Cabala Judaica #4: Aiq Bkr, ou a cabala das nove câmaras

Letras, números, decimais, sigilização, aiq bkr.

O nome Aiq Bkr indica uma simplificação do uso dos números da cabala. Outro nome para a codificação é Mispar Katan, em oposição a Mispar Gadol No Aiq Bkr, reduzem-se as dezenas e centenas do Mispar Gadol para unidades. 10 e 20 (Yud e Caf) tornam-se 1 e 2; 300 e 400 (Shin e Tav), 3 e 4; de modo que todas as letras têm apenas valores abaixo de 10. O nome indica a formula. Aiq (alef, yod, quf) valem 1; bkr (bet, kaf, resh) valem 2; e assim por diante. É comum usar a fórmula como nome. O nome At Bash, por exemplo, também indica uma fórmula de substituição. No caso, a primeira letra pela última (at, alef por tav), a segunda pela penúltima (bash, bet por shin) e assim por diante.

A aplicação comum dos símbolos, numéricos ou não, na cabala é através da contação de histórias. Alguém contaria que o segredo para se atingir um estado de espírito santificado é tomar um bom vinho, comer uma boa challah com um bom peixe, aquecer-se com uma sopa e saborear uma boa carne.

  • Yayin, vinho, soma 70 (7+0=7);
  • challah, o pão trançado, soma 43 (4+3=7);
  • dag, peixe, soma 7;
  • merak, sopa, soma 430 (4+3+0=7);
  • basar, carne, soma 502 (5+0+2=7).

A janta é uma alusão à entrada do shabat, o sétimo dia. Sete indica o estado do chamado “descanso”, remover-se da ação sobre o mundo.

Com o tempo, com a escrita e com as artes, o ser humano passou a ser muito mais visual. Em vez de memorizar uma cena de um jantar, pratos e bebidas diferentes para interpretar uma dada estrutura de pensamento, arquétipo ou sensação — como preferirem chamar — tornou-se possível condensar essa informação em um símbolo puramente visual.

Cabala das Nova Câmaras

Codificações de Austin Osman Spare, sites sobre Gnose, vídeos com o Frater Goya e até um verbete na Wikipedia demonstram a sigilização “caoísta” para quem se interessar. A “cabala das nove câmaras” não foge do modelo, apenas se aproveita da numeração da cabala, substituindo as letras por um desenho associado às “câmaras”.

Para obter um sigilo para Shlomo (Sh-L-M-H), o processo é o seguinte:

  1. escreva as letras da frase que será transformada em sigilo, no caso Shin, Lamed, Mem, He;
  2. não “remova” vogais. vogais não estão ali sobressalentes. o sistema de letras hebraicas não apresentava vogais como as conhecemos. as letras Vav, Yud, Alef e Ayin podiam ter sons das nossas vogais, mas esse som é primariamente tratado pelas nikudim, sinais gráficos de pontos e traços desenhados em torno das letras. sendo assim, em vez de apagar as vogais, como normalmente é indicado, o ideal é aproveitar as letras Alef, Ayin, Yud e Vav para somar um valor que reflita o significado ideal para a palavra formada – no caso, Shlomo soma 375, se quisermos dar à pessoa ou entidade um nome com o valor 381 (necromante), poderíamos adicionar Vav (6): Shin, Lamed, Vav, Mem, He;
  3. substitua as letras pelos traços das nove câmaras – quer dizer, as letras Shin e Lamed, por estarem na parte de cima à direita são substituídas por algo que se parece com um L; a letra Mem se parece com um C espelhado; a letra He é um quadrado, por estar no meio (muito confuso? olhe de novo…);
  4. una as linhas para formar um desenho que agrade o olhar;
  5. agora, ad lib, produza uma forma para a união dos traços das câmaras. o objetivo não é a simetria. o principal é produzir um conjunto fácil e agradável de traçar, como uma assinatura deveria ser, ou como uma assinatura deveria fazer sentir ao ser rubricada.

Se já tiver experiência, busque em Netzach a energia para traçar o sigilo com confiança. Formalize para Yesod com a contemplação de quem cuida o filho que cresce. E concretize em Malkuth, dominando a execução de cada traço, forma e intenção.

Se não for experiente, experiências futuras virão.

Shbaa.

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