Um conto de Þórrsblót

O Þórrsblót é um festival de inverno normalmente posicionado após a temporada do Jól, que atualmente acabou sendo dedicado à Þórr em seu aspecto de protetor de Miðgarðr. Uma poderosa divindade climática, Þórr era cultuado amplamente pelas camadas mais baixas da sociedade escandinava, sendo um patrono para os fazendeiros e pescadores. Este pequeno conto foi obtido durante uma celebração de Þorrablót, e nos fala não só da natureza do deus como também de questões de fé.

Imagem destacada: Cara Nilsen

Conta-se da antiga Escandinávia, quando me lembro bem de até ter visto gigantes-de-gelo rondar – a única explicação para um frio tão intenso. Foi implacavelmente cruel com uma família pobre, privada do pouco que suas pequenas terras poderiam lhes dar pelo tempo gélido. Logo, suas próprias vidas seriam tomadas pelas mãos de um terrível inverno.

Porém, os festivais com sacrifícios à Þórr se aproximavam. O pai e a mãe, sensíveis aos deuses, conheciam bem o Amado Amigo, aquele da barba rubra e do rugido trovejante que protege a humanidade dos perigos das tempestades. Mas eles bem sabem, que uma dádiva sempre busca pelo pagamento; e viam pelo olhar tristonho de seus filhos que nada poderia ser estregue de suas terras além de duras pedras.

Determinados a mostrar ao poderoso áss sua confiança, assim decidiram fazer: na noite dedicada ao festival, as crianças reuniram as pedras que jaziam onde antes ficava sua plantação e seguiram seus pais até um local muito sagrado – um poderoso carvalho, que dizem que o próprio Ruivo marcou com um raio. Enquanto os pais cantavam ao Grande Protetor, os filhos depositavam as pedras nas raízes do carvalho; alguns diriam que, mesmo sem serem mandados a isso, as arrumaram no mesmo formato do Mjöllnir.

Na noite que se seguiu, o céu anunciava uma tempestade de neve – porém, sobre a casa daquela família nada se abateu. Talvez tenha sido possível ouvir um poderoso rugido, como um brado de guerra, vindo de algum lugar no alto; a única certeza que temos é que Þórr se interpôs entre aquele lar e o inverno, concedendo-os também sua coragem e força e uma resistência tão grande quanto a das pedras que deixaram sob o carvalho. Alguns que hoje vivem próximos ao áss em Þrúðheimr dizem que elas estão guardadas entre os tesouros mais preciosos Dele em seu salão, Bilskírnir; mas outros juram que Þórr as devorou de forma voraz, como se fosse a carne do mais gordo sacrifício.

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Skál! Haill, Hlórriði Öku-Þórr!

Sjáumst bráðlega!

-Ravn

Ilustração: RAIDHO

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