproximam dele, é de minha natureza ajudá-lo a viver.

Aprendendo mais uma lição, a raposa transformou-se em uma bela princesa e saiu cantando, achando tudo aquilo muito engraçado.

Shbaa.

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